Papa Francisco está cercado por polêmicas e denúncias envolvendo a ditadura militar na Argentina
Jorge Mario Bergoglio vai utilizar o nome de papa Francisco durante seu pontificado
Internacional|Do R7, com agências internacionais

O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, escolhido nesta quarta-feira (13) para ser o novo líder da Igreja Católica, chega ao cargo máximo do Vaticano cercado de polêmicas, como a crítica ao casamento gay em seu país, além de ter seu nome vinculado a crimes cometidos durante a ditadura militar na Argentina.
O agora papa Francisco, sucessor de Bento 16, foi denunciado em 2005 pela Justiça argentina por ter se envolvido no sequestro de dois missionários jesuítas em 23 de maio de 1976, durante a ditadura no país (1976-83).
De acordo com a denúncia feita pelo advogado e dirigente de organizações defensoras dos direitos humanos Marcelo Parrilli, o cardeal Bergoglio teria colaborado com os militares argentinos na perseguição e sequestro de dois religiosos, Francisco Jalics e Orlando Yorio, que trabalhavam sob seu comando na Companhia de Jesus.
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Segundo a acusação, Bergoglio lhes retirou a proteção de sua ordem religiosa, depois que eles se negaram a interromper visitas que faziam a favelas.
Estes dois sacerdotes supostamente teriam envolvimento com movimentos de esquerda na Argentina e, por isso, se tornaram alvos da ditadura militar do país. Detidos clandestinamente, ambos os padres sobreviveram a uma prisão de cinco meses.
Na ocasião em que foi feita a denúncia, em 2005, o advogado Parrilli pediu ao juiz Norberto Oyarbide que fosse investigada a atuação de Bergoglio quando Jalics e Yorio desapareceram por cinco meses em 1976.
Os defensores de Bergoglio dizem que não há provas contra ele e que, ao contrário, ele ajudou muitos a escapar das Forças Armadas durante os anos de chumbo.
Roubo de bebês
Uma acusação ainda mais negativa paira sobre o novo papa. Em maio de 2011, o Ministério Público argentino e a organização Avós da Praça de Maio pediram que Bergoglio fosse convocado para depor ante um tribunal que julgava o suposto plano da ditadura militar argentina de sequestrar os bebês nascidos dentro de prisões clandestinas.
Segundo reportagem de 2 de maio de 2011 do jornal argentino El Día, a acusação indica que o cardeal Bergoglio estaria envolvido no nascimento e sequestro da neta de uma das fundadoras e primeira presidente da organização, Alicia “Licha” de la Cuadra, que morreu em 2008 aos 93 anos.
A filha de Alicia, Elena de la Cuadra, segue desparecida desde 1977. Em 16 de junho daquele ano, presa em uma prisão clandestina, ela deu à luz uma menina chamada “Ana”, que teria sido sequestrada pelos militares argentinos.
Em 2011, durante o julgamento, uma outra filha de Alicia, Estela de la Cuadra, apresentou ao tribunal diversas cartas que seu pai tinha enviado a Bergoglio pedindo-lhe ajuda para encontrar Elena e Ana.
Segundo o periódico argentino Página 12, Estela perguntou ao tribunal : “Como é que Bergoglio diz que faz só dez anos que ele sabe do roube de bebês? Por que não convocam [para depor]?”
Para Elena, a troca de cartas com seu pai mostra que Bergoglio já sabia do caso fazia muito tempo.
Polêmicas
O cardeal é considerado da ala "moderada" da igreja latino-americana. No entanto, sua relação com o governo argentino de Néstor e, em seguida, Cristina Kirchner, foi marcada por críticas duras.
O ex-presidente Néstor Kirchner chegou a classificar o cardeal como um "expoente da oposição".
A presidente Cristina Kirchner procurou uma reaproximação com a igreja e a diminuição das tensões com o cardeal, mas ambos se enfrentaram em 2010, quando tramitava no Congresso um projeto de lei que permitia o casamento de pessoas do mesmo sexo.
Bergoglio, segundo o jornal La Nación, caminhou diante de uma manifestação contra o casamento gay e enviou uma carta a todos os sacerdotes, pedindo que se falasse em todas as missas sobre o "bem inalterável do matrimônio e da família".
Na época, o cardeal disse que o projeto de lei era "um ataque destrutivo aos planos de Deus".
Em abril de 2010, uma investigação do jornal argentino Página 12 publicou cinco depoimentos que o apontavam como colaborador da repressão durante os governos militares na argentina.
A informação parecia haver sepultado sua possibilidade real de se tornar papa.
Hoje, no entanto, os cardeais surpreenderam o mundo ao escolher Bergoglio para o cargo.
O argentino adotará o nome Francisco durante seu pontificado.
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