Por que os EUA insistem tanto para que o Irã encerre seu programa nuclear?
Questão marcou de diferentes formas a relação entre os dois países nos últimos 70 anos; veja análise
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Segundo o jornal americano The New York Times, o Irã sinalizou que pode encerrar ou suspender seu programa nuclear diante das ameaças de ataques de Donald Trump. Autoridades iranianas e norte-americanas devem se reunir nesta sexta-feira (6) na Turquia para discutir o tema. Segundo um funcionário da Casa Branca, o objetivo do encontro é elaborar um pacote de medidas que evite uma guerra entre os dois países.
Essa proposta está de acordo com as vontades dos Emirados Árabes Unidos, que pediram para que Irã e EUA cheguem a um tratado nuclear e encontrem uma solução de longo prazo para as tensões. Um assessor diplomático do governo afirmou que “o Oriente Médio não precisa de mais um confronto”.

A medida também daria fim ao longo embate diplomático que ocorre ao longo dos últimos anos, em que os Estados Unidos constantemente pressionam o Irã a limitar ou abandonar o programa, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. Teerã nega qualquer acusação e afirma que o programa é voltado somente à produção de energia.
Mas quem diz a verdade nesta discussão? De acordo com Vitélio Brustolin, pesquisador de Harvard e professor de relações internacionais da UFF (Universidade Federal Fluminense), nenhum dos dois lados: “A Agência Internacional de Energia Atômica fez vistorias e encontrou urânio enriquecido a mais de 60% e resquícios de urânio enriquecido a 83,7%. Programas para fins pacíficos são até 20%. Quando você enriquece urânio acima disso, você está fazendo armas. Isso significa que o Irã estava perto de uma ogiva nuclear? Não”, analisou no Conexão Record News desta sexta (3).
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O histórico do programa e das acusações é longo, de acordo com o professor. Ele teve início ainda na década de 1950 com a ajuda dos próprios Estados Unidos, que visavam iniciar um projeto que servisse aos civis do local. Após a Revolução Islâmica de 1979, entretanto, as relações diplomáticas entre os dois países foram rompidas e ambos só restabeleceram comunicações em 2015, quando o presidente Barack Obama propôs um acordo nuclear com o Irã, que foi assinado também pela União Europeia.
Tudo parecia esclarecido, mas a posse do primeiro mandato de Trump alterou o cenário internacional: “Em 2018 o Trump saiu do acordo, dizendo que o Irã não cumpria o que era imposto e que o acordo era frágil. Fora isso, ele não incluía os mísseis que o Irã estava produzindo. Nesse momento os Estados Unidos não querem só o acordo nuclear [...] Trump não está exigindo só o fim do programa nuclear, ele quer o fim dos mísseis do Irã”, analisa Brustolin.
Na interpretação do pesquisador, a postura visa defender-se da potência militar que o Irã se tornou ao longo dos anos e impedir o apoio do país a grupos terroristas, mas o regime dos aiatolás não quer se livrar dos mísseis nem do apoio a grupos como Hezbollah e Jihad Islâmica.
“Então, nesse momento nós temos um impasse e o aumento da presença militar dos Estados Unidos no entorno do Irã. Tem um porta-aviões já no mar Índico, o USS Abraham Lincoln, e tem um outro porta-aviões, que é o USS George H.W. Bush, indo pro Mediterrâneo Oriental, porque se o Irã revidar contra Israel, esse porta-aviões pode defender Israel”, conclui.
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