Palestina avisa que não entrará na história por 'vender Jerusalém'

O presidente da palestina se pronunciou durante sessão extraordinária da Liga Árabe para discutir o plano de paz apresentado por Trump

Alaa Badarneh / EPA - EFE - 28.01.2020

Durante sessão extraordinária da Liga Árabe para discutir o plano de paz apresentado pelo presidente Donald Trump, Mahmoud Abbas, presidente da Palestina, disse neste sábado (1) que nunca aceitará tal solução e não entrará na história por "vender Jerusalém" como a capital de Israel.

No início da reunião, na sede da Liga Árabe, no Cairo, Abbas disse: "Não vou gravar (meu nome) na minha história e na do meu país como aquele que vendeu Jerusalém, porque Jerusalém não é minha, mas de todos".

No plano de paz elaborado pela Casa Branca, a Cidade Santa é reconhecida como a capital unida de Israel, embora Trump tenha explicado que os palestinos poderão estabelecer a capital de seu futuro estado na periferia oriental da cidade, algo que foi rejeitado categoricamente por Abbas.

O presidente palestino alertou hoje que o plano apenas lhes concede a área de Abu Dis, um bairro deprimido de Jerusalém Oriental, e não toda a parte oriental da cidade, ocupada em 1967 e anexada em 1980 por Israel. Abbas afirmou que os territórios de um futuro estado palestino, como prevê o plano de Trump, representam apenas 22% da "histórica Palestina".

Ele disse aos ministros das Relações Exteriores dos países membros da organização que se recusou a receber uma cópia do plano de paz e a atender um telefonema de Trump.

O presidente da Palestina também lamentou que, desde que Washington começou a mediar entre palestinos e israelenses, não tenha havido progresso em direção a uma solução negociada. Disse que ele próprio se encontrou com Trump quatro vezes, mas "essas reuniões não produziram resultados".

Na sessão de hoje, Abbas expôs a conhecida posição dos líderes palestinos no plano de paz e espera-se que a Liga Árabe tente chegar a um consenso entre seus 22 membros, alguns dos quais valorizaram positivamente a proposta dos EUA.