Mojtaba Khamenei: mesmo ferido, líder supremo do Irã comanda estratégia na guerra
Segundo inteligência dos EUA, Khamenei segue orientando as negociações sobre o conflito
Internacional|Zachary Cohen, Natasha Bertrand e Jim Sciutto, da CNN Internacional
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A inteligência dos EUA avalia que o novo líder supremo do Irã está desempenhando um papel crucial na definição da estratégia de guerra ao lado de altos funcionários iranianos, segundo múltiplas fontes familiarizadas com os relatórios. As análises apontam que a autoridade precisa, dentro de um regime agora fragmentado, permanece incerta, mas que Mojtaba Khamenei provavelmente está ajudando a orientar como o Irã conduz as negociações com os EUA para encerrar o conflito.
Khamenei não foi visto em público desde que sofreu ferimentos graves durante um ataque que matou seu pai e vários dos principais líderes militares do país no início da guerra, o que gerou especulações sobre sua saúde e seu papel na estrutura de liderança iraniana.
O governo Trump continua buscando uma solução diplomática para o conflito, enquanto um cessar-fogo já ultrapassa um mês. A inteligência americana avalia que o Irã ainda está se recuperando da campanha de bombardeios dos EUA, que deixou intacta parte significativa de suas capacidades militares, além da possibilidade de resistir por mais vários meses a um bloqueio americano, segundo fontes.
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Khamenei foi anunciado como novo líder supremo do Irã, substituindo seu pai, poucos dias após o ataque que o feriu. No entanto, até agora, a comunidade de inteligência dos EUA não conseguiu confirmar visualmente seu paradeiro, disseram as fontes.
Parte da incerteza decorre do fato de Khamenei não usar nenhum tipo de eletrônico para se comunicar, interagindo apenas presencialmente ou enviando mensagens por meio de mensageiros, acrescentou uma das fontes.
Khamenei permanece isolado enquanto segue em tratamento médico por seus ferimentos, incluindo queimaduras graves em um lado do corpo, que afetam o rosto, braço, tronco e perna, segundo as fontes.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse à mídia estatal no início da semana que teve uma reunião de duas horas e meia com Khamenei, marcando o primeiro encontro presencial reportado entre uma autoridade iraniana de alto escalão e o novo líder supremo do país.
O que autoridades americanas sabem sobre a situação de Khamenei baseia-se em informações obtidas de pessoas que estão em contato com ele, disseram fontes familiarizadas. Há, no entanto, dúvidas entre analistas de inteligência se alguns integrantes da estrutura de poder iraniana podem estar alegando acesso a Khamenei para se apropriar de sua autoridade e promover suas próprias agendas.
A guerra enfraqueceu as capacidades militares do Irã, mas não as destruiu, segundo relatórios de inteligência dos EUA. A CNN já havia informado que a inteligência americana estimava que cerca de metade dos lançadores de mísseis iranianos havia sobrevivido aos ataques dos EUA. Um relatório recente elevou esse número para dois terços, em parte porque o cessar-fogo deu ao Irã tempo para recuperar lançadores que podem ter sido enterrados em ataques anteriores, segundo fontes.
Um relatório separado da CIA concluiu que o Irã pode resistir por até mais quatro meses sob o bloqueio americano sem colapso total de sua economia, disseram as fontes. O The Washington Post foi o primeiro a noticiar essa avaliação. Forças militares dos EUA e do Irã trocaram disparos nos últimos dias, apesar do cessar-fogo em vigor, enquanto o tráfego pelo estreito de Ormuz quase parou, com ambos os lados alegando controle da via marítima.
Questionado sobre a avaliação da CIA, um alto oficial de inteligência disse à CNN: “O bloqueio imposto pelo presidente está causando danos reais e acumulativos — cortando comércio, esmagando receitas e acelerando o colapso econômico sistêmico. As Forças Armadas iranianas foram severamente degradadas, sua marinha destruída e seus líderes estão escondidos. O que resta é o apetite do regime pelo sofrimento civil — deixando seu próprio povo passar fome para prolongar uma guerra que já perdeu.”
O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional encaminhou as perguntas à Casa Branca.
“Enquanto os Estados Unidos se fortalecem após o enorme sucesso da Operação Epic Fury, o Irã se enfraquece a cada dia devido aos efeitos avassaladores da Operação Economic Fury, do bloqueio militar e das divisões internas no regime, que prejudicaram a capacidade do país de apresentar propostas unificadas aos negociadores americanos”, disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, à CNN. “Está mais claro do que nunca que o presidente Trump tem todas as cartas enquanto sua equipe de segurança nacional trabalha para pôr fim de uma vez por todas às ambições nucleares do Irã. Não comentamos questões de inteligência.”
Embora as avaliações de inteligência dos EUA indiquem que Khamenei está envolvido na elaboração da estratégia de negociação do Irã para um fim diplomático da guerra, uma fonte afirmou à CNN que há evidências de que ele esteja relativamente afastado do processo decisório e seja apenas esporadicamente acessível.
Como resultado, altos oficiais da Guarda Revolucionária Islâmica estariam conduzindo as operações do dia a dia, ao lado do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acrescentou a fonte. “Não há indicação de que ele esteja de fato dando ordens de forma contínua, mas também não há nada que prove o contrário”, disse uma segunda fonte.
As dúvidas sobre a saúde e a posição de Khamenei dentro de um regime iraniano agora fragmentado têm sido um desafio para o governo Trump, já que autoridades americanas indicam não estar claro quem tem autoridade para negociar o fim do conflito, disseram as fontes.
“O sistema deles continua altamente fragmentado e disfuncional, o que pode ser um obstáculo”, afirmou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao comentar a resposta esperada do Irã à mais recente proposta americana.
As consequências das operações dos EUA e de Israel, que mataram o pai de Khamenei e outros altos funcionários iranianos, já haviam sido previstas por avaliações de inteligência antes da decisão de Donald Trump de iniciar o conflito. Essas análises concluíam que eliminar o líder supremo anterior provavelmente não derrubaria o regime. “Mesmo retirando o aiatolá, seus sucessores também são linha-dura”, disse uma fonte.
Trump tem afirmado desde a morte do antigo Khamenei que houve mudança de regime no Irã e descreveu os negociadores atuais como “razoáveis”.
“Estamos lidando com pessoas diferentes de todas com quem já lidaram antes”, disse ele em março.
Ali Vaez, diretor do projeto Irã do International Crisis Group, afirmou anteriormente à CNN que, independentemente de o novo líder supremo estar apto a liderar as negociações, “o sistema o utiliza para dar aprovação final às principais decisões amplas, e não para as táticas de negociação”.
“O sistema deliberadamente destaca o envolvimento de Mojtaba porque isso oferece uma proteção contra críticas internas… ao contrário de seu pai, que falava regularmente sobre as negociações”, acrescentou. “Mojtaba está ausente, então atribuir a ele certas posições funciona como uma cobertura para proteger os negociadores iranianos.”
Uma fonte descreveu a incerteza sobre o status de Khamenei como algo entre O Mágico de Oz e Um Morto Muito Louco.
Mesmo assim, a tentativa do governo Trump de alcançar uma solução negociada tem sido prejudicada por um entendimento considerado equivocado sobre como os iranianos pensam e reagem a ameaças — independentemente de quem esteja no comando.
Antes da primeira rodada de negociações em Islamabad, no mês passado, o vice-presidente JD Vance buscou entender, com parceiros do Golfo, quem, entre os líderes iranianos remanescentes, tinha autoridade para negociar com os EUA e como lidar com eles.
Autoridades de pelo menos um país do Golfo disseram que Ghalibaf era visto como quem detinha essa autoridade. Ele liderou a primeira rodada de negociações com os EUA e é atualmente considerado uma das principais figuras da República Islâmica.
Ex-comandante da Guarda Revolucionária, Ghalibaf ganhou notoriedade por reprimir protestos estudantis pró-reforma e passou a ser visto como um dos poucos políticos iranianos capazes de transitar entre diplomatas e militares.
Ainda assim, Vance deixou as negociações iniciais sem acordo, e uma segunda rodada acabou não acontecendo. Trump atribuiu o fracasso ao fato de o governo iraniano estar “seriamente fragmentado” e prorrogou um cessar-fogo de duas semanas para dar tempo ao Irã de formular uma “proposta unificada”.
Nas semanas seguintes, o governo Trump manteve que o cessar-fogo segue em vigor, com o presidente estendendo-o por tempo indeterminado, enquanto o Irã analisava, até sexta-feira, a proposta mais recente dos EUA.
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