Possível investimento europeu em defesa significa adeus à social-democracia, afirma professor
Em meio às tensões com EUA, bloco estuda destinar mais 800 bilhões de euros aos gastos militares
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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A representante da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o bloco deve assumir um papel mais importante dentro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). A declaração vem em meio às tensões envolvendo a Groenlândia e os Estados Unidos nos últimos dias.
Em uma conferência, Kaja disse que Washington continuará sendo parceiro e aliado da Europa, mas que o bloco deve se adaptar às novas realidades e dar um passo adiante. A diplomata ainda ressaltou que a Otan precisa se tornar mais europeia para manter a força, já que o presidente Donald Trump “abalou os alicerces” da relação transatlântica.

As atitudes do presidente americano fazem parte de um plano de pressionar a Europa a mudar seu pensamento e investimentos, é o que explica Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).
Para ele, um exemplo dessa ação ocorreu no ano passado, quando a UE lançou uma série de iniciativas com uma possível destinação de 800 bilhões de euros (cerca de R$ 4,9 trilhões) a mais à defesa.
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Em entrevista ao Conexão Record News desta quarta-feira (28), o professor aponta que as pressões americanas buscam que os europeus reduzam os investimentos em direitos sociais e aumentem em fundos de defesa.
“Tirar 800 bilhões de euros do orçamento europeu é dizer adeus a um orçamento social-democrata, é dizer adeus a um orçamento participativo, é dizer adeus a um orçamento que garante direitos sociais. É isso”, afirma Trevisan.
No entanto, ele acredita que os países do bloco não devam seguir esse caminho, apostando em uma medida mais equilibrada entre as duas destinações.
“Talvez a Europa mantenha os dois lados, porque os empresários americanos, do mesmo jeito que os árabes moderados, avisaram Trump de que eles têm bons negócios com a Europa, que não seria conveniente perder esses negócios com a Europa”, finaliza.
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