Uma semana após tufão, corpos seguem acumulados nas ruas e aumentam riscos de epidemias nas Filipinas
Moradores de Tacloban recebem pouco atendimento médico após passagem de tufão
Internacional|Do R7
Os residentes da cidade filipina de Tacloban, arrasada pelo tufão Haiyan há uma semana, sofrem com a precariedade dos serviços sanitários por conta de sua destruição, o que dificulta o tratamento médico e psicológico das vítimas na região central das Filipinas.
Na porta de um dos principais centros médicos da cidade, o Bethany Hospital, um enorme cartaz de "fechado" indica que o lugar, que ficou completamente arrasado, não está operando, por isso que a assistência médica na cidade é muito limitada.
No aeroporto, de acesso limitado, uma longa fila de pessoas espera para serem atendidas em um centro médico improvisado, enquanto os fuzileiros navais americanos tentam ajudar atendendo algumas pessoas na pista.
Uma vítima deste pouco atendimento médico é Mary Grace Golondrina, que, junto aos parentes que conseguiram sobreviver, se refugia em uma estrutura de concreto.
A jovem, com grandes cortes no rosto e ferimentos nas pernas, conta que no hospital se limitaram a limpar os ferimentos, mas que não puderam fazer mais.
— No hospital não me deram nenhum tipo de remédio. Me disseram que não tinha nada, portanto tive que voltar para casa com as mãos vazias.
Visivelmente afetada pela traumática experiência, fica impossível contar o que aconteceu quando Haiyan chegou. Trêmula e incapaz de manter o olhar, Mary afirma que a única coisa que quer agora é sair com sua família de Tacloban.
— Já não queremos estar aqui, esta já não é nossa casa e este lugar é muito perigoso.
O Ministério da Saúde filipino pediu que a AECID se encarregue de consolidar o serviço no principal hospital da zona e tramite a coordenação com o resto de centros sanitários.
Corpos pelas ruas
Os serviços do Ministério da Saúde e equipes de bombeiros vindos de todas partes do país tratam de evitar que ocorram epidemias com o recolhimento constante de corpos que ainda, uma semana depois do tufão, estão acumulados nas poucas ruas transitáveis da cidade.
Enormes caminhões passeiam pelas ruas e vão amontoando em seu interior o grande número de vítimas mortais perante o olhar despreocupado dos residentes da zona, que parecem estar acostumados já com a presença dos corpos.
Pouco a pouco os residentes de Tacloban tentam reconstruir sua vida, que ficou completamente arrasada pelo tufão Haiyan, enquanto esperam ainda que o governo reparta água e comida suficiente para poder sobreviver.
Com os restos que ficaram das casas que se encontravam junto à estrada que leva ao aeroporto, alguns filipinos começaram a construir precárias estruturas com cravos velhos e oxidados e frágeis fitas de seda de madeira até molhados.
Desta forma, os residentes desta zona da cidade, na qual só ficaram de pé algumas estruturas de concreto, tratam de se proteger das intensas trombas d'água de água que caracterizam o clima tropical.
Entre os escombros, que em algumas áreas alcança 2 m de altura, Ernesto Reto, que trabalhava como garçom em um restaurante de hambúrgueres, trata de reconstruir seu lar com a pouca força que resta após ter perdido seis membros de sua família.
"Perdi minha mulher, meu filho de 4 meses e outros quatro parentes. Todos eles desapareceram, não sei onde estão", explica à agência Efe este sobrevivente.
— Mas graças a Deus encontramos vivo meu filho de 11 anos, que estava a 2 km do restaurante no qual trabalho, onde conseguimos nos refugiar.
Ernesto se queixa que só vê as autoridades "passarem na frente de sua casa muitas vezes, mas nunca param para perguntar por nosso estado" e assegura que a ajuda que distribuem é mínima e insuficiente.
— Nos deram um pouco de arroz, umas latas e um litro de água; e isso é para uma família de dez membros. Isso é a única coisa que fizeram.










