Por que uma cidade na Alemanha proibiu novas placas para vítimas do Holocausto
Decisão reacendeu debate sobre a forma como o país preserva a memória
Internacional|Do R7
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Uma decisão tomada em uma cidade do leste da Alemanha reacendeu o debate sobre a forma como o país preserva a memória das vítimas do Holocausto. A câmara municipal de Heidenau, na Saxônia, aprovou a proibição da instalação de novas Stolpersteine, pequenas placas de latão colocadas nas calçadas para identificar os últimos endereços conhecidos de judeus e outras pessoas perseguidas pelo regime nazista.
A medida foi proposta pelos partidos AfD (Alternativa para a Alemanha) e da CDU (União Democrata-Cristã). As legendas argumentam que as placas acabam sendo pisadas por pedestres e defenderam que futuras homenagens sejam concentradas no memorial dedicado às vítimas, localizado no cemitério da cidade.
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As Stolpersteine, cujo nome pode ser traduzido como “pedras de tropeço”, fazem parte de um dos maiores projetos de memória do Holocausto na Europa. Criadas pelo artista alemão Gunter Demnig na década de 1990, elas são instaladas diante de antigos locais de moradia ou trabalho das vítimas e trazem informações como nome, data de deportação e local da morte.
Segundo dados citados pela CNN, já foram instaladas cerca de 116 mil placas em 31 países. A maior parte está em cidades alemãs, onde os memoriais se espalham pelas calçadas e integram a paisagem urbana.
Decisão provoca reação
A proibição em Heidenau gerou críticas de representantes políticos, entidades judaicas e do próprio criador das placas. Demnig defendeu que as homenagens permaneçam nos locais onde as vítimas viveram ou trabalharam, justamente para aproximar a lembrança do cotidiano da população.
O artista criticou ainda a participação da CDU na aprovação da proposta. Em declarações à imprensa alemã, afirmou que o argumento de que as pessoas pisam nas placas não deveria ser usado para retirar os memoriais das ruas.
Charlotte Knobloch, presidente de uma associação judaica na Baviera e sobrevivente do Holocausto, também criticou a decisão. Embora tenha ressalvas ao conceito das Stolpersteine, ela defendeu a existência de formas descentralizadas de memória em espaços públicos.
Já Felix Banaszak, copresidente do Partido Verde, classificou a decisão como um escândalo. Para ele, as placas têm justamente a função de interromper a rotina e fazer com que os moradores entrem em contato com os nomes e histórias das vítimas.
O Comitê Internacional de Auschwitz condenou o apoio da CDU à medida. Segundo a Deutsche Welle, o grupo classificou a decisão como uma tentativa de retirar da cidade a lembrança das vítimas do nazismo.
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