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Prisioneiros recebem salário maior que o de professores em boa parte da Rússia; entenda

Em seis anos, remuneração de detentos aumentou 125%; educadores ganham menos que salário mínimo, segundo jornal

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Salários de prisioneiros na Rússia cresceram 125% em seis anos, superando alguns professores.
  • Trabalho compulsório foi reintroduzido em 2017 e mais de 26 mil detentos estão empregados por empresas.
  • Empresas enfrentam desafios com baixa qualificação dos presos e alta rotatividade de mão de obra.
  • Educação sofre com escassez de docentes e baixos salários, levando à diminuição no número de professores.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Detento trabalhando em colônia masculina na região de Krasnodar Divulgação/Roman Sokolov/TASS

Os presos na Rússia estão ganhando mais do que professores em boa parte do país. De acordo com o jornal russo The Moscow Times, os salários pagos a detentos aumentaram 125% nos últimos seis anos: passaram de 14.700 rublos (cerca de R$ 1.000) por mês em 2019 para 33.000 rublos (aproximadamente R$ 2.240) em 2025.

A vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Federação Russa, Elena Dybova, disse que a produtividade dos presos cresceu 84% no mesmo período. Segundo ela, as câmaras regionais de comércio estão ajudando empresas a firmar parcerias com o Serviço Penitenciário Federal (FSIN) para empregar os detentos.

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A Rússia reintroduziu o trabalho compulsório como forma de punição criminal em 2017. Até 2023, mais de 26 mil detentos nas prisões do país realizavam serviços para 1.700 organizações comerciais, segundo o FSIN.

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De acordo com o Moscow Times, as parcerias entre empresas e penitenciárias já resultaram em contratos que somam 800 milhões de rublos (cerca de R$ 54 milhões) e criaram “milhares” de vagas em colônias de trabalho pelo país.

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Apesar disso, Dybova reconhece que as empresas enfrentam dificuldades: os presos têm baixa qualificação, há alta rotatividade – já que muitos são liberados após o treinamento – e as regras rígidas das prisões dificultam o cumprimento dos cronogramas de produção.

“Depois de treinar um funcionário, a empresa o perde ao ser liberado, e o ciclo se repete com um novo trabalhador sem treinamento”, disse Dybova.

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Empresas como a Ozon, do comércio eletrônico, a Russian Railways, fabricante de caminhões, e a Uralvagonzavod, maior indústria de tanques da Rússia, usam mão de obra de presos, segundo o jornal.

Em 2023, o Ministério da Defesa britânico disse que “o setor de fabricação de defesa russo está muito provavelmente recorrendo à utilização de mão de obra de condenados em um esforço para atender às demandas de produção em tempos de guerra”.

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“A população carcerária fornece um recurso humano único para os líderes russos utilizarem em apoio à ‘operação militar especial’, enquanto voluntários dispostos continuam escassos”, disse a pasta em um comunicado.

Abaixo do salário mínimo

Em 73 regiões da Rússia, os educadores ganham menos que o salário mínimo nacional, estimado em 22.440 rublos (cerca de R$ 1.525) em 2025. Em 70 regiões, o valor recebido é inferior a 20 mil rublos (R$ 1.360), segundo o Moscow Times.

O sindicato da categoria afirma que a escassez de docentes na Rússia chega a 250 mil profissionais, e cerca de 31% dos professores têm mais de 50 anos. Com a falta de pessoal, aulas acabam sendo canceladas ou ministradas por profissionais de outras áreas.

O vice-presidente do sindicato, Vsevolod Lukhovitsky, disse ao jornal russo que a sobrecarga e os baixos salários estão levando muitos jovens a abandonar a profissão no país.

O United24 Media, site de notícias vinculado ao governo ucraniano, diz que o Kremlin tem se preocupado com o retorno de veteranos da guerra na Ucrânia, incluindo ex-detentos recrutados para o front, e o possível impacto social e político dessa reintegração.

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