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Por que norte-coreanos presos na Ucrânia têm medo de voltar para casa após serem capturados

Soldados pedem asilo em Seul, temendo represálias do regime de Kim Jong-un contra familiares. Impasse político é entrave

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Dois soldados norte-coreanos capturados na guerra da Ucrânia temem represálias severas se forem devolvidos ao regime de Kim Jong-un.
  • Eles pediram asilo na Coreia do Sul, pois na Coreia do Norte a rendição é considerada traição e pode levar a punições coletivas contra suas famílias.
  • As Nações Unidas alertaram para a possibilidade de tortura e perseguição caso os prisioneiros sejam enviados de volta ao seu país.
  • O governo sul-coreano ainda não tomou uma decisão sobre a situação dos soldados, diante de um impasse diplomático delicado entre Ucrânia, Rússia e Coreias.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Soldados norte-coreanos vivem drama após serem capturados na Ucrânia Reprodução/X @ZelenskyyUa

Presos na guerra da Ucrânia após serem capturados pelas forças de Kiev, dois soldados da Coreia do Norte vivem um impasse que vai muito além do campo de batalha. O que deveria ser o fim do combate se transformou em um pesadelo diplomático, mas também pessoal. Eles afirmam temer represálias severas caso sejam devolvidos ao regime norte-coreano.

Capturados há mais de um ano na região russa de Kursk, os militares pediram para serem enviados à Coreia do Sul. O motivo é direto: em Pyongyang, render-se ao inimigo é considerado traição. Segundo relatos publicados pelo jornal sul-coreano Hankook Ilbo, um dos soldados afirmou que “não sobreviveria” se voltasse para casa. “Todos os outros se explodiram. Eu falhei”, disse.


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A doutrina militar norte-coreana proíbe expressamente a rendição. Desertores e ativistas ouvidos por organizações internacionais afirmam que os combatentes recebem ordens para tirar a própria vida caso estejam prestes a ser capturados. Como os dois foram feitos prisioneiros com vida, há o temor de que sejam tratados como traidores.

Punição pode atingir familiares

A legislação e a prática do regime liderado por Kim Jong-un preveem punições coletivas. Há décadas, vigora no país a lógica de que a “culpa” de um desertor pode recair sobre até três gerações da mesma família. Durante e após a Guerra da Coreia, prisioneiros repatriados teriam sido enviados a campos de trabalho forçado e classificados como “elementos hostis”.


Especialistas afirmam que o destino dos dois militares é incerto porque nunca houve um caso semelhante envolvendo soldados norte-coreanos capturados no contexto da guerra na Ucrânia. Ainda assim, o temor de retaliação, inclusive contra parentes, é considerado plausível.

A preocupação chegou às Nações Unidas. O relator especial da ONU para direitos humanos na Coreia do Norte defendeu que os prisioneiros não sejam enviados a um país onde possam sofrer tortura ou perseguição, conforme prevê o direito internacional.


Impasse político

Pela Constituição sul-coreana, norte-coreanos são formalmente considerados cidadãos da Coreia do Sul e têm direito a se estabelecer no território. Mesmo assim, mais de um ano após a captura, Seul ainda não tomou medidas concretas para receber os dois soldados.

Analistas apontam que o atraso envolve uma equação diplomática delicada entre Ucrânia, Rússia, Coreia do Norte e Coreia do Sul. O presidente sul-coreano Lee Jae Myung tem sinalizado interesse em melhorar as relações com Pyongyang, o que poderia explicar a cautela do governo.


Sem um acordo claro, há o risco de que a Ucrânia seja pressionada a entregar os militares à Rússia, o que, na prática, poderia resultar em sua devolução ao regime norte-coreano. Enquanto isso, os dois homens seguem em território ucraniano, à espera de uma decisão que pode definir não apenas o próprio destino, mas também o futuro de suas famílias.

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