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Vitória apertada do herdeiro de Chávez acirra polarização na Venezuela

Internacional|Do R7

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Por Pablo Garibian e Enrique Andres Pretel

CARACAS, 15 Abr (Reuters) - Nicolás Maduro, o herdeiro político de Hugo Chávez, venceu a eleição presidencial de domingo por uma vantagem surpreendentemente pequena, que a oposição não reconheceu, avivando as tensões políticas na Venezuela.

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Maduro, ex-sindicalista de 50 anos que ascendeu ao topo do chavismo por sua lealdade, teve 50,66 por cento dos votos, contra 49,07 por cento do oposicionista Henrique Capriles. O atual presidente interino terá assim mandato até 2019.

As autoridades eleitorais disseram que o resultado eleitoral mais acirrado em quase meio século é "irreversível", mas o comando da campanha oposicionista afirmou que 3.000 irregularidades registradas durante o dia da votação, somadas aos votos dados no exterior, podem alterar as cifras.

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"Eu ganhei, ganhei por quase 300 mil votos", disse Maduro diante de milhares de seguidores no palácio presidencial de Miraflores.

"Saberemos o que fazer se alguém levantar sua insolente voz contra o povo", acrescentou ele em tom desafiador, assegurando que seus adversários buscam desestabilizar a "revolução socialista" iniciada por Chávez, que passou 14 anos como presidente e morreu em 5 de março, vítima de câncer.

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Capriles afirmou que irá ignorar o resultado até que haja uma recontagem "voto a voto". No entanto, não convocou seus partidários para que saiam às ruas.

"Esse resultado não reflete a realidade", disse o governador do Estado de Miranda, de 40 anos. "É um sistema que está se derrubando, parece um castelo de arena, que se encostarem nele cai", acrescentou.

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O resultado desafiou todas as pesquisas, que apontavam uma clara vitória governista.

O novo líder venceu por uma margem de 230 mil votos, uma sombra dos mais de 1,5 milhão de votos que foram a vantagem de Chávez sobre o mesmo Capriles na eleição presidencial de outubro, quando o líder socialista conquistou um quarto mandato, que não chegou a assumir.

Após o anúncio dos resultados, chavistas festejaram com danças e rojões, e a oposição bateu panelas e reclamou de fraudes, numa tensa apoteose de uma campanha breve, dominada por insultos pessoais ao invés de propostas concretas.

"Capriles deve se queixar ao mundo, é preciso revisar urna por urna", disse o pedreiro Fernando Cabrera, 48 anos, que votou no candidato oposicionista.

Entre os chavistas, o sentimento foi de uma vitória agridoce. "Por um lado estamos felizes, mas o resultado não é exatamente o que se esperava", disse o técnico de informática Gregory Belfort, de 32 anos, que participava da festa no centro de Caracas.

MOMENTO DIFÍCIL

Após a apertada vitória, Maduro terá pela frente enormes desafios econômicos de curto prazo, como as pressões sobre as finanças públicas, a inflação em alta e um grave desabastecimento de produtos básicos.

Além disso, ele enfrentará um país agudamente polarizado. O resultado deixa Maduro debilitado, e ele poderá enfrentar pressões de rivais dentro do próprio chavismo, uma heterogênea mistura de socialistas radicais, políticos pragmáticos, militares conservadores e empresários, antes unidos sob a indiscutível liderança de Chávez.

A campanha dele se baseou em divinizar a figura de Chávez, mas aparentemente muitos venezuelanos preferiram levar em conta questões como a criminalidade, os problemas no serviço público e a corrupção.

Sem o carisma do antecessor, Maduro promete ser o garantidor dos enormes programas sociais mantidos pelo rendimento petrolífero, e que garantem subsídios alimentares, atendimento médicos e moradias.

De imediato, seu triunfo permite um suspiro de alívio de aliados como Cuba, Bolívia ou Nicarágua, cujas econômicas dependem da compra de petróleo venezuelano a preços preferenciais.

Mas resta ver como o governo enfrentará as crescentes distorções econômicas geradas pelo controle estatal sobre o câmbio e os preços, o que asfixia o setor privado e pressiona perigosamente a economia.

"Este é o momento mais delicado na história do chavismo desde 2002", disse o analista Javier Corrales, do Amherst College, dos EUA, referindo-se ao breve golpe de Estado de exatos 11 anos atrás.

"A oposição poderá não aceitar facilmente esses resultados, e será difícil para Maduro demonstrar ao alto comando chavista que ele ainda pode ser um bom líder."

(Reportagem adicional da Redação Caracas)

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