Por que Alberta, província mais rica do Canadá, pode se separar do país? Entenda
Eleitores vão hoje às urnas para opinar sobre processo de independência; separatistas afirmam que políticas ambientais prejudicam a indústria local
Internacional|Do Estadão Conteúdo
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Os eleitores de Alberta, no oeste do Canadá, vão às urnas nesta segunda-feira (19) para decidir se iniciam um processo que pode resultar na independência da província.
Alberta tem mais de 5 milhões de habitantes e o maior PIB (Produto Interno Bruto) per capita entre as províncias canadenses.
Segundo dados do governo provincial, em 2025, o indicador ficou em 71.545 dólares canadenses por habitante.
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A província também é a maior produtora de petróleo e gás natural do Canadá. O AER (Regulador de Energia de Alberta) afirmou, em um relatório publicado no mês passado, que Alberta foi responsável por 84% da produção canadense de petróleo equivalente e por 60% da produção de gás natural em 2025.
Segundo a agência, a produção de petróleo bruto e equivalentes chegou a 4,4 milhões de barris por dia.
Os movimentos separatistas afirmam que Alberta contribui mais para a economia canadense do que recebe em troca e que as políticas ambientais do governo federal restringem a indústria petrolífera.
Segundo a organização Projeto Prosperidade de Alberta (APP, na sigla em inglês), que defende a independência da província, o movimento separatista começou na década de 1970, após o então primeiro-ministro do Canadá, Pierre Trudeau, adotar medidas que desagradaram parte da população, especialmente no setor petrolífero.
A APP afirmou que, na época, os separatistas defendiam que “Alberta estava subsidiando as províncias centrais ao receber um valor muito inferior ao preço internacional pelo seu petróleo”.
Segundo a organização, o movimento cresceu principalmente após o lançamento do Programa Nacional de Energia, que ampliou o controle do governo federal sobre o setor de petróleo e gás natural nos anos 1980.
No entanto, nas décadas seguintes, o movimento perdeu força, e parte de suas pautas foi incorporada por políticos conservadores.
A ideia de separação voltou a ganhar espaço na província na última década, durante o governo de Justin Trudeau, filho de Pierre, que foi primeiro-ministro canadense entre 2015 e 2025.
“Assim como Pierre Trudeau foi considerado o pai do separatismo em Alberta, seu filho se tornou o estopim para reacender o movimento”, disse a APP. A organização defende que Alberta tem condições de se sustentar e prosperar sozinha.
Os cidadãos contrários à independência, por sua vez, discordam. Entre os fatores apontados como negativos estão os riscos econômicos, com possíveis impactos sobre empregos, pensões e serviços públicos.
A Federação do Trabalho de Alberta afirmou em um relatório divulgado em agosto que a separação exporia Alberta a “uma recessão severa, fuga de capitais, queda dos investimentos, interrupções no comércio, perda massiva de empregos, maior redução dos salários e custos exorbitantes para construir as instituições de um novo país”.
A votação desta segunda-feira não decide diretamente sobre a independência. Ao todo, os eleitores responderão a 10 perguntas que também abordam temas como imigração e possíveis alterações constitucionais.
A última pergunta é sobre a possibilidade do governo provincial iniciar os trâmites legais necessários para realizar uma votação futura sobre a separação. Os eleitores terão duas opções de resposta:
- “Alberta deve continuar sendo uma província do Canadá.”
- “O governo de Alberta deve iniciar o processo legal exigido pela Constituição canadense para realizar um referendo provincial vinculante sobre a separação de Alberta do Canadá.”
Antes desta segunda-feira, 43% dos eleitores aptos já haviam votado antecipadamente ou por meio de voto especial. A apuração dos resultados começará às 20h no horário local (23h em Brasília).
A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, do Partido Conservador Unido, convocou o referendo por pressão de ativistas separatistas da legenda, mas já se declarou contrária à separação.
O premiê do Canadá, Mark Carney, também é contrário à medida.
Ele tem adotado uma postura mais favorável ao setor energético, apoiando a proposta de um oleoduto em direção à costa do Pacífico. Carney também se uniu a Danielle em uma demonstração de unidade contra a independência.
Ele afirmou que o referendo ocorre no “pior momento possível” e pediu que os habitantes de Alberta não utilizem o voto como forma de enviar uma mensagem ao governo federal.
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