Silvio Berlusconi, o político incombustível
Internacional|Do R7
Carmen Postigo. Roma, 26 fev (EFE).- Silvio Berlusconi, líder da coalizão de centro-direita que surpreendeu nas eleições gerais italianas, revalidou sua condição de político incombustível graças à enorme virada nas urnas conquistada graças às suas promessas populistas e aos ataques à austeridade, pela qual culpa a "a hegemonia alemã". O segundo posto alcançado nesta segunda-feira, poucos décimos atrás da coalizão de centro-esquerda liderada por Pier Luigi Bersani, é atribuído pelos analistas em parte às promessas de "Il Cavaliere" de devolver aos contribuintes o imposto sobre o primeiro imóvel (IMU), instaurado em 2012 por seu sucessor à frente do Governo, o tecnocrata Mario Monti, e de criar quatro milhões de empregos. Além disso, Berlusconi prometeu uma anistia fiscal total para os que têm dinheiro em contas no exterior. Apesar das críticas de seus oponentes sobre a falta de fundos nos cofres do Estado para financiar suas promessas, Berlusconi não se assustou e reiterou que não duvidará em realizá-las, mesmo quando apenas a devolução do IMU significa o desembolso 4 bilhões de euros. Outro de seus cavalos de batalha na campanha foi o suposto "complô internacional" para derrubá-lo em 2011, além de acusar Monti de cumprir os ditames da chanceler alemã, Angela Merkel. O segredo de "Il Cavaliere" consistiu em várias aparições públicas na televisão tanto nos três canais de seu império midiático, "Mediaset", como na pública "RAI", onde oferece uma imagem muito distante daquela do "bunga bunga", as festas eróticas que realizava em suas residências de Arcore, em Milão, ou da ilha de Sardenha. Consciente que sua imagem pública se viu seriamente prejudicada há dois anos por aspectos de sua vida privada, como o chamado caso "Ruby", Berlusconi se desfez de qualquer detalhe que pudesse lhe relacionar com mulheres e até a sua namorada, Francesca Pascale, de 28 anos, foi afastada da campanha. A virada eleitoral aconteceu apesar de o ex-primeiro-ministro ter julgamentos pendentes como o caso "Ruby", no qual está acusado de incitação à prostituição de menores e abuso de poder, cuja última audiência será no próximo dia 11 de março, e no qual os promotores sustentam que Berlusconi, de 76 anos, manteve relações sexuais com uma menor de idade. Também tem pendente o processo por um delito de fraude fiscal no chamado caso Mediaset e o caso Unipol, relacionado com a publicação de escutas telefônicas de procedência ilícita no jornal "Il Giornale", propriedade de seu irmão Paolo. Apesar de seus desatinos, como as recentes declarações sobre Benito Mussolini, sobre quem disse que, excluindo as leis raciais, "houve coisas que fez bem", os eleitores parecem não querer castigá-lo. EFE cps/rsd












