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Modelo de trabalho ’996′ ganha espaço nos EUA com jornadas de até 72 horas semanais

Criada na China e proibida posteriormente, carga horária é adotada por startups do Vale do Silício que investem em IA

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A cultura de trabalho 996, com jornadas de 72 horas semanais, está sendo adotada por startups no Vale do Silício.
  • Originária da China, a prática foi considerada ilegal em 2021, mas continua a ser promovida nos EUA, especialmente em empresas de IA.
  • Executivos como Sergey Brin, Elon Musk e Mark Zuckerberg defendem horas extras para aumentar produtividade em um ambiente competitivo.
  • Críticos alertam para o risco de esgotamento entre os trabalhadores, uma das principais causas de falhas em startups.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Necessidade de competir globalmente no setor tecnológico impulsiona jornadas exaustivas
Necessidade de competir globalmente no setor tecnológico impulsiona jornadas exaustivas Marvin Meyer/Unsplash

A cultura de trabalho conhecida como 996, que exige dos funcionários jornadas das 9h às 21h, seis dias por semana, tem sido adotada por algumas startups do Vale do Silício. O modelo visa aumentar a produtividade e acelerar o desenvolvimento de tecnologias, especialmente na área de inteligência artificial.

O modelo 996 nasceu na China, onde se tornou símbolo da pressão sobre trabalhadores do setor de tecnologia. Em 2021, o Supremo Tribunal Popular chinês declarou a prática ilegal, alinhada a uma campanha para reduzir desigualdades e limitar abusos no ambiente corporativo. Mesmo assim, o conceito tem atravessado fronteiras e agora aparece no coração do setor tecnológico dos Estados Unidos.


No Vale do Silício, startups de inteligência artificial, como a Rilla, têm solicitado aos candidatos que estejam dispostos a trabalhar cerca de 70 horas semanais presencialmente. O chefe de crescimento da empresa afirma que quase toda a equipe adota essa rotina. A adoção do 996 ocorre em um cenário de pressões crescentes, incluindo demissões em massa e competição global por avanços em IA, o que leva líderes do setor a defenderem jornadas mais longas.

O cofundador do Google, Sergey Brin, recomendou recentemente que seus funcionários trabalhem pelo menos 60 horas semanais no projeto Gemini, apontando esse volume como ideal para produtividade. Outros executivos, como Elon Musk e Mark Zuckerberg, também destacam a importância de maior intensidade no trabalho, mesmo que isso implique horas extras. Em novembro de 2022, Musk disse aos funcionários remanescentes do X, então Twitter, que deveriam se comprometer com uma cultura nova e “extremamente hardcore” ou deixar a empresa com pagamento de indenização.


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Na Europa, o debate sobre a cultura 996 está aceso, motivado pela necessidade de competir globalmente no setor tecnológico. Investidores alertam que o ritmo acelerado pode ser necessário para não perder espaço, mas há críticas que indicam o risco de esgotamento, uma das principais causas de falhas em startups.

Harry Stebbings, fundador do fundo 20VC, disse no LinkedIn em junho que o Vale do Silício “aumentou a intensidade” e que os fundadores europeus precisavam prestar atenção. “Sete dias por semana é a velocidade necessária para vencer agora. Não há espaço para falhas,” disse Stebbings na publicação. “Você não está competindo contra uma empresa qualquer na Alemanha, etc., mas contra as melhores do mundo.”


Alguns outros fundadores comentaram, criticando o aumento da cultura de trabalho 996 e alertando que isso pode rapidamente levar a uma cultura de esgotamento. Entre eles estava Ivee Miller, sócia geral da Balderton Capital.

“O esgotamento é uma das três principais razões pelas quais startups em estágio inicial falham. É literalmente um motivo ruim para investir,” disse Miller no LinkedIn.

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