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Morte de líder supremo e mudança de regime: o ataque dos EUA e de Israel ao Irã

Conflito começou no sábado (28) e deve durar vários dias, segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Internacional|Do R7, com Christian Edwards, Karina Tsui, Mitchell McCluskey, CNN Interrnacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os EUA e Israel lançaram um ataque conjunto ao Irã, com o objetivo de destruir suas forças armadas e programa nuclear.
  • A retaliação iraniana incluiu uma onda de ataques em toda a região, visando bases militares dos EUA e outros países.
  • Trump e Netanyahu expressaram suporte a uma mudança de regime no Irã após os ataques, prometendo ajuda ao povo iraniano.
  • Os ataques resultaram em pelo menos 200 mortes e 700 feridos no Irã, com alvos-chave da liderança iraniana sendo atacados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Conflito entre Estados Unidos, Irã e Israel começou neste sábado (28) com ataques coordenados Amir Kholousi/ISNA/WANA via REUTERS - 28.02.2026

Os Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque conjunto contra o Irã no sábado (28), que, segundo o presidente americano Donald Trump, devastaria as forças armadas do país, destruiria seu programa de mísseis e teria como objetivo maior a mudança de regime.

Em um vídeo publicado no Truth Social, Trump acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares” e disse que os EUA “não aguentam mais”.


Diferentemente da última vez em que os EUA e Israel atacaram o Irã, em junho, estes ataques começaram à luz do dia, na manhã de sábado — o primeiro dia da semana no Irã — enquanto milhões de pessoas iam trabalhar ou estudar. E enquanto os ataques americanos em junho terminaram em poucas horas, fontes disseram à CNN Internacional que, desta vez, os militares dos EUA estão planejando ataques para vários dias, o que sugere objetivos mais amplos.

Em resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques sem precedentes em todo o Oriente Médio, visando diversos países que abrigam bases militares americanas. Explosões foram ouvidas desde as praias de Dubai até as ruas de Doha, no que podem ser os primeiros disparos de uma guerra que ameaça engolfar a região.


A extensão dos danos no Irã e em toda a região ainda está sendo avaliada. Aqui está o que sabemos até agora.

Como chegamos a essa situação?

O governo iraniano está sob forte pressão desde o início do ano. Já enfraquecido pela guerra do verão passado com Israel, na qual os EUA entraram brevemente, o regime vem enfrentando uma grave crise econômica que desencadeou protestos em todo o país em janeiro.


Após a repressão que deixou milhares de manifestantes mortos, Trump prometeu ajudá-los. Ele alertou que os EUA estavam “prontos para atacar” e começaram a enviar grandes quantidades de material bélico para a região.

Apesar do reforço militar, os EUA também retomaram os esforços para chegar a um novo acordo nuclear com o Irã. A última rodada de negociações terminou na Suíça na quinta-feira (26), com o Irã concordando em “nunca” estocar urânio enriquecido. O ministro das Relações Exteriores de Omã, que atuou como mediador nas negociações, afirmou que houve progresso “significativo”.


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Por que os EUA atacaram o Irã?

Esse progresso, no entanto, não foi suficiente para impedir os EUA de tomarem medidas militares. Em seu pronunciamento às 2h30 da manhã, Trump afirmou que o principal objetivo dos ataques — que o Departamento de Defesa está chamando de “Operação Fúria Épica” — é “defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano”.

Segundo ele, essas ameaças incluíam o programa nuclear do Irã, que a Casa Branca afirmou ter destruído “totalmente” com os ataques realizados em junho.

“Sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista jamais poderá ter uma arma nuclear”, disse Trump, sem apresentar provas de que o Irã estivesse mais perto de obter uma arma nuclear. “Eles rejeitaram todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares, e não podemos mais tolerar isso.”

Explosão no Irã após mísseis lançados pelos Estados Unidos
Ataque coordenado dos Estados Unidos e de Israel deixa mais de 200 mortos no Irã Stringer/REUTERS - 28.02.2026

O presidente também reiterou suas recentes alegações de que o Irã está construindo mísseis balísticos que poderiam atingir o território continental dos EUA. Em seu discurso sobre o Estado da União na terça-feira (24), Trump disse que o Irã “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e nossas bases no exterior, e eles estão trabalhando para construir mísseis que atingirão em breve os Estados Unidos da América”.

Por que Israel está atacando o Irã?

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu considera o Irã o adversário mais perigoso de Israel. Após enfraquecer os grupos apoiados pelo Irã — o Hamas em Gaza e o Hezbollah no Líbano —, Israel lançou uma guerra contra o próprio Irã no verão passado.

Embora Israel tenha interrompido o conflito após os EUA atacarem as instalações nucleares do Irã, analistas já suspeitavam há tempos que Netanyahu aproveitaria a oportunidade para retomar os ataques contra o Irã. Com as eleições marcadas para outubro, Netanyahu também pode ver o retorno à guerra como uma chance de consolidar sua posição internamente.

Em uma declaração em vídeo divulgada no sábado (28), explicando por que Israel estava retomando seus ataques ao Irã, Netanyahu também reiterou sua afirmação de que o regime islâmico não deve ter permissão para adquirir uma arma nuclear.

Os EUA e Israel estão buscando uma mudança de regime?

Em suas declarações, tanto Trump quanto Netanyahu deixaram claras suas esperanças de uma mudança de regime no Irã.

Trump dirigiu-se diretamente ao povo iraniano, dizendo-lhes que “a hora da sua liberdade está próxima”.

“Quando terminarmos, assumam o governo. Ele será de vocês. Esta será, provavelmente, a única chance que terão por gerações”, disse ele.

Netanyahu também apelou a “todos os segmentos do povo iraniano” para que “se libertem do jugo da tirania e construam um Irã livre e pacífico”. Ele afirmou que as ações dos EUA e de Israel “criarão as condições para que o corajoso povo iraniano tome as rédeas do seu destino”.

Um oficial militar israelense, no entanto, enfatizou que o foco principal da operação continua sendo alvos militares.

Ataques mataram pelo menos 200 pessoas e deixaram mais de 700 feridas Pleiades Neo (c) Airbus DS/Divulgação via Reuters - 28.02.2026

O que foi atingido?

Explosões foram ouvidas no distrito de Pasteur, em Teerã, onde fica o complexo altamente seguro que abriga a residência e o escritório do Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, segundo veículos de imprensa estatais iranianos. Várias outras cidades foram atingidas.

Duas fontes israelenses disseram à CNN que os ataques tiveram como alvo figuras importantes, incluindo Khamenei, o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi.

Imagens feitas após os ataques mostraram danos severos e uma coluna de fumaça preta no complexo de Khamenei.

A mídia estatal iraniana afirmou que altos funcionários estavam em segurança, incluindo Pezeshkian, mas os alvos sugerem que Israel busca decapitar a liderança iraniana.

Os ataques mataram pelo menos 200 pessoas e deixaram mais de 700 feridas em todo o Irã, informou a mídia estatal.

Entre os mortos estão 85 pessoas que faleceram após um ataque a uma escola feminina no sul do Irã, segundo a agência de notícias estatal IRNA, que citou o promotor da cidade de Minab, onde a escola estava localizada.

Israel está se preparando para vários dias de ataques contra o Irã e “ainda mais, se necessário”, disse uma fonte israelense à CNN Internacional.

Qual foi a resposta do Irã?

O Irã retaliou com uma onda sem precedentes de ataques em todo o Oriente Médio, visando diversos países vizinhos que abrigam bases militares dos EUA, bem como Israel.

Quando os EUA e Israel atacaram o Irã pela última vez, em junho, alvejaram seu arsenal de mísseis balísticos, prejudicando sua capacidade de retaliação. O Irã pode estar tentando usar seu arsenal enquanto ainda o possui.

Explosões foram relatadas nos Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Catar e Bahrein, bem como na Arábia Saudita, principal rival regional do Irã, que prometeu tomar “todas as medidas necessárias” para se defender.

Um ataque com drone causou danos e ferimentos leves no Aeroporto Internacional do Kuwait.

O Catar e a Jordânia interceptaram mísseis que tinham como alvo seus países. Uma pessoa teria morrido atingida por destroços após as defesas aéreas interceptarem mísseis que visavam alvos em Abu Dhabi.

Um drone Shahed iraniano atingiu uma área densamente povoada de Dubai, causando uma grande explosão e um incêndio.

Os confrontos interromperam o tráfego no Estreito de Ormuz — uma rota marítima crucial localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.

Os Estados Unidos não sofreram baixas relacionadas a combates em sua operação contra o Irã e os danos às instalações militares americanas foram mínimos, afirmou o Comando Central dos EUA em um comunicado.

Autoridades iranianas condenam ataques

Autoridades iranianas condenaram os ataques conjuntos entre EUA e Israel como um ato de agressão. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, descreveu o ataque como não provocado e ilegal.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse à CNN que o Irã considera o ataque um “ato de agressão flagrante e sem qualquer motivo”.

Baghaei acusou o governo Trump de ter sido “arrastado” para um conflito no qual “o único beneficiário” seria Israel.

O porta-voz também defendeu os ataques retaliatórios do Irã em toda a região como parte de seu “direito inerente e legítimo de autodefesa”.

O Irã “não acolheu bem esta guerra — ela nos foi imposta”, disse Baghaei.

Ali Khamenei morreu aos 86 anos WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via Reuters - 09.02.2026

Morte de Ali Khamenei, líder supremo do Irã

Segundo duas fontes familiarizadas com as operações militares de Israel e uma fonte regional, o ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, foram mortos em ataques israelenses no sábado.

Uma fonte próxima ao governo afirmou que vários comandantes de alto escalão da Guarda Revolucionária do Irã e autoridades políticas foram mortos, além de Nasirzadeh e Pakpour.

Minutos depois dos ataques coordenados de Estados Unidos e de Israel, Benjamin Netanyahu fez um pronunciamento à população israelense, no qual afirmou haver indícios de que o líder do Irã, Ali Khamenei, “não está mais entre nós”. No mesmo discurso, o primeiro-ministro declarou que vai assumir a liderança direta da guerra.

Horas depois da declaração de Netanyahu, foi a vez de Trump usar as redes sociais para dizer que o líder supremo estava morto. O presidente afirmou que Khamenei e outros líderes iranianos foram incapazes de escapar da inteligência e de “sofisticados sistemas de rastreio” norte-americanos.

Trump disse ainda esperar que a Guarda Revolucionária e a polícia se juntem aos “patriotas iranianos”, e que eles possam trabalhar juntos para restaurar o país.

No fim da noite de sábado (28), no horário de Brasília, a mídia estatal iraniana confirmou a morte de Khamenei. Segundo a agência de notícias Fars, Khamenei foi morto em seu escritório enquanto “cumpria suas funções”.

Ainda de acordo com a publicação, o governo iraniano decretou luto de 40 dias, além de sete dias de feriados nacionais.

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