Protestos no Marrocos: entenda o cenário de insatisfação que levou a quebra-quebra no país
Manifestações registraram saques, carros incendiados e prédios atacados desde o fim de setembro; Cerca de 400 manifestantes já foram presos e 193 devem ir a julgamento
Internacional|Do R7
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Manifestações organizadas por jovens da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) tomaram as ruas do Marrocos e deixaram três mortos, mais de 300 feridos e centenas de presos nos últimos dias. Os protestos começaram no último sábado (27) contra os gastos do governo com a Copa do Mundo de 2030 e ganharam força ao longo da semana. O movimento exige mais investimentos em saúde e educação e já é considerado o mais violento desde as manifestações de 2017, que rogavam pelo fim da brutalidade policial no país.
A repressão policial intensificou os confrontos. Em Lqliaa, a 470 km da capital Rabat, duas pessoas morreram quando manifestantes tentaram tomar armas de agentes de segurança. Na região metropolitana da capital, houve saques, carros incendiados e prédios atacados. O Ministério do Interior informou que 354 pessoas ficaram feridas, sendo 28 civis e 326 policiais. Até quarta-feira (1º), 409 manifestantes haviam sido presos e 193 devem ir a julgamento por acusações de incêndio e agressões contra as forças de segurança.
O movimento foi organizado por meio das redes sociais por um grupo anônimo chamado “GenZ 212”, que usou a rede TikTok, Instagram e o Discord para convocar atos. O servidor do grupo no Discord saltou de 3 mil para 130 mil membros em poucos dias. Em uma publicação, os organizadores disseram rejeitar a violência e destacaram que não têm problemas com a polícia, mas sim com o governo marroquino - uma monarquia constitucional, onde o rei é o chefe de Estado com poderes significativos, e um Parlamento bicameral eleito democraticamente.
As cenas de violência se espalharam por diferentes cidades. Em Salé, vizinha de Rabat, jovens lançaram pedras contra agentes, incendiaram bancos e depredaram veículos.
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Em Tânger, no norte do país, houve novos confrontos. No sudeste, localidades como Sidi Bibi e Biougra registraram incêndio em prédios públicos, saques e bloqueios de estradas. Até Marrakech, polo turístico, teve confrontos, com o incêndio de uma delegacia.
A explosão da crise está ligada a um quadro mais amplo de insatisfação social e econômica. O país registra taxa de desemprego geral de 12,8%, que chega a 35,8% entre jovens. Entre graduados, o índice é de 19%. Apesar de avanços em infraestrutura em algumas regiões, a distribuição dos investimentos é apontada como desigual. Enquanto Rabat, Casablanca e Tânger receberam grandes obras na última década, cidades como Fez, Meknes, Oujda e Taza acumulam abandono.
Especialistas afirmam que a desigualdade regional e a concentração de riqueza alimentam a frustração. O sentimento de “hogra” - termo árabe que expressa injustiça e humilhação - é frequente entre jovens que se sentem excluídos das promessas de desenvolvimento. “Eles se sentem abandonados e indesejados em seu próprio país”, disse um analista ouvido pela imprensa local.
A disparada do custo de vida também agravou o cenário. A carne subiu de 80 para 150 dirhams por quilo em dois anos. Mesmo exportando alimentos para a Europa, famílias de baixa renda enfrentam dificuldades para comprar produtos básicos. Escândalos recentes, como o desaparecimento de 13 bilhões de dirhams em subsídios agrícolas que deveriam reduzir o preço da carne, reforçaram a percepção de corrupção. O governo não deu explicações e rejeitou projetos de lei contra o enriquecimento ilícito.
A figura do primeiro-ministro Aziz Akhannouch também está no centro das críticas. Empresário do setor de combustíveis e líder do Rally Nacional dos Independentes, ele é acusado por opositores de privilegiar aliados políticos e econômicos. “O governo parece ser composto por um grupo de oportunistas egoístas que entraram na política apenas para servir aos seus próprios interesses”, afirmou um artigo de opinião publicado em veículo local.
Nesta quinta-feira (2) , Akhannouch reconheceu três mortes nos protestos e elogiou a atuação das forças de segurança. Ele declarou que “o diálogo é a única maneira de resolver os problemas”. O Ministério do Interior disse respeitar o direito de manifestação dentro dos limites legais e garantiu que a polícia agiu com contenção.
Apesar do tom oficial, os protestos continuam a expor a distância entre governo e população. Jovens marroquinos afirmam que não rejeitam a realização da Copa do Mundo de 2030, que será sediada em conjunto com Espanha e Portugal, mas exigem que os investimentos sejam distribuídos de forma justa. O lema que ecoou nas ruas foi “hospitais em vez de estádios”.
Perguntas e Respostas
Quais foram os principais eventos dos protestos no Marrocos?
Os protestos no Marrocos, organizados por jovens da Geração Z, resultaram em três mortes, mais de 300 feridos e centenas de presos. Iniciados no último sábado (27) contra os gastos do governo com a Copa do Mundo de 2030, os protestos se intensificaram ao longo da semana, exigindo mais investimentos em saúde e educação.
Qual foi a resposta do governo e da polícia aos protestos?
A repressão policial aumentou os confrontos, especialmente em Lqliaa, onde duas pessoas morreram ao tentarem tomar armas de agentes de segurança. O Ministério do Interior informou que 354 pessoas ficaram feridas, incluindo 28 civis e 326 policiais, e até quarta-feira (1º), 409 manifestantes foram presos.
Como os protestos foram organizados?
O movimento foi organizado por um grupo anônimo chamado “GenZ 212”, que utilizou redes sociais como TikTok, Instagram e Discord para convocar os atos. O servidor do grupo no Discord cresceu de 3 mil para 130 mil membros rapidamente.
Quais foram as causas subjacentes dos protestos?
A crise está ligada a um quadro de insatisfação social e econômica, com uma taxa de desemprego geral de 12,8%, que chega a 35,8% entre os jovens. A desigualdade regional e a concentração de riqueza também alimentam a frustração, com muitos jovens se sentindo excluídos das promessas de desenvolvimento.
Como a situação econômica afetou a população?
A disparada do custo de vida, como o aumento do preço da carne, agravou a situação. Famílias de baixa renda enfrentam dificuldades para comprar produtos básicos, e escândalos de corrupção, como o desaparecimento de subsídios agrícolas, aumentaram a percepção de injustiça.
Qual foi a reação do primeiro-ministro Aziz Akhannouch?
O primeiro-ministro reconheceu as mortes nos protestos e elogiou a atuação das forças de segurança, afirmando que o diálogo é a única maneira de resolver os problemas. O Ministério do Interior declarou que respeita o direito de manifestação dentro dos limites legais.
Qual é a posição dos jovens em relação à Copa do Mundo de 2030?
Os jovens marroquinos não rejeitam a realização da Copa do Mundo de 2030, mas exigem que os investimentos sejam distribuídos de forma justa, com o lema “hospitais em vez de estádios” ecoando nas ruas.
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