Sequestrador de Cleveland passará o resto da vida na prisão
Internacional|Do R7
Miriam Burgués. Washington, 1 ago (EFE).- Ariel Castro, o homem que sequestrou, violentou e torturou três mulheres durante uma década em Cleveland (Ohio, EUA), foi sentenciado nesta quinta-feira a passar o resto de sua vida na prisão e uma de suas vítimas, Michelle Knight, lhe disse que seu próprio "inferno" acaba de começar. Castro, de 53 anos e origem porto-riquenha, recebeu uma condenação à prisão perpétua sem direito à liberdade condicional pela acusação mais grave que enfrentava, a de homicídio agravado, por supostamente espancar uma das mulheres durante o cativeiro até causar-lhe um aborto. Pelas demais quase mil acusações, entre elas centenas por estupro, Castro recebeu várias penas consecutivas que somam outros mil anos na prisão. A sentença corresponde ao acordo de culpabilidade que sua defesa estabeleceu na semana passada com a promotoria para que Castro se livrasse da pena de morte. "O senhor separou três mulheres de suas famílias e suas comunidades, tornou-as escravas e as tratou como se não fossem pessoas", disse o juiz Michael J. Russo a Castro ao anunciar a sentença e considerá-la "proporcional" ao "prejuízo" causado pelo ex-motorista de um ônibus escolar. As três mulheres, Michelle, Amanda Berry e Gina DeJesus, foram sequestradas por Castro respectivamente nos anos 2002, 2003 e 2004, e recuperaram a liberdade no último mês de maio. Michelle falou entre soluços na audiência de hoje e declarou que Castro lhe "roubou" 11 anos de sua vida, que pode perdoá-lo, mas "nunca" esquecerá, e que merece passar o resto de sua vida na prisão. "Chorei todas as noites, os anos pareceram uma eternidade", relatou Michelle ao lembrar que quando foi sequestrada em 2002 tinha um filho de apenas dois anos que ficou "muito sozinho". Também falou uma parente de Gina, que comentou que a moça é "uma sobrevivente" e em espanhol, dirigindo-se diretamente a Castro, declarou: "Que Deus tenha piedade de sua alma". Por sua parte, antes de conhecer a sentença, Castro pediu perdão às jovens e suas famílias e sustentou que ele também é uma vítima ao falar dos abusos sexuais que diz ter sofrido quando era jovem e de seu vício em pornografia. "Não sou um monstro, estou doente", argumentou Castro. Além disso, relatou que na casa na qual manteve sequestradas as três mulheres havia "harmonia" e que as acusações de abusos sexuais são "falsas", já que, segundo ele, "muitas vezes" elas lhe pediram para fazer sexo. No último dia 6 de maio, em uma distração de Castro, Amanda Berry conseguiu escapar e pedir socorro a gritos. Um vizinho, Charles Ramsey, saiu em seu resgate e ajudou a jovem a quebrar a porta da casa na qual estava presa. Amanda revelou então que na casa havia mais pessoas reclusas contra sua vontade: Gina, Michelle e sua própria filha, de seis anos, fruto dos abusos de Castro. Após o resgate, os vizinhos não saíram de seu assombro e asseguraram que em nenhum momento suspeitaram que Castro poderia ser responsável pelos sequestros, dois dos quais, os de Gina e Amanda, eram muito conhecidos pela comunidade. Os pais de Gina, também de origem porto-riquenha, organizavam vigílias a cada aniversário de seu desaparecimento, no dia 2 de abril. O caso de Amanda, cuja mãe morreu em 2006 de ataque cardíaco, ainda estava aberto devido ao aparecimento de novas pistas durante estes anos que finalmente não deram resultado. O desaparecimento de Michelle em 2002 não tinha chamado atenção das autoridades porque consideraram que tudo indicava que tinha abandonado sua família voluntariamente, após ter perdido a custódia de um filho. EFE mb/rsd











