O que é a ‘diplomacia do panda’, que a China voltou a usar com os EUA?
Presidente chinês, Xi Jinping, anunciou que dois animais serão enviados ao zoológico de Atlanta, no estado da Geórgia
Internacional|Do R7
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A China voltou a recorrer a um de seus símbolos mais conhecidos de aproximação internacional. Durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (24), o presidente chinês, Xi Jinping, anunciou que dois pandas-gigantes serão enviados nos próximos dias ao zoológico de Atlanta, no estado da Geórgia.
A chegada de Ping Ping e Fu Shuang ocorre em um momento de tentativa de estabilização da relação entre Pequim e Washington, marcada por divergências em áreas como comércio, tecnologia e questões envolvendo Taiwan. Mais do que uma atração para visitantes de zoológicos, porém, os animais carregam uma longa tradição diplomática chinesa.
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A prática ficou conhecida como “diplomacia dos pandas” e consiste no uso dos animais como instrumento simbólico de aproximação entre a China e outros países. Ao longo de décadas, Pequim enviou pandas ao exterior em períodos de fortalecimento de relações políticas e econômicas.
Em outros momentos, a retirada ou o não envio dos animais também serviu como demonstração de descontentamento. Um exemplo disso ocorreu em 2010, quando Pequim determinou o retorno de dois pandas nascidos nos Estados Unidos, Tai Shan e Mei Lan. A decisão aconteceu após o governo chinês manifestar oposição a uma reunião entre o então presidente americano Barack Obama e o Dalai Lama.
Tradição que vem dos anos 1940
A relação entre os animais e a política externa chinesa ganhou força depois da fundação da República Popular da China, em 1949. Durante os primeiros anos, Pequim utilizava os pandas como presentes oferecidos a governos estrangeiros para marcar relações de amizade e o fortalecimento das relações bilaterais.
Um dos episódios ocorreu em 1957, quando a União Soviética recebeu um panda em uma iniciativa associada às relações entre os dois países. Nos anos seguintes, outros animais foram enviados a países aliados, incluindo a Coreia do Norte.
Mas foi na década de 1970 que a prática ganhou uma dimensão internacional. Em 1972, Pequim presenteou o governo americano com dois pandas: Ling Ling e Hsing Hsing. Os animais chegaram ao país depois da visita do então presidente americano Richard Nixon à China, que marcou uma mudança significativa na relação entre as duas potências.
O episódio ajudou a consolidar a imagem dos pandas como representantes de uma política de aproximação. Depois dos Estados Unidos, países como Japão, França, Reino Unido e Espanha também receberam animais chineses.
Os pandas-gigantes são encontrados naturalmente na China e ocupam um lugar especial na cultura e na identidade do país. A espécie também passou a ser associada à imagem internacional de Pequim, funcionando como um símbolo de simpatia e cooperação.
A escolha não é apenas cultural. Os animais são extremamente populares entre o público e atraem visitantes aos zoológicos que os recebem. Por isso, a chegada de pandas costuma despertar grande interesse e pode representar uma importante atração turística para essas instituições.
De presente a empréstimo
Com a redução da população de pandas, a China, a partir de 1984, deixou de entregar os animais de forma definitiva e passou a estabelecer acordos de empréstimo.
O modelo normalmente envolve o envio de um casal por um período determinado, que costuma ser de dez anos. O zoológico estrangeiro paga uma taxa anual à China, que pode chegar a aproximadamente US$ 1 milhão, aproximadamente R$ 5,1 milhões.
Os animais continuam vinculados à China durante o período. Quando o contrato termina, os pandas geralmente retornam ao país asiático, inclusive os filhotes que nascem no exterior. Nesse caso, eles costumam ser enviados para a China quando atingem entre 2 e 4 anos.
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