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Partido desautoriza primeiro-ministro a formar Governo tecnocrata na Tunísia

Internacional|Do R7

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Miguel Albarracín. Túnis, 7 fev (EFE).- O partido governamental Al-Nahda rejeitou nesta quinta-feira a proposta lançada pelo primeiro-ministro e dirigente desta formação islamita, Hamadi Jabali, de formar um Governo tecnocrata para tirar a Tunísia da crise na qual está imersa. Além disso, o principal sindicato do país, a União Geral de Trabalhadores Tunisianos (UGTT), convocou uma greve geral para amanhã, dia no qual está previsto o enterro do dirigente opositor Chukri Bel Aid, assassinado nesta quarta-feira. "Al-Nahda tem meios para sair da crise", disse à Agência Efe Faiçal Nasser, diretor do departamento de comunicação deste partido que lidera a aliança governista, explicando que a formação está estudando a opção de substituir Jabali se este não se retificar. Jabali, em resposta à onda de protestos que explodiu ontem em todo o país após o assassinato de Bel Aid, prometeu em discurso à nação a criação de um Governo tecnocrata cuja missão seria realizar eleições no menor tempo possível. "O movimento Al-Nahda não está de acordo com a postura tomada pelo presidente do Governo", reforçou por sua parte Abdelhamid Yalasi, vice-presidente do partido, majoritário na Assembleia Constituinte, em declarações a uma rádio nacional e divulgadas também pelo site da formação. Segundo os líderes de Al-Nahda, Jabali tomou dita decisão sem consultar nem seu partido nem com seus parceiros de Governo, o Congresso pela República (CPR) do presidente do país, Monsef Marzuki, e o Takatol, do presidente do Parlamento, Mustafa Ben Yafaar. O dirigente do partido também comentou que Al-Nahda continua em negociações com seus parceiros de Governo para estudar uma possível mudança ministerial e ressaltou que o líder do agrupamento, Rachid Ganuchi, está aberto à formação de um Governo de união nacional. Por sua parte, Abdelhamid Yalasi se mostrou convencido que "o país ainda necessita um Governo que inclua personalidades políticas e de coalizão e que realize sua função sobre uma base política". Esta nova crise no seio do partido majoritário se soma à já existente entre os parceiros do Governo, já que tanto o CPR como o Takatol estão pedindo há muito tempo reformas no Executivo e maiores prerrogativas. Enquanto as manifestações espontâneas para pedir a renúncia do Executivo se repetiram pelo segundo dia consecutivo em várias localidades do país, começando pela capital Túnis, onde as forças antidistúrbios voltaram a enfrentar milhares de jovens, e o sindicato majoritário convocou uma greve geral para amanhã. A UGTT se uniu hoje à convocação lançada ontem pelos principais partidos da oposição de realizar uma greve geral coincidindo com o enterro de Bel Aid, programado para amanhã. O secretário-geral da UGTT, Hussein Absi, assegurou que esta decisão foi tomada após estudar "o caminho perigoso no qual entrou o país após a morte do ativista político Chukri Bel Aid" e que, segundo disse, ameaça empurrá-lo rumo a uma "guerra civil". Absi, que recebeu uma ameaça de morte após o anúncio da convocação, segundo informaram à Efe fontes de seu sindicato, advertiu que a morte de Bel Aid "abre a via ao assassinato de políticos em uma tentativa de silenciar o espírito civil livre". A UGTT responsabilizou o "Governo de transição pela propagação da violência política e social, de encobrir os criminosos e de não perseguir os crimes contra o grupo, os partidos e a sociedade civil". Desde que começou a transição após a queda do presidente Zin el Abidine Ben Ali, em 14 de janeiro de 2011, foram registrados episódios intermitentes de violência contra políticos, sindicalistas, artistas e jornalistas. A oposição culpa por esses surtos de violência as denominadas Ligas para a Proteção da Revolução, compostas por simpatizantes do partido governamental e salafistas, cuja dissolução a UGTT voltou a pedir hoje. EFE ma-jfu/rsd (foto)

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