O que é ‘vômito do mar’, ameaça à natureza que foi localizada por uma cadela com faro especial
Especialistas acreditam que a espécie seja originária do Japão e tenha chegado à Europa por meio do transporte marítimo
Internacional|Do R7
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Uma labradora de seis anos recebeu o prêmio de Animal do Ano de 2026 por ajudar a localizar uma espécie marinha invasora que ameaça a biodiversidade e atividades econômicas no litoral europeu. Chamada Sgiath, a cadela foi treinada para identificar pelo cheiro a ascídia-tapete (Didemnum vexillum), organismo conhecido popularmente como “vômito do mar”.
A ascídia-tapete representa uma ameaça ambiental porque cresce sobre superfícies e pode formar extensas camadas que sufocam organismos nativos. A espécie também coloniza estruturas utilizadas na atividade marítima, como instalações de criação de ostras, além de prejudicar equipamentos e áreas de pesca.
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Apesar do apelido, a ascídia-tapete não é uma substância expelida por animais, mas um organismo marinho invertebrado que vive em colônias. Sua aparência pode variar entre tons de laranja, amarelo e creme, com uma textura semelhante a uma camada de lodo.
Especialistas acreditam que a espécie seja originária do Japão e tenha chegado ao Reino Unido por meio do transporte marítimo. De acordo com a BBC, ela foi registrada no litoral sul da Inglaterra e no País de Gales em 2008 e, desde então, se espalhou por diferentes áreas costeiras britânicas.
A reprodução é favorecida pelas temperaturas mais elevadas, o que gera preocupação diante do aquecimento dos oceanos. O avanço da espécie pode comprometer habitats naturais e provocar prejuízos à aquicultura e à infraestrutura marítima.
O biólogo marinho Martyn Kurr, da Universidade de Bangor, explicou à BBC que organismos invasores podem disputar nutrientes com espécies nativas e se acumular em instalações de aquicultura, estruturas marítimas e equipamentos, como hélices de barcos.

Como uma labradora ajuda a combater a espécie invasora
O trabalho de Sgiath oferece uma alternativa para localizar os organismos com mais rapidez. Ao indicar os pontos em que a espécie está presente, a cadela ajuda equipes de conservação a identificar áreas que precisam ser examinadas e tratadas antes que as colônias se espalhem ainda mais.
A habilidade da cadela permite encontrar colônias do organismo que podem passar despercebidas em meio a algas e outras estruturas submersas. Segundo a BBC, Sgiath já localizou centenas de colônias durante o trabalho realizado com sua tutora, a ecologista marinha Texa Sim, nas águas costeiras da Escócia.
O prêmio de Animal do Ano de 2026 foi concedido pelo Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW) em 15 de outubro.
Para o IFAW, o trabalho de Sgiath demonstra como cães treinados podem contribuir para enfrentar desafios ambientais que exigem novas formas de detecção.
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