‘A gente sente vergonha’, diz professor que caiu no golpe do ‘Boa noite, Cinderela’ em MG
Duas mulheres foram presas suspeitas de aplicar o golpe em BH; vítima decidiu falar para incentivar outras pessoas a denunciar
Minas Gerais|Arnon Gonçalves e Cler Santos, do R7 e Alice Brito, da RECORD Minas
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

“Me lembro muito pouco”, conta um professor de Belo Horizonte que denuncia ter caído no golpe “Boa noite, Cinderela”, após conhecer uma mulher em um bar da capital mineira. A autora do crime, e uma comparsa, foram presas nesta semana. Elas são suspeitas de já ter praticado o mesmo crime contra outras pessoas.
O golpe praticado por elas consistia em abordar os alvos em lugares públicos, como bares, e convencê-los a ir para casa. Em alguns casos, as vítimas já eram dopadas com sedativos ainda no estabelecimento, normalmente misturados na bebida. Quando conseguiam entrar nas residências, já com a vítima sem reação, aproveitavam para levar os pertences ou fazer transferências com as contas bancárias.
Apagão
O professor, que prefere não se identificar, conta que estava em um bar, na capital mineira, quando foi abordado pela golpista. “Eu cheguei em um bar e comecei a falar no telefone com um amigo. Aí a moça que estava do lado começou a conversar comigo, perguntando de onde eu era por causa do meu sotaque”.
A partir daí, as coisas começaram a ficar estranhas. Ele não se lembra muito em ordem cronológica, só de flashes. “Depois de um tempo eu comecei a me sentir um pouco estranho, diferente. Aí falei que estava indo embora e ia pedir um carro. Quando eu estava entrando no carro, a moça já estava do meu lado, falando que ia me ajudar. Quando dei por mim ela já estava no carro sentada ao meu lado, mas não lembro quando ela entrou. Eu só tenho imagens indo pra casa”.
Em casa, ele conta que cada vez menos tinha noção do que estava acontecendo. Poucos minutos após entrarem no apartamento, o professor diz que apareceu uma segunda mulher. “Ela não estava no bar e eu acho que já estava tudo combinado entre elas. Porque quando procuramos as câmeras a segunda moça já estava dando voltas perto do bar e depois ela apareceu. Me lembro muito pouco. Dela sentada, das tatuagens e depois da amiga dela já dentro de casa. Depois disso já não me lembro de nada”
Prejuízo
A vítima só acordou no dia seguinte, por volta das 11h da manhã. Foi aí que se deu conta de que havia sido dopado e que vários pertences da casa tinham sido levados pelas golpistas. “Pegaram uma mala que eu tinha e colocaram várias coisas, jogos eletrônicos, computadores, óculos, roupas de cama e roupas pessoais. Saíram carregando. Mais de R$ 30 mil de prejuízo de coisas materiais e o dinheiro. Elas usaram meu cartão, fizeram compras, usaram o PIX. Um dos bancos devolveu o dinheiro, e outro não acreditou no que aconteceu e não quis devolver”.
Agora, com a prisão das golpistas, o professor disse ter criado coragem para trazer o caso à tona e incentivar outras vítimas, para que a justiça seja feita. “Já passou bastante tempo, eu já tinha até deletado isso da minha cabeça, deixado essa história negativa para trás. As coisas materiais eu dou elas por perdida, mas tem outras pessoas que podem ter sofrido o mesmo que eu. Muitas vezes a gente sente vergonha, do que a família vai falar, o que os amigos vão falar, então tomei a coragem de falar para prevenir e incentivar outras pessoas que passaram pelo mesmo que eu”, conta.
Outras vítimas
O caso de um médico, de 51 anos, que também foi vítimo das duas mulheres é investigado. Assim, como no caso do professor, ele conheceu as suspeitas em um bar na região central de Belo Horizonte. Segundo a PC, as mulheres ofereceram bebidas ao médico e, após o encontro, sugeriram que fossem para um hotel. No local, ele perdeu completamente a consciência e permaneceu desacordado por aproximadamente nove horas. Ele teve cartões bancários e celular subtraídos e sofreu prejuízos financeiros com compras e transações realizadas pelas investigadas.
Segundo a corporação, há indícios de que as duas mulheres sejam investigadas por ocorrências semelhantes em outras delegacias. Os registros policiais das suspeitas incluem diversos boletins de ocorrência e inquéritos em andamento. Uma delas também possui 20 passagens por crimes semelhantes.
Prisão
A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a prisão das duas mulheres. A investigação, a cargo da 4ª Delegacia Centro, começou em 30 de junho. Ao longo da apuração, a PC reuniu imagens de câmeras de segurança, registros bancários, depoimentos e informações. Além disso, os levantamentos identificaram transferências de valores entre diferentes contas bancárias.
No cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam um celular, um medicamento sedativo e documentos. Após a prisão, as duas mulheres foram encaminhadas ao sistema prisional. Diante da possibilidade de outras vítimas, a corporação pede que pessoas que tenham passado por situações semelhantes procurem a polícia para registrar a ocorrência. Denúncias também podem ser feitas de forma anônima.
Para o professor que sofreu o golpe, a prisão das mulheres é uma resposta da Justiça. “Espero que elas passem bastante tempo presas. Agora o sentimento é de que elas sejam punidas pelo que elas fizeram. E vou seguir em frente, continuar a vida”.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp


















