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Quem é a sobrevivente do Holocausto que retornou à Áustria aos 99 anos

Nascida em Vienta, Gabriele Keenaghan deixou o país em 1939, quando tinha 12 anos, durante a perseguição nazista aos judeus

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Gabriele Keenaghan, sobrevivente do Holocausto, retorna à Áustria aos 99 anos, onde partiu em 1939 em um trem do Kindertransport.
  • A viagem marca antecipadamente seu centenário e reunirá suas filhas e familiares de várias gerações.
  • Gabriele perdeu o contato com o pai durante a perseguição nazista e construiu uma carreira na educação na Inglaterra.
  • Ela continua compartilhando suas experiências para promover tolerância e respeito, questionando se a humanidade aprendeu com os erros do passado.

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Gabriele Keenaghan deixou o país em um dos trens que levaram crianças judias para o Reino Unido Reprodução/Associação de Refugiados Judeus

Aos 99 anos, Gabriele Keenaghan se prepara para retornar a um dos lugares mais marcantes de sua infância. Nascida em Viena, na Áustria, ela voltará à estação Westbahnhof, de onde partiu em abril de 1939, aos 12 anos, em um dos trens que levaram crianças judias para o Reino Unido durante a perseguição nazista. A história foi contada pelo jornal britânico The Guardian.

A viagem foi planejada para marcar antecipadamente seu centenário, que será comemorado oficialmente em novembro. Keenaghan brinca que terá “dois aniversários”: um durante a viagem a Viena e outro na data oficial.


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A despedida da família, há quase nove décadas, permanece viva em sua memória. Segundo ela, havia soldados nazistas na plataforma e os familiares tinham sido orientados a não demonstrar emoção. Sua avó, responsável por organizar a saída da menina, tentou tranquilizá-la com um sorriso enquanto as duas se despediam.

Keenaghan deixou a Áustria acompanhada por cerca de 150 crianças. O grupo viajou de trem até a Holanda e depois seguiu de navio para Harwich, na Inglaterra. A operação fazia parte do Kindertransport, iniciativa que ajudou aproximadamente 10 mil crianças judias a escapar da perseguição nazista e encontrar refúgio no Reino Unido.


Gabriele Keenaghan durante a infância pouco antes de ir para Inglaterra Reprodução/Associação de Refugiados Judeus

A menina sequer sabia que era judia quando os nazistas chegaram à Áustria. Seu pai, Josef Weiss, era judeu, enquanto sua mãe, Hildegard, era católica e havia morrido alguns anos antes. Quando as autoridades reorganizaram as escolas, Gabriele foi retirada do convento católico onde estudava e encaminhada para uma escola judaica. Uma estrela de Davi amarela foi costurada em seu casaco.

A mudança também trouxe hostilidade. Ela passou a ser insultada por outras pessoas por sua origem judaica. Pouco depois, perdeu definitivamente o contato com o pai, que foi deportado para Lodz, na Polônia, e provavelmente morreu em um campo de extermínio.


Na Inglaterra, Gabriele aprendeu rapidamente o idioma e começou a trabalhar como babá. Mais tarde, formou-se professora, construiu carreira na educação e chegou ao cargo de diretora de uma escola no nordeste do país. Pelo trabalho de conscientização sobre o Holocausto, recebeu a British Empire Medal.

Gabriele Keenaghan e a mãe, em 1939 Reprodução/Associação de Refugiados Judeus

Ao longo das décadas, ela voltou diversas vezes à Áustria para visitar parentes, mas nunca havia retornado à estação onde se separou da família. Agora, a viagem reunirá suas duas filhas e outros familiares de diferentes gerações.


A viagem chegou a ser ameaçada depois que a Lufthansa cancelou voos entre Newcastle e Viena. O problema foi solucionado de forma inesperada quando uma pessoa ofereceu um jato particular para transportar a família.

Keenaghan afirmou ao The Guardian que ainda não sabe como se sentirá ao pisar novamente na estação. Depois de tantos anos, porém, ela reconhece que o reencontro provavelmente será marcado pela emoção.

A centenária também continua compartilhando suas experiências com crianças e jovens. Para ela, contar o que viveu é uma maneira de defender valores como tolerância, respeito e aceitação da diversidade. Ao refletir sobre os conflitos atuais, porém, deixa uma questão em aberto: “Será que algum dia aprendemos?”.

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