Tempestade Eunice atinge Europa e deixa seis mortos
Fortes ventos derrubaram árvores e destelharam casas e até importantes estádios e arenas espalhados pelo continente
Internacional|Do R7

A tempestade Eunice atingiu o Reino Unido e a Irlanda nesta sexta-feira (18) antes de se deslocar para o norte do continente europeu, deixando seis mortos e grandes interrupções no transporte.
Centenas de voos, trens e balsas foram canceladas no noroeste da Europa devido aos fortes ventos de mais de 195 km/h, que bateram recordes no sul da Inglaterra, menos de 48 horas depois que a tempestade Dudley deixou pelo menos cinco mortos no continente.
Um homem de 60 anos morreu no sudeste da República da Irlanda ao ser atingido pela queda de uma árvore, informou a polícia.
Duas pessoas — uma delas em um carro — morreram devido à queda de árvores na Holanda, de acordo com os serviços de emergência locais, que elevaram seu nível de alerta ao máximo.
Na Bélgica, um homem de 79 anos que morava em um barco na marina de Ypres, no oeste do país, morreu ao cair na água, segundo a imprensa local.
Em Londres, uma mulher de 30 anos foi morta por uma árvore que caiu em seu carro. Perto de Liverpool, um homem de 50 anos morreu após seu veículo ser atingido por destroços, segundo a polícia britânica.
Na costa sul da Inglaterra, a tempestade levantou uma onda violenta. Em Londres, as ruas ficaram quase desertas.
"Peço a todos os londrinos que fiquem em casa, não se arrisquem e não viajem a menos que seja absolutamente essencial", declarou o prefeito Sadiq Khan, alertando para o fato de que "ventos extremamente fortes na capital podem provocar a queda de escombros e danos aos edifícios", pondo em risco a vida de pessoas.
Dominando a cidade a partir da margem sul do rio Tâmisa, a London Eye, a roda-gigante mais alta da Europa e a terceira maior do mundo, com 135 metros de altura, permaneceu fechada para "a segurança dos visitantes".
O serviço meteorológico britânico havia colocado o sudoeste da Inglaterra e o sul do País de Gales em alerta vermelho — o nível mais alto — no dia anterior, mas nesta manhã emitiu um segundo alerta máximo, desta vez para o sudeste do país, que pela primeira vez desde que esse sistema começou a ser usado, em 2011, inclui Londres.
Mais de 70 mil casas ficaram sem eletricidade na Inglaterra e cerca de 80 mil na vizinha Irlanda. As autoridades alertaram para a possibilidade de inundações graves e um "risco particularmente alto" de acidentes nas rodovias. Várias escolas permaneceram fechadas.
"Todos devemos seguir os conselhos e tomar precauções para nos manter seguros", tuitou o primeiro-ministro Boris Johnson, enquanto o secretário de Estado para a Segurança, Damian Hinds, pediu à população que "fique em segurança", enfatizando que o Exército está pronto para lidar com o efeitos de Eunice, uma das tempestades mais violentas em três décadas.
Cerca de 130 mil residências ficaram sem energia na tarde de sexta-feira no norte da França, afirmou a rede elétrica Enedis em comunicado.
Norte da Europa em alerta
Depois de atingir o Reino Unido, a tempestade se dirigiu para a Dinamarca, onde a ponte Storebaelt, uma das mais longas do mundo, quase certamente permanecerá fechada durante a maior parte da noite.
Com ondas de 4 m na costa atlântica, a França pôs cinco departamentos em alerta laranja e a operadora ferroviária do país anunciou interrupções em linhas regionais.
Na Holanda, o serviço meteorológico emitiu um alerta vermelho e centenas de voos foram cancelados, segundo a mídia local. Os trens tiveram que permanecer parados à tarde.
O tráfego ferroviário também foi interrompido no norte da Alemanha e na Bélgica, onde o vento, de até 140 km/h, desprendeu uma parte do telhado do estádio de futebol de Ghent, fazendo com que um jogo da primeira divisão marcado para a noite de sexta-feira fosse adiado.
Leia também
Também em Londres, as violentas rajadas rasgaram grande parte da lona que cobre a O2 Arena, deixando imagens de devastação.
Embora as mudanças climáticas geralmente aumentem e multipliquem eventos extremos, seu impacto não é tão claro no caso de ventos violentos e tempestades (excluindo ciclones tropicais), cujo número varia muito de ano para ano.
O último relatório dos especialistas em clima da ONU, publicado em agosto, estima, com grau de certeza muito baixo, que pode estar havendo um aumento das tempestades no Hemisfério Norte desde a década de 1980.










