Nova ponte entre a Coreia do Norte e a China finalmente é inaugurada; ela ajudará Pyongyang a fugir das sanções?
Estrutura, inaugurada em um período de aproximação entre os países, será responsável por cerca de 70% do comércio bilateral
Internacional|Gage Goulding e Yoonjung Seo, da CNN Internacional
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A ultraisolada Coreia do Norte tem uma nova ponte para o mundo exterior.
É uma rodovia de quatro faixas que leva à sua aliada próxima e principal parceira comercial, a China, e sua inauguração nesta quinta-feira (15) marca a mais recente reaproximação com Pequim. Especialistas temem que isso também possa facilitar para Pyongyang burlar as sanções sobre seu programa nuclear ilegal.
A Nova Ponte do Rio Yalu, de quase 3,2 quilômetros, liga a cidade fronteiriça chinesa de Dandong a Sinuiju, na Coreia do Norte.
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A construção foi concluída em 2014, mas a ponte permaneceu sem uso por anos porque as vias de conexão e as instalações de fronteira no lado norte-coreano estavam inacabadas.
Imagens de satélite do início deste mês mostraram veículos na ponte que conecta Dandong e Sinuiju, que se acredita serem responsáveis por cerca de 70% do comércio bilateral, e na quinta-feira uma cerimônia de inauguração viu caminhões decorados com bandeiras nacionais fazendo a viagem sobre o rio.
A antiga Ponte da Amizade Sino-Coreana, também localizada em Dandong e construída em 1937, tradicionalmente serviu como a principal travessia entre os dois países.
Mas, com apenas uma faixa, ela consegue acomodar o tráfego em apenas uma direção por vez.
A inauguração, há muito adiada, segue um período de melhoria nas relações entre Pequim e Pyongyang, incluindo a reabertura de uma conexão ferroviária em março e a visita do líder chinês Xi Jinping a Pyongyang em junho para uma cúpula com o líder norte-coreano Kim Jong-un.
Essa cúpula indicou uma restauração dos laços entre os dois estados comunistas depois que eles se tornaram mais distantes nos últimos anos, à medida que a Coreia do Norte se aproximava da Rússia, dizem analistas.
A ponte oferece uma oportunidade para a China e a Coreia do Norte demonstrarem a restauração de seu relacionamento e seu alinhamento estratégico à comunidade internacional, disse Lim Eul-chul, professor de estudos norte-coreanos da Universidade de Kyungnam, na Coreia do Sul, à CNN Internacional.
A China ainda é responsável por cerca de 95% do comércio oficial total da Coreia do Norte, e o governo sul-coreano relatou 17 ligações ferroviárias e de veículos conectando a China e a Coreia do Norte, de acordo com a AP.
No mês passado, a Coreia do Norte inaugurou a primeira ponte rodoviária ligando-a à Rússia.
Antes da inauguração, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse: a ponte “promoverá ainda mais as trocas econômicas e comerciais e as trocas interpessoais entre os dois países, e melhorará o bem-estar de seus povos”.
Alguns analistas temem que ela também ajude o país mais sancionado do mundo a evitar as proibições de exportação de suas matérias-primas e outros bens.
Lim, da Universidade de Kyungnam, disse que a Coreia do Norte poderia usar a travessia como um portão de entrada controlado pelo governo para contornar as sanções da ONU (Organização das Nações Unidas).
E o quanto a China está disposta a concordar com isso depende parcialmente das relações com os Estados Unidos, disse Yang Mu-jin, professor da Universidade de Estudos Norte-Coreanos em Seul,
“Como as relações entre Washington e Pequim se tornaram tensas, a China tendeu a adotar uma abordagem mais passiva na aplicação das sanções”, disse Yang.
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