Internacional Sudão: Ex-presidente é acusado de incitar morte de manifestantes

Sudão: Ex-presidente é acusado de incitar morte de manifestantes

Acusação foi formulada com base em denúncia do assassinato de médico, que foi baleado à queima-roupa, enquanto cuidava de um ferido em protesto

Ex-presidente é acusado de incitar morte de manifestantes

Ex-presidente é acusado de incitar morte de manifestantes

Wikimedia Commons

O Ministério Público do Sudão acusou nesta segunda-feira (13) o ex-presidente Omar al Bashir da morte de manifestantes durante os protestos que começaram em dezembro e que levaram à sua queda em 11 de abril, em meio a um clima de instabilidade e após a morte de dezenas de pessoas.

Em comunicado, a promotoria acusou Bashir, entre outras pessoas, de "incitar e participar da morte de manifestantes durante os últimos eventos".

A acusação foi formulada com base na denúncia do assassinato "de Babikir Abdelhamid, que morreu na zona de Burri", em referência ao médico sudanês que faleceu em 17 de janeiro por um tiro à queima-roupa enquanto tentava cuidar dos feridos na manifestação, denunciaram opositores e organizações de direitos humanos.

Além disso, a promotoria pediu "uma rápida investigação em torno das denúncias de assassinatos nos últimos eventos", sem dar mais detalhes a respeito.

Em 25 de abril, o diretor de Saúde do estado de Cartum, onde está situada a capital sudanesa de mesmo nome, Babakr Mohammed Ali, anunciou que 53 pessoas morreram e milhares ficaram feridas no estado de Cartum e nas regiões vizinhas desde o começo das manifestações em 19 de dezembro de 2018, segundo o único número oficial apresentado até o momento.

As organizações de direitos humanos e a oposição denunciaram durante os últimos meses o uso excessivo da força por parte da polícia.

Com essa acusação, já são três as causas e investigações abertas contra Bashir desde a sua queda.

Em 20 de abril, o Ministério Público ordenou a abertura de uma investigação por lavagem de dinheiro e posse de grandes quantidades de moeda estrangeira contra o ex-presidente, após a polícia encontrar em sua residência mais de 6 milhões de euros, US$ 351 mil e 5 milhões de libras sudanesas (US$ 105 mil), por isso poderia ser condenado a até 10 anos de prisão.

Na semana passada, um grupo de advogados apresentou uma denúncia contra Bashir por minar o sistema constitucional com o golpe de Estado liderado em 1989.

Omar al Bashir, destituído em 11 de abril pelas forças armadas, está detido em uma prisão de segurança máxima em Cartum.