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O que está por trás do referendo no Equador? Veja propostas em jogo nas urnas neste domingo

Eleitores votam propostas que vão de bases militares estrangeiras à convocação de uma Constituinte, em meio a crise de violência

Internacional|Do R7

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Equador, do presidente Noboa, vai às urnas para decidir vários assuntos Eduardo Santillán/Presidencia de la República - 25.03.2024

O Equador retorna às urnas neste domingo (16) para um novo referendo e uma consulta popular em meio a forte polarização e aumento da violência.

As propostas submetidas à população incluem autorização para instalação de bases militares estrangeiras, revisão do financiamento estatal aos partidos, redução do número de parlamentares e convocação de uma Assembleia Constituinte.

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O presidente Daniel Noboa aposta no pacote como resposta à crise de segurança que pressiona o país e consome recursos públicos.

Cerca de 13,9 milhões de cidadãos estão aptos a votar. A cédula elaborada pelo Conselho Nacional Eleitoral reúne quatro perguntas, três delas exigindo emendas constitucionais.

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Caso obtenha vitória nas urnas, Noboa ainda dependerá de procedimentos adicionais, supervisionados pelo Tribunal Constitucional, para implementar cada mudança.

Bases militares estrangeiras

A primeira pergunta trata da eliminação da proibição, vigente desde 2008, de instalação de bases ou estruturas militares estrangeiras no país. O governo vê a medida como instrumento central para enfrentar o crime organizado, que ampliou sua presença territorial nos últimos anos.

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A discussão ocorre em momento crítico. A Polícia Nacional informou à CNN que 2025 tende a ser o ano mais violento da história do Equador, com mais de 7 mil homicídios registrados até agora.

O mais recente relatório do International Crisis Group aponta que a militarização das ruas e das prisões não reduziu o fluxo de drogas que sai dos portos equatorianos nem conteve disputas territoriais entre grupos criminosos.

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Se a proposta for aprovada, Equador e eventuais países parceiros — entre eles, os Estados Unidos — terão de submeter acordos internos para permitir presença militar estrangeira em bases permanentes.

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Fim do repasse estatal aos partidos

A segunda pergunta aborda o Fundo Permanente de Partidos, verba destinada a ações de formação e pesquisa de organizações políticas. O mecanismo existe há anos e atende legendas que alcançam determinados critérios de representatividade.

Para Jorge Tapia, da Fundação Cidadania e Desenvolvimento, “há um grande problema com o uso de recursos públicos”, pois relatórios contábeis costumam apresentar inconsistências.

Já o ex-presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, Carlos Aguinaga, avalia que “a democracia exige financiamento” e alerta para desequilíbrios caso os partidos tenham de depender apenas de doadores privados.

O Fundo de Promoção Eleitoral, destinado às campanhas, será mantido mesmo se a reforma passar.

Redução do número de parlamentares

A terceira pergunta propõe uma redução expressiva no tamanho da Assembleia: de 151 para 73 integrantes, segundo cálculo aprovado pelo Tribunal Constitucional. O debate gira em torno do impacto real da mudança.

Para o cientista político Santiago Basabe, a redução “seria um golpe muito sério para a já fragilizada democracia equatoriana”.

Segundo ele, a qualidade da atuação parlamentar não melhora com menos representantes. Noboa e aliados defendem argumento oposto: menor custo e maior eficiência legislativa.

Convocação de uma Assembleia Constituinte

Considerada por analistas a proposta mais sensível, a convocação de uma Constituinte permitiria reescrever a estrutura do Estado e revisar temas como previdência, atribuições do Tribunal Constitucional e estratégias de combate ao crime.

A nova assembleia teria 80 representantes, eleitos em pleito próprio. Qualquer novo texto constitucional só entraria em vigor após aprovação em referendo. Para críticos, o processo pode abrir espaço para concentração de poder no Executivo. Para apoiadores, representaria uma saída para reordenar instituições em meio ao colapso da segurança pública.

Se o referendo aprovar a proposta, o país retornará às urnas duas vezes: para eleger constituintes e para validar ou rejeitar a nova Constituição. A previsão de especialistas é de pelo menos um ano de duração para todo o processo.

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