Quem é a líder de seita de bem-estar sexual feminino condenada a 9 anos de prisão nos EUA
Segundo as investigações, a empresária Nicole Daedone mantinha um esquema que explorava e manipulava participantes
Internacional|Do R7
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A empresária Nicole Daedone, fundadora da empresa de bem-estar sexual OneTaste, foi condenada a nove anos de prisão nos Estados Unidos por conspiração para trabalho forçado. A sentença foi anunciada por um tribunal federal no Brooklyn, em Nova York, após um caso que expôs acusações de exploração, manipulação psicológica e abuso dentro da organização.
Natural de Los Gatos, na Califórnia, Daedone foi criada por mãe solo e se formou em Comunicação de Gênero e Semântica pela Universidade Estadual de São Francisco, em 1994. Antes de ganhar notoriedade, teve uma trajetória diversa: trabalhou em galeria de arte, como garçonete, stripper e acompanhante, além de se aproximar de comunidades alternativas ligadas à meditação, ioga e desenvolvimento pessoal.
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Ela ganhou projeção ao fundar a OneTaste, em 2004. A empresa promovia a chamada “meditação orgásmica”, prática que misturava sexualidade, espiritualidade e autoconhecimento. Em 2012, lançou o livro Slow Sex, no qual defende uma abordagem mais consciente e desacelerada da intimidade.
Inicialmente divulgada como uma abordagem inovadora para discutir prazer feminino e conexões emocionais, a proposta ganhou espaço na mídia americana ao longo dos anos 2010. No entanto, investigações posteriores apontaram que a organização mantinha um ambiente de forte controle psicológico sobre participantes.
No auge, a OneTaste chegou a operar em cidades como San Francisco, Nova York e Austin, oferecendo cursos e sessões pagas. Em 2017, Daedone vendeu a empresa por US$ 12 milhões. A trajetória da companhia, incluindo sua ascensão e as acusações posteriores, foi retratada em um documentário lançado em 2022 em uma plataforma de streaming.
Condenação
Daedone foi considerada culpada em 2025 ao lado de Rachel Cherwitz, ex-diretora de vendas da empresa. Segundo a acusação, as duas lideraram um esquema que explorava membros da comunidade criada pela OneTaste.
De acordo com promotores, mulheres que buscavam crescimento espiritual ou cura emocional eram pressionadas a trabalhar longas jornadas sem remuneração adequada. Em alguns casos, também teriam sido coagidas a manter relações sexuais com investidores e clientes.
“Este caso expôs um esquema que durou uma década, no qual as rés usaram coerção psicológica, emocional e financeira para controlar suas vítimas e extrair trabalho e serviços para seu próprio benefício. Coerção disfarçada de bem-estar ou empoderamento ainda é exploração e é um crime que causa danos a vítimas vulneráveis”, declarou o procurador federal Joseph Nocella, em comunicado do United States Attorney’s Office - Eastern District of New York.
Durante o julgamento, promotores também destacaram o uso de manipulação psicológica, pressão econômica e intimidação.
“Por décadas, Nicole Daedone e Rachel Cherwitz se aproveitaram de mulheres vulneráveis, coagindo-as a participar de uma conspiração calculada de trabalho forçado. As rés submeteram suas vítimas a manipulação psicológica repetida e abuso sexual para obter trabalho e serviços não remunerados ou mal pagos para benefício pessoal e financeiro. O FBI está comprometido em responsabilizar aqueles que exploram o trabalho humano e lucram com a exploração de outras pessoas. Agradecemos às vítimas pela coragem de denunciar”, disse James C. Barnacle Jr., diretor assistente responsável pelo escritório do FBI em Nova York, em nota











