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Mexicana enfrenta desafio da crise dos "sem-teto" em Nova York

Internacional|Do R7

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Ruth E. Hernández Beltrán Nova York, 8 abr (EFE).- Reduzir a crise dos "sem-teto" em Nova York, onde mais de 50 mil pessoas dormem todas as noites em albergues públicos da "capital do mundo", é o principal desafio da mexicana Lilliam Barrios-Paoli, consciente que enfrenta um problema "complexo". "Qualquer problema causado por seres humanos pode ser resolvido por seres humanos. É um problema criado com políticas que não faziam sentido, não prestando atenção a certas coisas. Se temos o desejo de regular o problema, podemos fazer", assegurou Liliam em entrevista à Agência Efe. A vice-prefeita de Saúde e Serviços Sociais no gabinete de Bill de Blasio reconheceu que "não será fácil" porque durante muito tempo não foram atribuídos fundos suficientes para resolver esta crise, mas acredita que "com políticas muito mais humanas e os recursos necessários é possível fazer". O número de pessoas sem lar na'Big Apple' é o maior desde os anos da Grande Depressão e segundo dados de diferentes ONGs, mais de 60 mil pessoas dormiram em albergues municipais em 2014, 13% a mais que no ano anterior, entre eles 25 mil crianças, das quais 1 de cada 34 são latinas e 1 de cada 17 afro-americanos. Liliam supervisiona há um ano os programas lançados pelo prefeito De Blasio para ajudar as famílias a deixar os albergues de forma permanente, como um subsídio de US$ 1,5 mil para pagar aluguel, ou o de prevenção para evitar que não percam suas casas. "Há gente que embora trabalhe todo tempo ou tenha assistência social, o dinheiro que recebem não é suficiente e têm que viver em algum lugar. Se essas famílias não forem ajudadas, vão terminar em um albergue e isso é inaceitável porque há crianças", argumentou Liliam. A funcionária, com a experiência de ter trabalhado para quatro prefeitos (Edward Koch, Rudoplh Giuliani, Michael Bloomberg e De Blasio), reconhece que sempre haverá albergues em uma cidade como Nova York, mas destaca que graças a esses programas conseguiram estabilizar os números, embora sigam sendo altos. De acordo com dados do escritório do prefeito, neste momento, 57.405 pessoas dormem todas as noite em um dos 255 albergues que há repartidos pela cidade, entre eles famílias com crianças, das quais 68% são afro-americanos e 37% são de origem latina. "Esta é uma cidade de muito contraste. Nova York que muita gente vê é a da Broadway, a dos restaurantes ou Park Avenue. É muito fácil não ver a outra Nova York se não quiser e isso é o que aconteceu por muitos anos", lamentou a vice-prefeita de Saúde e Serviços Sociais. Esta crise tem mais impacto sobre a latinos e afro-americanos porque é um problema vinculado com a pobreza, o desemprego e outros problemas sociais "que é preciso começar a solucionar. Não se pode ver como algo uniforme, é preciso saber quem faz parte deste grupo", acrescentou Liliam. Um recente relatório da Coalizão dos Sem-Teto reconhece que nos últimos meses começaram a ver alguns resultados do plano anunciado pelo prefeito De Blasio, que procura tirar cerca de cinco mil famílias por ano dos albergues e dar uma moradia estável. Se for possível tornar realidade três desejos, a vice-prefeita insistiu à Efe que seriam: resolver o problema das pessoas sem lar, a desigualdade e que cada criança tenha um futuro, mas prefere não falar de metas específicas. Filha de cubanos radicados no México, Liliam reconheceu que sua carreira no serviço público não foi fácil "porque as prioridades do governo não são sempre as que você quer", mas permaneceu porque pode ter um impacto "muito maior" para mudar políticas que afetem milhares de pessoas. EFE rh/ff

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