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Tunísia é palco de novos confrontos após assassinato de líder opositor

Policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes

Internacional|Do R7

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Manifestantes e policias na avenida Habib Bourguiba, durante protesto pela morte de líder opositor ao governo
Manifestantes e policias na avenida Habib Bourguiba, durante protesto pela morte de líder opositor ao governo

A polícia lançou nesta quinta-feira (7) bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes no centro da Tunísia após o assassinato na véspera de um líder opositor e de protestos contra o poder islamita, que o primeiro-ministro tentou apaziguar anunciando a formação de um novo governo.

Quatro partidos políticos convocaram uma greve geral para sexta-feira (8), dia do funeral de Chokri Belaid, assassinado a tiros na quarta-feira (6) na capital tunisiana. No entanto, a poderosa central sindical UGTT, cuja capacidade de mobilização é importante, ainda não se pronunciou a respeito.


Embora os partidos de oposição e os sindicatos não tenham convocado manifestações para hoje, os observadores destacam que os protestos da véspera foram numerosos e espontâneos, estimulados pelas acusações de pessoas próximas de Belaid que alegavam que o poder islamita estava por trás do assassinato.

Estes distúrbios deixaram um morto entre os policiais, e várias sedes do partido islamita Ennahda, que dirige o governo após as eleições de outubro de 2011, foram incendiadas ou saqueadas em várias regiões do país.


Nesta manhã, policiais mobilizados na avenida Habib Bourguiba, palco dos confrontos na véspera, lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes.

O local, símbolo da revolução de janeiro de 2011, que derrubou o regime de Zine El Abidine Ben Ali, já recebia desde cedo atenção especial das forças de segurança.


Ônibus, caminhonetes e furgões policiais foram mobilizados e a circulação foi proibida em torno do ministério do Interior.

Os confrontos entre policiais e manifestantes explodiram quando estes últimos se aproximavam do ministério do Interior, localizado na avenida.


Antes, a polícia havia pedido que não fossem lançadas pedras durante a manifestação.

Nuvens de gás se estenderam por toda a avenida, enquanto a polícia perseguia com cassetetes os manifestantes nas ruas próximas.

Veja as principais imagens desta quinta-feira (7)

A imprensa tunisiana temia que o assassinato de Chokri Belaid, homem de esquerda e crítico dos islamitas, afundasse o país em um círculo de violência, embora espere que a formação de um novo governo ajude a desativar as tensões.

Este assassinato, que tem claramente o caráter de assassinato político, não tem precedentes na história moderna da Tunísia, mas a imprensa em geral considerara positiva a decisão do primeiro-ministro islamita, Hamadi Jebali, de formar um novo governo de tecnocratas "até que sejam realizadas eleições, o quanto antes".

Jebali não forneceu, no entanto, nenhuma data para a formação do novo governo.

Além disso, nem seu partido, dividido entre uma ala moderada representada pelo primeiro-ministro e outra radical, nem seus aliados laicos, entre eles o Congresso para a República (CPR) do presidente Moncef Marzouki, reagiram até o momento ao anúncio de remodelar o executivo.

Vozes da oposição também se levantaram para exigir a dissolução da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), que há 15 meses não consegue redigir uma Constituição devido à ausência de consenso de dois terços dos deputados.

Os sindicatos de advogados, de magistrados e da procuradoria, assim como os professores da principal universidade tunisiana, La Manouba, nos arredores da capital, anunciaram que estarão em greve a partir desta quinta-feira.

Há meses, este país do norte da África sofre violências políticas e sociais, em um contexto de esperanças frustradas após a revolução de 2011.

Nos últimos meses, partidos de oposição e sindicalistas acusaram milícias pró-islamitas de ataques contra opositores.

Algumas milícias próximas ao Ennahda foram acusadas de orquestrar ataques contra a oposição, entre eles o assassinato de um opositor mortalmente espancado por manifestantes.

Um opositor, chefe do Partido Republicano (centro) tunisiano, Ahmed Nejib Chebbil, declarou hoje que "figurava em uma lista de personalidades que deveriam ser assassinadas" e que se beneficiava de proteção oficial, em uma entrevista à rádio francesa RTL.

— Sou ameaçado. O ministério do Interior me informou oficialmente há quatro meses que estava em uma lista de personalidades a assassinar. O presidente me concedeu guarda-costas há três ou quatro meses.

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