Logo R7.com
RecordPlus
‌

Premiê da Turquia oficializa candidatura à Presidência, que terá mais poderes

Internacional|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

Por Jonny Hogg e Orhan Coskun

ANCARA (Reuters) - O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, declarou sua candidatura nesta terça-feira para uma Presidência mais poderosa, uma medida que seus rivais dizem que aumentará o comando autoritário do país ao passo que seus partidários, especialmente muçulmanos conservadores, a enxergam como essencial em sua campanha para reformar a Turquia.

‌

Apoiadores do partido governista AK, que tem raízes islâmicas, bateram palmas e cantaram músicas pró-Erdogan, após o anúncio da esperada candidatura do primeiro-ministro nas eleições de agosto.

“Entramos na política por Deus, entramos na política pelo povo”, disse Erdogan a uma multidão de milhares de pessoas em um auditório na capital, Ancara, onde membros do partido gritavam “A Turquia está orgulhosa de você”.

‌

A ampla expectativa é que Erdogan, bastante popular apesar de um escândalo de corrupção que ele atribuiu a traidores e terroristas, vença as eleições de agosto.

Se isso acontecer, ele aumentará seus poderes executivos após 11 anos como primeiro-ministro, um período no qual subjugou um judiciário secular e o funcionalismo público e também domou o antes poderoso Exército.

‌

“Eles nos chamam de retrógrados porque nós rezamos”, disse Erdogan em um discurso contra referências sobre sua fé em Deus, após a projeção de um filme sobre ele em sua juventude e na carreira política.

“Eles dizem que não somos bons o suficiente para sermos líderes de um vilarejo, que não podemos ser primeiro-ministro, que não podemos eleger presidente. Eles nem mesmo se permitem nos ver como iguais aos olhos do Estado”, acrescentou.

‌

Erdogan, de 60 anos, se apresenta como campeão de uma população conservadora religiosa que é tratada há décadas como cidadã de segunda classe. Uma nova geração de empreendedores islâmicos ascendeu, e o véu, símbolo da submissão feminina islâmica, passou a ser usado pela primeira vez em instituições públicas.

O inimigo —colocado em muitos discursos de Erdogan como “eles" — são os seculares que dominaram o país até ele chegar ao poder uma década atrás. É um adversário que ele combatido cada vez mais abertamente e com maior agressividade.

A Presidência que Erdogan assumiria, se eleito, diferiria, em teoria, muito pouco do cargo amplamente cerimonial ocupado atualmente por Abdullah Gul.

Mas sua autoridade pessoal e o fato de ter sido eleito pelo povo, não pelo Parlamento, na verdade permitiria uma leitura da Constituição que lhe concederia mais poderes. Existe a possibilidade de que o exercício desses poderes seja desafiado em argumentos constitucionais, mas isso seria difícil de provar.

A lista de candidatos para a eleição atesta uma mudança dramática na Turquia durante seu período como premiê, já que há um antigo candidato secular apoiado por dois homens com laços islâmicos e um terceiro candidato representando a minoria curda. Ninguém faz campanha agora sob uma plataforma secular e anti-islâmica.

(Reportagem adicional de Tulay Karadeniz, Humeyra Pamuk e Ayla Jean Yackley)

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.