Estado Islâmico, Hamas: veja grupos declarados terroristas pelos EUA além do PCC e CV
Inclusão de organizações criminosas do Brasil foi anunciada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio
Internacional|Do R7
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Os Estados Unidos consideram as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e “Organizações Terroristas Estrangeiras”. Na noite desta sexta-feira (29), os dois grupos de crime organizado entraram na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos, ligado ao Departamento do Tesouro norte-americano, onde são descritos como “Grupo Terrorista Transnacional; Tipo de alvo: Organização Criminosa [SDGT]”. A decisão já havia sido anunciada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, na rede social X.
A classificação de Organização Terrorista Estrangeira, por sua vez, é conhecida pela sigla FTO (Foreign Terrorist Organizations). Trata-se de uma lista que reúne grupos estrangeiros acusados de envolvimento em terrorismo ou considerados capazes de praticar esse tipo de ação. Também estão incluídos aqueles considerados ameaças à segurança dos EUA.
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Hoje, 94 grupos são classificados como terroristas pelos Estados Unidos. Entre eles estão o Estado Islâmico, Hamas, Hezbollah e Al-Qaeda. As inclusões mais recentes na lista foram a Irmandade Muçulmana do Líbano e a Irmandade Muçulmana do Sudão, ambas adicionadas em 2026.
Veja:
- Hamas (1997)
- Hezbollah (1997)
- Frente de Libertação da Palestina (1997)
- Jihad Islâmica Palestina (1997)
- Frente Popular para a Libertação da Palestina (1997)
- Comando-Geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina (1997)
- Partido/Frente Revolucionária de Libertação do Povo (1997)
- Sendero Luminoso (1997)
- Grupo Abu Sayyaf (1997)
- Harakat ul-Mujahidin (1997)
- Partido dos Trabalhadores do Curdistão (1997)
- Tigres de Libertação do Tamil Eelam (1997)
- Exército de Libertação Nacional (1997)
- Al-Qaeda (1999)
- Movimento Islâmico do Uzbequistão (2000)
- Novo Exército Republicano Irlandês (2001)
- Lashkar-e-Taiba (2001)
- Jaish-e-Mohammed (2001)
- Jemaah Islamiya (2002)
- Partido Comunista das Filipinas/Novo Exército do Povo (2002)
- Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (2002)
- Asbat al-Ansar (2002)
- Brigada dos Mártires de Al-Aqsa (2002)
- Lashkar-i-Jhangvi (2003)
- Estado Islâmico (2004)
- Exército Republicano Irlandês da Continuidade (2004)
- Ansar al-Islam (2004)
- União da Jihad Islâmica (2005)
- Al-Shabaab (2008)
- Movimento da Jihad Islâmica em Bangladesh (2008)
- Brigadas do Hezbollah (2009)
- Luta Revolucionária (2009)
- Al-Qaeda na Península Arábica (2010)
- Jaysh al-Adl (2010)
- Tehrik-e Taliban Paquistão (2010)
- Movimento da Jihad Islâmica (2010)
- Exército do Islã (2011)
- Mujahideen Indianos (2011)
- Rede Haqqani (2012)
- Brigadas Abdallah Azzam (2012)
- Jemaah Anshorut Tauhid (2012)
- Ansar al-Dine (2013)
- Boko Haram (2013)
- Ansaru (2013)
- Batalhão Al-Mulathamun (2013)
- Estado Islâmico Província do Sinai (2014)
- Ansar al-Sharia em Benghazi (2014)
- Ansar al-Sharia em Darnah (2014)
- Ansar al-Sharia na Tunísia (2014)
- Exército dos Homens da Ordem Naqshbandi (2015)
- Al-Qaeda no subcontinente indiano (2016)
- Estado Islâmico na Líbia (2016)
- Estado Islâmico Província de Khorasan (2016)
- Hizbul Mujahideen (2017)
- Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (2018)
- Brigadas Al-Ashtar (2018)
- Estado Islâmico no Grande Saara (2018)
- Estado Islâmico na África Ocidental (2018)
- Estado Islâmico nas Filipinas (2018)
- Estado Islâmico em Bangladesh (2018)
- Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (2019)
- Liga dos Justos (2020)
- Movimento dos Braços do Egito (2021)
- Estado Islâmico na República Democrática do Congo (2021)
- Estado Islâmico em Moçambique (2021)
- Segunda Marquetalia (2021)
- Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (2021)
- Cartel de Sinaloa (2025)
- Cartel Jalisco Nova Geração (2025)
- Cartel del Noreste (2025)
- Nova Família Michoacana (2025)
- Cartel do Golfo (2025)
- Cartéis Unidos (2025)
- Tren de Aragua (2025)
- Mara Salvatrucha (2025)
- Ansarallah (2025)
- Viv Ansanm (2025)
- Gran Grif (2025)
- Exército de Libertação do Baluchistão (2025)
- Los Choneros (2025)
- Los Lobos (2025)
- Harakat al-Nujaba (2025)
- Harakat Ansar Allah al-Awfiya (2025)
- Kata’ib Sayyid ul-Shuhada (2025)
- Brigadas Imam Ali (2025)
- Barrio 18 (2025)
- Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional (2025)
- Justiça Proletária Armada (2025)
- Autodefesa Revolucionária de Classe (2025)
- Antifa Leste (2025)
- Cartel de los Soles (2025)
- Clã do Golfo (2025)
- Irmandade Muçulmana do Líbano (2026)
- Irmandade Muçulmana do Sudão (2026)
Até o momento, as ações estão restritas ao PCC e ao CV. Cabe a Rubio, em consulta com o procurador-geral e o secretário do Tesouro, oficializar as classificações.
A avaliação é de que a medida tenha sido aprovada pelo presidente americano, Donald Trump, e discutida entre os principais integrantes do governo antes de ser anunciada.
O presidente americano ainda não se manifestou sobre a decisão envolvendo as facções brasileiras.
Congresso americano pode vetar?
A classificação de Terroristas Globais Especialmente Designados entrou em vigor imediatamente após o anúncio. Não é necessário, portanto, que ela passe pelo Congresso americano.
No caso da inclusão na de Organizações Terroristas Estrangeiras, o Congresso é formalmente notificado e tem sete dias para revisar a decisão, sendo 5 de junho o prazo final. Caso o prazo expire sem bloqueio parlamentar, a classificação é publicada no Diário Oficial do governo americano e entra em vigor.
Mesmo após a designação, o status não é necessariamente permanente.
A organização classificada pode recorrer à Justiça americana no prazo de até 30 dias após a publicação da decisão. O caso é analisado pelo Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia.
Além disso, a lei prevê mecanismos de revisão:
- O próprio grupo pode pedir a revogação da designação após dois anos;
- O governo americano deve revisar o status a cada cinco anos;
- O Congresso ou tribunais também podem determinar a revogação.
Enquanto isso não ocorre, o enquadramento continua produzindo efeitos legais e financeiros, reforçando o isolamento internacional da organização.
Por que o governo brasileiro era contra a medida?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou resistência à decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A principal preocupação do Palácio do Planalto envolve questões de soberania nacional e diferenças entre a legislação brasileira e a americana.
Um dos receios é que, em uma situação extrema, Washington utilize o argumento do combate ao terrorismo para justificar operações em território brasileiro, como já ocorreu em outros países ao longo dos últimos anos.
Hoje, o PCC e o Comando Vermelho são classificados como organizações criminosas pelo governo brasileiro, uma vez que suas atividades estão voltadas principalmente para o tráfico de drogas e outras práticas ilícitas, sem apresentar uma motivação ideológica — critério geralmente exigido para o enquadramento como terrorismo. No último dia 7, Lula se encontrou com Trump na intenção de desarmar essa e outras medidas americanas que impactariam o Brasil.
Após o anúncio de Rubio, o assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência, Celso Amorim, reagiu em nota. Segundo ele, a ação da Casa Branca não pode ser um pretexto para uma intervenção americana sobre o Brasil.
“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou.
Já o governo brasileiro emitiu uma nota em que critica a designação das facções como grupos terroristas. “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores (...). Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”, diz o comunicado.
O Executivo ressaltou que o combate às organizações criminosas “continuará sendo prioridade do Estado brasileiro”.
O que acontece na prática após a designação?
A inclusão de um grupo na lista de terrorismo dos EUA costuma gerar estigmatização internacional e pressão para que outros países adotem medidas semelhantes.
O objetivo é reduzir a capacidade financeira e operacional da organização, dificultando transferências de recursos e parcerias com empresas ou indivíduos.
Esse isolamento também amplia a cooperação internacional no combate ao financiamento do terrorismo.
Flávio Bolsonaro celebrou a medida
A medida vem após a reunião entre o pré-candidato à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Trump, no último dia 26. Após o encontro, o comunicador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, afirmou que a classificação das facções brasileiras como terroristas foi um dos pontos em pauta entre os dois políticos.
Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro celebrou a medida ao compartilhar a publicação de Rubio. Na postagem, o senador escreveu “Grande dia”, expressão que ficou marcada durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro.
Os deputados Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro também republicaram o comunicado e fizeram agradecimentos direcionados a Flávio.
O governo brasileiro, por sua vez, criticou a família do ex-presidente, afirmando, em nota, que “é deplorável que, mais uma vez, integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país".
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