Novo julgamento pela morte de Maradona recomeça após escândalo judicial
Julgamento anterior, que durou quase três meses, foi anulado após um escândalo
Internacional|Cecilia Domínguez, da CNN Internacional
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Não é um déjà vu. É a evidência de uma dívida judicial que ainda não foi quitada. “Começa o julgamento pela morte de Diego Maradona” foi a manchete que chamou a atenção da mídia mundial há um ano — e agora volta a se repetir.
Nesta terça-feira (14), nos tribunais da província de Buenos Aires, tem início um novo julgamento. Do zero, a Justiça tentará não apenas esclarecer os últimos dias do ídolo do futebol argentino, mas também determinar quem deve assumir responsabilidades por sua morte.
Diego Maradona morreu em 25 de novembro de 2020 por insuficiência cardíaca, durante internação domiciliar em sua casa em um condomínio fechado na província de Buenos Aires, duas semanas após passar por uma cirurgia para tratar um hematoma subdural no cérebro.
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“Esperamos que o Tribunal esteja à altura, que compreenda a gravidade do fato investigado, o que precisa julgar e, sobretudo, o que Diego representou para os argentinos e para o mundo do futebol”, disse Mario Baudry, advogado de Diego Fernando Maradona, o filho mais novo do ex-jogador.
A morte de Maradona causou comoção internacional, e milhares de torcedores se mobilizaram na Argentina e em diversas partes do mundo pedindo justiça — inclusive em frente aos tribunais durante o primeiro julgamento, com bandeiras, camisas, cantos e cartazes com a frase “Justiça por D10S”.
Maradona foi um dos jogadores mais influentes e carismáticos da história do futebol, com uma carreira que ultrapassou fronteiras. Nascido em uma família humilde em Buenos Aires, chegou ao topo do esporte com habilidade extraordinária e uma personalidade forte dentro e fora de campo.
Sua consagração veio na Copa do Mundo FIFA de 1986, quando levou a Argentina ao título com atuações memoráveis conhecidas como “O Gol do Século” e “A Mão de Deus”.
Além dos feitos esportivos, foi uma figura marcada por altos e baixos na vida pessoal, com excessos e uma relação intensa com a fama.
Escândalo
O julgamento anterior, que durou quase três meses, foi anulado após um escândalo: a então juíza Julieta Makintach foi afastada e posteriormente destituída por suspeita de falta de imparcialidade e por ter autorizado pessoas próximas a gravarem vídeos das audiências para um documentário. A suspensão e posterior anulação do processo deixaram o caso em pausa até este novo começo.
Os sete profissionais de saúde acusados de homicídio simples com dolo eventual voltarão ao banco dos réus: Leopoldo Luque (neurocirurgião), Agustina Cosachov (psiquiatra), Carlos Díaz (psicólogo), Mariano Perroni (supervisor de enfermagem), Ricardo Almirón (enfermeiro), Nancy Forlini (coordenadora médica) e Pedro Di Spagna (médico clínico). Eles se declaram inocentes e respondem em liberdade. Caso sejam condenados, podem pegar penas entre 8 e 25 anos de prisão.
“Começamos este julgamento para demonstrar a ausência de responsabilidade penal de cada um dos sete acusados, pois é claro que não houve um plano criminoso para matar Maradona”, afirmou Vadim Mischanchuk, advogado de Cosachov.
Por outro lado, Baudry declarou: “Espero que sejam considerados culpados, independentemente da pena. E que, no caso de Luque, Cosachov e Díaz, os principais responsáveis, os juízes sejam rigorosos. Eles não fizeram o que deveriam como profissionais de saúde e com a responsabilidade que assumiram”.
A enfermeira Dahiana Madrid é a oitava acusada, mas, como solicitou julgamento por júri popular, será julgada em um processo separado, ainda sem data definida.
O julgamento será conduzido pelos juízes Alberto Gaig, Alberto Ortolani e Pablo Rolón, do Tribunal Oral Criminal nº 7 de San Isidro, que ouvirão cerca de 100 testemunhas antes de emitir a sentença. A primeira audiência será transmitida ao vivo pelo YouTube, assim como as etapas finais.
“Creio que todo o Poder Judiciário de San Isidro estará sob escrutínio neste julgamento”, disse Baudry, referindo-se ao escândalo do processo anterior.
Apesar disso, Mischanchuk afirmou: “Para mim houve um ponto final. São três novos juízes com trajetória comprovada”, acrescentando que não adotará precauções adicionais.
Segundo Julio Rivas, advogado de Luque, seu cliente não confiava inicialmente no Judiciário e preferia um julgamento por júri, pedido que foi negado. Ainda assim, Rivas acredita em um julgamento técnico e imparcial.
A defesa de Forlini, por sua vez, sustenta que os acusados foram prejudicados pelo escândalo anterior: “Por que minha cliente deve enfrentar um novo julgamento por causa de uma juíza que quis fazer um documentário?”, questionou o advogado Nicolás D’Álbora.
Testemunhas
Cerca de 100 testemunhas serão ouvidas — uma redução significativa em relação às quase 300 do julgamento anterior. O foco será o período entre 11 e 25 de novembro de 2020, para reconstruir os últimos 14 dias de internação domiciliar antes da morte de Maradona.
Entre os depoentes estão familiares, como suas filhas Dalma, Giannina e Jana, além da ex-companheira Verónica Ojeda. “Ela vive isso com dor, como toda a família. Reviver tudo é difícil, ainda mais tendo que amparar o filho de 13 anos”, disse Baudry.
Após o escândalo do processo anterior, há incerteza sobre o andamento deste novo julgamento, mas a expectativa é que haja uma sentença antes do recesso judicial de inverno, ou seja, até meados do ano.
“Este julgamento deve acontecer por respeito à família e aos acusados. Precisa começar e terminar”, afirmou Mischanchuk.
Baudry estima que o processo não ultrapasse 30 sessões e que, em cerca de dois meses, se chegue a uma decisão. Já Rivas acredita que o julgamento será ágil, devido à redução no número de testemunhas.
Com o precedente do julgamento anulado, cada etapa será observada com ainda mais atenção — desde os depoimentos até as decisões do tribunal — não apenas pelo impacto midiático, mas pela possibilidade de finalmente esclarecer uma das mortes mais controversas da história do esporte argentino.
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