Audiência sobre caso de agressão envolvendo motoboy e cliente em BH termina sem acordo
Defesa do motociclista recusou proposta do acusado; denúncia será encaminhada para o Ministério Público
Minas Gerais|Akemí Duarte, da Record TV Minas e Arnon Gonçalves*, do R7

A audiência de conciliação entre um entregador de comida por aplicativo e o cliente, que se envolveram em uma briga após um desentendimento, no bairro Caiçara, terminou sem acordo. A sessão foi realizada nesta quinta-feira (24), no Juizado Especial Criminal.
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O entregador de comida, o cliente e o pai do cliente serão julgados pelo crime de lesão corporal, com pena de detenção de três meses a um ano. A audiência desta quinta-feira (24) seria para que as partes pudessem entrar em um acordo, que não foi concretizado.
Pai e filho, envolvidos na confusão, foram ouvidos de forma remota. A defesa dos dois aceitou a proposta do Ministério Público de inclusão e frequência deles em um grupo de pessoas em situação de conflito por 2 meses, com 8 sessões nesse período.
Mas a defesa do motoboy recusou a proposta. Eles alegaram que, diante de novas imagens, do prontuário médico e do laudo do Instituto Médico Legal (IML), as lesões do entregador podem ter sido causadas por uma arma branca, como faca ou canivete, e não pela muleta.
Como a audiência terminou sem acordo, o caso será encaminhado novamente ao Ministério Público com as novas provas. A advogada do motociclista pediu, também, que seja aberta uma investigação sobre a ocultação da arma utilizada no dia e que seja apurado uma possível fraude processual, já que os agressores não teriam apresentado a arma no momento da ocorrência policial.
Outra denúncia
Nesta semana, a defesa do entregador conseguiu junto ao Ministério Público mudar a ocorrência registrada na Polícia Militar no dia do ocorrido. O motoboy aparecia como único autor das agressões e os outros dois envolvidos como vítimas. Agora todos aparecem como agressores e vítimas.
Além disso, a defesa dele registrou um novo boletim de ocorrência alegando que, no dia da confusão, o entregador teria sofrido ataques raciais. A polícia ainda investiga a denúncia.
Relembre o caso
A discussão entre o entregador de comida por aplicativo e clientes que terminou em agressão física aconteceu no dia 15 de agosto, no bairro Caiçara, na região nordeste de Belo Horizonte.
Segundo a Polícia Militar, ao chegar ao endereço, o entregador teria pedido o código de confirmação do pedido para os clientes, pai e filho, de 44 e 24 anos, porém, eles não quiseram passar. A partir daí, teria começado a discussão.
Na versão dos clientes, o motoboy teria desviado do local da entrega durante o trajeto e, aí, suspeitaram que ele teria comido a feijoada. Por conta disso, pediram para ver a entrega, antes de passar o código. Como ambas as partes não chegaram a um consenso, passaram da discussão para as agressões. O motoboy chegou a ser agredido por um parente dos clientes com uma muleta.
Após a confusão, o motoboy foi encaminhado ao Hospital Odilon Behrens, na região nordeste de Belo Horzionte. Ele sofreu vários ferimentos na cabeça, peito e em um dos braços. O entregador passou por exames, foi medicado e teve alta no final da noite. As outras partes não tiveram ferimentos mais sérios e foram para a delegacia. Ambos os envolvidos devem responder pelo crime de lesão corporal.
*Estagiário sob supervisão de Maria Luiza Reis















