Produtos saqueados de lojas francesas inundam sites de revenda após protestos violentos
Plataformas de revenda estão colaborando com autoridades para identificar e remover os anúncios
Internacional|Do Estadão Conteúdo
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Produtos de lojas francesas começaram a aparecer em anúncios na internet poucas horas após serem saqueados em meio a uma onda de protestos na França
Estavam à venda diversos itens — bolsas, produtos para a pele, brilhos labiais — suspeitos de terem sido roubados por pessoas que quebraram vitrines e esvaziaram lojas em Paris, Lyon, Marselha e outras cidades no fim de semana.
Os protestos, que começaram devido às condições nas escolas e se ampliaram para manifestações contra o aumento do custo de vida, escalaram para atos violentos no último final de semana.
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Vários prédios governamentais foram danificados e mais de 3 mil lojas foram saqueadas, levando à prisão de mais de 2,5 mil pessoas, segundo autoridades.
Em Paris, muitas lojas na região de Les Halles foram saqueadas e vandalizadas, enquanto a Place de la Bastille e a Place de la Concorde se tornaram pontos centrais de confrontos entre a polícia e os manifestantes.
Entre as lojas invadidas estavam a Louis Vuitton, a Céline, a Hermès e a North Face, além de lojas de videogames, farmácias e lojas de eletrônicos. Uma estimativa preliminar indicou que os danos custariam várias centenas de milhões de euros.
Plataformas tomam medidas
Sites de revenda, como o Vinted, afirmaram nesta semana que estavam tomando medidas rigorosas contra itens suspeitos de terem sido saqueados.
O Vinted informou que está trabalhando em conjunto com as autoridades francesas para detectar comportamentos mal-intencionados.
“Desde este fim de semana, nossas equipes tomaram medidas imediatas para identificar e remover anúncios ligados aos saques, e intensificamos o monitoramento de anúncios suspeitos”, afirmou a Vinted em comunicado. “Quando nossas regras são violadas, agimos contra as contas envolvidas, podendo chegar até ao banimento permanente.”
O presidente da França, Emmanuel Macron, advertiu no domingo que “aqueles que saquearam terão que arcar com as consequências, e aqueles que tentaram derrubar a república serão responsabilizados”.
Mas o número de pessoas que participaram dos saques é muito maior do que a polícia conseguirá prender, e será praticamente impossível que os sites de revenda retirem todos os itens roubados devido à magnitude do roubo, afirmou Charlotte de Montpellier, economista do ING Bank.
“Não espero que essas empresas consigam rastrear tudo”, disse ela. O desafio para a economia francesa como um todo, acrescentou ela, será por quanto tempo os protestos vão durar e se a agitação vai continuar. “Mais protestos podem ocorrer, e isso, é claro, terá um impacto significativo no custo final”, disse ela.
A França estava tranquila na quarta-feira, mas Sébastien Lecornu, o primeiro-ministro, disse que uma operação de segurança significativa estava planejada antes de novos protestos previstos para sábado.
Serge Papin, ministro do Comércio, e Anne Le Hénanff, ministra dos Assuntos Digitais, reuniram-se na segunda-feira com plataformas de revenda para discutir o fortalecimento da cooperação delas com as autoridades francesas na identificação e denúncia de bens roubados.
A Alliance Française des Places de Marché, que representa plataformas como eBay, Vinted e Etsy, afirmou em comunicado após a reunião que seus membros concordaram em intensificar o monitoramento para detectar mercadorias que possam ter sido obtidas por meio de saques e informar os consumidores sobre as penalidades associadas à compra de mercadorias roubadas.
Os prejuízos para as empresas vão além da reposição dos produtos saqueados. Na terça-feira, o Carrefour, maior rede de varejo de alimentos da França, reduziu suas metas financeiras para o ano inteiro devido aos custos indiretos dos distúrbios: aumento dos gastos com segurança e logística, menor número de clientes, fechamentos preventivos e redução do horário de funcionamento por causa dos toques de recolher.
“Nosso grupo está enfrentando uma situação sem precedentes na França”, afirmou Alexandre Bompard, diretor executivo da empresa, em comunicado.
“Há um alto grau de incerteza quanto às tendências de gastos dos consumidores e às condições sob as quais nossas lojas poderão abrir.” Ele disse que cerca de 50 lojas foram afetadas por vândalos, custando à empresa pelo menos dezenas de milhões de euros.
O governo francês informou que as empresas que foram obrigadas a reduzir ou suspender suas atividades após os danos poderiam receber assistência financeira, como empréstimos sem juros.
Os funcionários impossibilitados de trabalhar receberiam uma indenização equivalente a 60% de seus salários, e aqueles que recebem o salário mínimo receberiam seus salários integrais.
As empresas também poderiam solicitar subsídios de emergência de até 1.500 euros (cerca de R$ 8,4 mil), e o governo está criando um fundo de apoio para empresas com menos de 50 funcionários, que poderão receber um pagamento único.
Se os distúrbios continuarem, a preocupação é que os turistas cancelem suas viagens a Paris e que os empresários possam se sentir relutantes em abrir novos negócios ou reabrir lojas, disse De Montpellier.
Por essas razões, “achamos que isso pode ter um impacto um pouco maior” na economia do que os grandes protestos ocorridos na França em 2018, afirmou ela.
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