Venezuelanos aproveitam preços baixos da "guerra econômica" de Maduro
Internacional|Do R7
Por Diego Oré
CARACAS, 14 Nov (Reuters) - Milhares de venezuelanos estão formando longas filas para aproveitar os descontos no comércio ordenados pelo presidente Nicolás Maduro como parte de uma "ofensiva econômica" contra a inflação.
Carregando televisores, pesadas lavadoras e até roupas e tênis, muitos se aglomeram em lojas e shoppings centers que desde o fim de semana vêm sendo visitados por fiscais e militares para obrigar esses estabelecimentos a reduzir os preços.
Para os seguidores do presidente, a decisão é um gesto de honestidade daquele que tem sido apelidado de "presidente justiceiro". Mas os opositores apontam uma medida populista, a apenas três semanas das eleições municipais que serão o primeiro termômetro eleitoral de Maduro como presidente.
"Não haverá volta depois desta sacudida, não haverá volta. Eu disse durante meses e eles achavam que eu estava tirando um barato", disse Maduro na noite de quarta-feira.
O presidente tenta domar a inflação mais alta das Américas, a escassez de produtos e o fraco crescimento econômico que abalam sua popularidade e os bolsos de seus compatriotas, enquanto acusa seus adversários políticos por isso.
No fim da semana passada, ele determinou a ocupação de uma rede de eletrodomésticos acusada de vender a preços exorbitantes e obrigou a empresa a reduzir suas margens de lucro até aquilo que o governo considera "justo".
Nos dias seguintes, a ofensiva atingiu um fabricante de baterias elétricas, distribuidoras de autopeças e lojas de roupas e calçados, num estilo que lembrava o do antecessor e padrinho político de Maduro, o falecido líder socialista Hugo Chávez.
Alguns venezuelanos, mais exaltados, saquearam lojas, sobretudo no interior do país. Cerca de 30 pessoas foram presas, entre comerciantes e saqueadores.
Segundo o governo, apenas 5 de 1.400 estabelecimentos inspecionados até quarta-feira vendem seus produtos "a preços justos".
Muitos comerciantes se queixam de terem sido obrigados a reduzir seus preços em situações nas quais, por causa da escassez de dólares ao câmbio oficial, precisaram adquirir seus produtos com o câmbio paralelo, cuja cotação chega a nove vezes a do dólar oficial, vendido a 6,30 bolívares.
"Baixamos tudo uns 10 a 15 por cento, mas não é justo. Eu não tenho nem um dólar oficial. Tudo é esforço próprio. Agora tenho dificuldade para fazer lucros. Inclusive com alguns produtos vou ter prejuízo", disse o dono de uma pequena loja de eletrodomésticos em Caracas.
"Acho que deveriam ter ido atrás dos peixes grandes, os verdadeiros especuladores, mas correm o risco de pegarem todos", acrescentou o varejista, que pediu anonimato.












