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Uso de rebite preocupa nas estradas e atinge quase três em cada dez caminhoneiros

Pesquisa revela que 28% dos motoristas utilizam substâncias para se manterem acordados

JR na TV|Do R7

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O Brasil vive uma realidade preocupante nas estradas: três em cada dez caminhoneiros admitem usar algum tipo de droga para se manterem acordados durante as viagens. Um risco para o próprio profissional e para os outros motoristas. 

Há 20 anos na profissão, um caminhoneiro que preferiu não se identificar admite que já recorreu à anfetamina, também conhecida como rebite. “Eu tomava rebite pra conseguir fazer o meu horário tranquilo. Eu cheguei a tomar 10 comprimidos por noite”. 

Quase 28% dos caminhoneiros usam alguma substância para trabalhar, segundo uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes Autônomos. 35% deles consomem o rebite. 

“Quanto mais espaços o caminhoneiro tiver, pontos de descanso adequados, menor vai ser a chance de ele ter acesso a esse tipo de rebite e a outras substâncias e, consequentemente, melhor vai ser a vida dele”, afirma o representante da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, Alan Medeiros. 

Dirigir um caminhão por horas seguidas exige atenção constante. Mas especialistas alertam que, quando o sono é combatido artificialmente por estimulantes, como o rebite, o motorista pode perder reflexos e comprometer a capacidade de reação diante de uma situação de risco ao volante. 

“A curto prazo, ele pode sofrer um acidente porque ele não percebe que entrou em estado de exaustão. O uso excessivo dessas substâncias sobrecarrega o sistema cardiovascular, ou seja, leva a taquicardia, aumenta a pressão arterial, afetando também outros órgãos, como fígado e rins”, explica o médico toxicologista Álvaro Pulchinelli. 

A apreensão de 45 mil comprimidos pela Polícia Rodoviária Federal, em Goiás, mostra que o problema é nacional. Ano passado, o uso de substâncias causou 62 acidentes. Três pessoas morreram. 


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