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Paciente relata sequelas em procedimentos com médico investigado por morte de empresária em Goiânia

Outras pacientes de Lessandro Martins têm relatado, nas redes sociais, reclamações contra o profissional

JR na TV|Do R7

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Uma segunda paciente relata ter ficado com sequelas depois de realizar procedimentos estéticos com o mesmo médico investigado pela morte de uma empresária em Goiânia (GO). Ângela conta que fez duas cirurgias com o médico Lessandro Martins, mas não ficou satisfeita com o resultado de nenhuma delas. A paciente diz que teve um fio de sustentação colocado no rosto sem autorização.  

O médico é o mesmo que operou Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos. Ela morreu depois de passar por pelo menos quatro procedimentos estéticos no mesmo dia. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica alerta para os riscos de associar vários procedimentos em uma única cirurgia. 

Outras pacientes de Lessandro Martins têm relatado, nas redes sociais, reclamações contra o profissional. O médico nega irregularidades, diz que vai colaborar com as autoridades e que a investigação vai demonstrar que sua conduta foi correta. 

Sobre o caso, a defesa do médico Lessandro Paiva Martins divulgou a nota a seguir:

“A defesa do Dr. Lessandro Paiva Martins lamenta profundamente o falecimento de Andreia Vieira Gaspar, ocorrido em 12 de agosto de 2026, e manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos.

Acima de qualquer questão técnica, estão a perda de uma vida e a dor de uma família. Desde o início, o médico tem colaborado ativamente com a apuração dos fatos, apresentando toda a documentação que comprova o cumprimento dos protocolos adotados.

Os exames imprescindíveis foram solicitados, inclusive a avaliação de risco cirúrgico. A paciente foi avaliada e liberada por seu médico particular para a realização da cirurgia. Eletrocardiograma, raio-X de tórax e análises laboratoriais foram avaliados e estavam adequados; os resultados não indicavam infecção nem apontavam impedimento para a intervenção.

Andreia fazia uso de terapia hormonal, composta por testosterona em gel, estradiol em gel e progesterona micronizada por via oral, informação que havia sido comunicada à equipe do Dr. Lessandro. Como medida de cautela, foi orientada a suspensão da terapia hormonal uma semana antes da cirurgia. De acordo com a avaliação médica, considerando as medicações utilizadas e suas vias de administração, o esquema hormonal não representava, por si só, risco trombótico aumentado relevante que impedisse a realização do procedimento.

A equipe do Dr. Lessandro também estava ciente de que a paciente viria de Madrid, na Espanha, para o Brasil antes da cirurgia. Há registro de contato da própria paciente com a equipe, cerca de uma semana antes do procedimento, informando que já se encontrava no país. Considerando seu perfil clínico, os exames pré-operatórios dentro da normalidade e a ausência de fatores de risco trombótico conhecidos relevantes, o intervalo entre a viagem aérea e a cirurgia foi considerado adequado, e não havia contraindicação ao procedimento em razão do deslocamento.

Andreia também passou por consulta presencial com o Dr. Lessandro antes do procedimento. Foi indicada e realizada uma cirurgia facial, considerada um ato cirúrgico único, com duração adequada e dentro dos parâmetros da medicina.

A intervenção ocorreu em estabelecimento devidamente habilitado, com estrutura compatível e em conformidade com as exigências aplicáveis, contando também com suporte de UTI móvel.

Cabe o registro de que tudo transcorreu normalmente, inclusive no pós-operatório. A paciente se alimentou, conversou e estava bem até passar mal horas depois.

Após a intercorrência, o Dr. Lessandro foi avisado e participou, em conjunto com outros médicos, das manobras de reanimação, que se estenderam por cerca de duas horas na tentativa de reverter o quadro.

Segundo a necropsia realizada pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), foi identificada trombose coronariana aguda em tronco da artéria coronária esquerda, em coração livre de doença aterosclerótica, além de infartos pulmonares bilaterais. O óbito foi classificado como decorrente de causa natural.

Três pareceres elaborados por profissionais distintos e independentes analisaram o caso e concluíram, de forma convergente, que não há nexo causal, direto, indireto ou concausal, entre a atuação do Dr. Lessandro e o óbito, tampouco elementos que caracterizem negligência, imprudência ou imperícia.

Em 28 de agosto de 2026, foi realizada a exumação do corpo para avaliações complementares, cujos resultados ainda são aguardados.

A defesa seguirá à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários.”

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