Patriota deixa cargo de ministro após fuga de senador boliviano
Internacional|Do R7
Brasília, 26 ago (EFE).- A presidente Dilma Rousseff aceitou nesta segunda-feira o pedido de demissão do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, depois da fuga do senador boliviano Roger Pinto ao Brasil, o que provocou uma tensão diplomática entre os dois países. A saída de Patriota foi confirmada pelo porta-voz da Presidência, Thomas Traumann. Segundo nota divulgada no Blog do Planalto, Dilma indicou para o cargo o representante do Brasil junto às Nações Unidas em Nova York, embaixador Luiz Alberto Figueiredo. Na nota, Dilma "agradeceu a dedicação e o empenho do ministro Patriota nos mais de dois anos em que permaneceu no cargo e anunciou a sua indicação para a Missão do Brasil na ONU". Segundo fontes oficiais, Patriota comunicou sua decisão à presidente durante uma reunião realizada hoje que durou pouco menos de uma hora e na qual foi analisada a tensão com a Bolívia pela fuga do senador Roger Pinto, que chegou ao Brasil neste fim de semana com a cumplicidade de diplomatas e parlamentares brasileiros. Pinto, um opositor do governo de Evo Morales, estava hospedado na embaixada brasileira em La Paz desde 28 de maio de 2012. Ao apresentar-se na embaixada, ele alegou que era vítima de uma "perseguição" do governo boliviano e, dez dias depois, recebeu do Brasil o status de asilado político, mas La Paz nunca emitiu o salvo-conduto do qual ele precisava para deixar seu país. Segundo o governo boliviano, o salvo-conduto não podia ser aprovado pois o senador responde a diversos processos na justiça, a maioria por corrupção, e inclusive foi condenado em um deles a um ano de prisão. Na sexta-feira passada, Pinto foi levado em um carro oficial da embaixada e escoltado por soldados brasileiros até a cidade de Corumbá, no lado brasileiro da fronteira. Ele foi recebido por agentes da Polícia Federal e viajou rumo a Brasília em um avião privado fretado pelo senador Ricardo Ferraço, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que admitiu que tinha intercedido perante o pessoal diplomático em La Paz para que colaborasse com sua saída do país andino. O Ministério das Relações Exteriores disse que só soube da saída de Pinto no último sábado e decidiu investigar o assunto. O Itamaraty também garantiu que serão tomadas "as medidas administrativas e disciplinares cabíveis", parecendo admitir que houve alguma irregularidade na saída do senador, e convocou para consultas o encarregado de negócios em La Paz, ministro Eduardo Saboia. Este funcionário chegou hoje a Brasília e, no aeroporto, reconheceu que facilitou a fuga do senador por razões humanitárias. "Tomei a decisão porque havia um risco iminente para sua vida e uma ameaça à dignidade de uma pessoa", declarou a jornalistas o diplomata. "Optei pela vida. Optei por proteger uma pessoa, um perseguido político, como a presidente Dilma (Rousseff) foi perseguida" durante a ditadura, acrescentou Saboia. O governo boliviano exigiu "explicações" do Brasil pela "fuga" do senador, a quem qualificou como "foragido". EFE ed/id












