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Tanzânia faz teste de gravidez em alunas e expulsa gestantes da escola

O presidente do país africano afirmou que em sua administração nenhuma aluna grávida poderá voltar para a escola. 'Ela escolheu esse tipo de vida'

Internacional|Carolina Vilela*, do R7 com agências internacionais

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Estima-se que, por ano, 8 mil meninas são expulsas das escolas por engravidarem
Estima-se que, por ano, 8 mil meninas são expulsas das escolas por engravidarem

Escolas estão obrigando meninas a partir de oito anos a fazerem testes de gravidez na Tanzânia. As informações são da rede de notícias CNN.

De acordo com a rede, as meninas são expulsas da escola caso o teste dê positivo e não têm permissão para voltar a estudar depois de ter o filho.

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"Na minha administração, nenhuma menina grávida vai voltar para a escola... ela escolheu esse tipo de vida, deixe-a cuidar da criança", afirmou o presidente John Pombe Magufuli, que assumiu o cargo em 2015, em uma manifestação pública em 2017.

Segundo a publicação da CNN, o decreto presidencial de Magufuli vai diretamente contra os esforços do governo anterior para introduzir uma política de reingresso escolar para mães adolescentes.

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Não existe um número exato de quantas meninas já foram expulsas da escola por estarem grávidas, mas um grupo de defesa internacional, o Centro de Direitos Reprodutivos, com sede nos Estados Unidos, estima que, desde 2013, mais de 8.000 garotas têm o direito à educação cortado todos os anos.

Em relato para a emissora, duas alunas contaram que tiveram que "desistir dos sonhos" por conta do decreto do presidente. Uma delas, Lilian, já esperava um bebê quando Magufuli fez seu discurso sobre a expulsão de alunas grávidas. "Eu queria alcançar meus objetivos, mas fui forçada a interrompê-los, ficar em casa e esperar por outra oportunidade", desabafou a ex-aluna, que hoje mora com a filha em um abrigo para mulheres vulneráveis.

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A outra garota, Elifuraha, contou que tinha o sonho de entrar para o exército da Tanzânia, mas por conta da gravidez, não conseguiu terminar os estudos e, assim, não completou a escolaridade suficiente para atender aos requisitos necessários. "Se as coisas não fossem assim, eu adoraria voltar para a escola", afirmou.

O país usa de uma cláusula em uma lei de educação de 2002 que da às escolas a permissão necessária para expulsar as estudantes.

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"(Uma menina grávida) é um mau exemplo para outros estudantes", afirmou a enfermeira Anna Ulimboka, que supervisiona o teste de gravidez na Escola Secundária de Arusha, cidade no norte da Tanzânia, que realiza os exames nas alunas duas vezes ao ano, segundo a CNN. "Antes de começarmos os testes, muitas garotas costumavam engravidar enquanto estavam na escola, mas ao verem que estavam sendo examinadas antes e depois de suas férias, passaram a evitar ter relacionamentos com garotos"

Em um contraponto, a advogada do Centro Jurídico e de Direitos Humanos na Tanzânia, Shilinde Ngalula, afirmou em uma entrevista à emissora que a ordem do presidente do país viola a Constituição da Tanzânia, que inclui o direito à educação. "Por causa da ordem do presidente, você pune sem sequer considerar como a menina engravidou. Há muitos casos... uma garota pode engravidar em um estupro ou em casamentos forçados. Não é culpa dela".

*Estagiária do R7 sob supervisão de Ana Luísa Vieira

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