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Por que os EUA insistem tanto para que o Irã encerre seu programa nuclear?

Questão marcou de diferentes formas a relação entre os dois países nos últimos 70 anos; veja análise

Internacional|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Irã considera encerrar seu programa nuclear sob pressão dos EUA e discussões planejadas na Turquia.
  • Os Emirados Árabes Unidos apoiam um tratado nuclear e soluções de longo prazo para tensões regionais.
  • A história do programa nuclear do Irã remonta à década de 1950, mas as relações com os EUA se deterioraram após a Revolução Islâmica de 1979.
  • Atualmente, há um impasse com os EUA exigindo o fim do programa nuclear e dos mísseis do Irã, enquanto a presença militar americana na região aumenta.

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Segundo o jornal americano The New York Times, o Irã sinalizou que pode encerrar ou suspender seu programa nuclear diante das ameaças de ataques de Donald Trump. Autoridades iranianas e norte-americanas devem se reunir nesta sexta-feira (6) na Turquia para discutir o tema. Segundo um funcionário da Casa Branca, o objetivo do encontro é elaborar um pacote de medidas que evite uma guerra entre os dois países.

Essa proposta está de acordo com as vontades dos Emirados Árabes Unidos, que pediram para que Irã e EUA cheguem a um tratado nuclear e encontrem uma solução de longo prazo para as tensões. Um assessor diplomático do governo afirmou que “o Oriente Médio não precisa de mais um confronto”.


Pressão imposta pelos EUA no Irã motivou encontro Reprodução/Record News

A medida também daria fim ao longo embate diplomático que ocorre ao longo dos últimos anos, em que os Estados Unidos constantemente pressionam o Irã a limitar ou abandonar o programa, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. Teerã nega qualquer acusação e afirma que o programa é voltado somente à produção de energia.

Mas quem diz a verdade nesta discussão? De acordo com Vitélio Brustolin, pesquisador de Harvard e professor de relações internacionais da UFF (Universidade Federal Fluminense), nenhum dos dois lados: “A Agência Internacional de Energia Atômica fez vistorias e encontrou urânio enriquecido a mais de 60% e resquícios de urânio enriquecido a 83,7%. Programas para fins pacíficos são até 20%. Quando você enriquece urânio acima disso, você está fazendo armas. Isso significa que o Irã estava perto de uma ogiva nuclear? Não”, analisou no Conexão Record News desta sexta (3).


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O histórico do programa e das acusações é longo, de acordo com o professor. Ele teve início ainda na década de 1950 com a ajuda dos próprios Estados Unidos, que visavam iniciar um projeto que servisse aos civis do local. Após a Revolução Islâmica de 1979, entretanto, as relações diplomáticas entre os dois países foram rompidas e ambos só restabeleceram comunicações em 2015, quando o presidente Barack Obama propôs um acordo nuclear com o Irã, que foi assinado também pela União Europeia.

Tudo parecia esclarecido, mas a posse do primeiro mandato de Trump alterou o cenário internacional: “Em 2018 o Trump saiu do acordo, dizendo que o Irã não cumpria o que era imposto e que o acordo era frágil. Fora isso, ele não incluía os mísseis que o Irã estava produzindo. Nesse momento os Estados Unidos não querem só o acordo nuclear [...] Trump não está exigindo só o fim do programa nuclear, ele quer o fim dos mísseis do Irã”, analisa Brustolin.


Na interpretação do pesquisador, a postura visa defender-se da potência militar que o Irã se tornou ao longo dos anos e impedir o apoio do país a grupos terroristas, mas o regime dos aiatolás não quer se livrar dos mísseis nem do apoio a grupos como Hezbollah e Jihad Islâmica.

“Então, nesse momento nós temos um impasse e o aumento da presença militar dos Estados Unidos no entorno do Irã. Tem um porta-aviões já no mar Índico, o USS Abraham Lincoln, e tem um outro porta-aviões, que é o USS George H.W. Bush, indo pro Mediterrâneo Oriental, porque se o Irã revidar contra Israel, esse porta-aviões pode defender Israel”, conclui.

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