Minas Gerais Auditora confirma contratação fora das normas internas da Cemig

Auditora confirma contratação fora das normas internas da Cemig

Débora Martins prestou depoimento em CPI e disse que contratação de presidente não seguiu "regras internas"

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7

A auditora interna Débora Lage Martins prestou depoimento à CPI da Cemig

A auditora interna Débora Lage Martins prestou depoimento à CPI da Cemig

Divulgação/ALMG/Sarah Torres

A auditora interna da Cemig, Débora Lage Martins confirmou que alguns contratos da atual gestão da empresa foram assinados em desconformidade com as práticas da companhia. Ela foi a primeira funcionária da Cemig a prestar depoimento na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga contratos com inexigibilidade de licitação

Um dos contratos que está na mira do colegiado é a da contratação de uma empresa de Recursos Humanos para a seleção do atual presidente da companhia. O R7 revelou o caso em abril deste ano. O serviço foi negociado pelo partido Novo em novembro de 2019 mas foi pago pela própria companhia depois que o presidente escolhido pelo processo seletivo já tinha sido nomeado.

A empresa do setor elétrico de Minas Gerais pagou R$ 170 mil pelo trabalho de recrutamento que escolheu o nome de Reynaldo Passanezi Filho. No entanto, ele já estava no cargo há 39 dias, quando o contrato para o início do serviço pela empresa de RH foi assinado.

Depoimento

De acordo com a auditora da Cemig, Débora Lage Martins, a realização do serviço sem contrato assinado "não está em conformidade com regras internas da empresa”. 

O deputado Sávio Souza Cruz, que integra a comissão, ironizou o caso. 

— A empresa [Exec] acabou sendo paga pelo presidente que ela mesma indicou, já que a contratação foi posterior à posse. 

Já o deputado Zé Guilherme (PP) saiu em defesa da companhia. De acordo com ele, a empresa tem ações nas bolsas de Nova Iorque e de Madri e "não pode sair dizendo que vai trocar o presidente, sob o risco de desvalorização dessas ações". Segundo ele, a prática no mercado é de procurar a pessoa para o cargo, em segredo, e emitir uma nota após a definição.

Outro lado

Em nota, a Cemig afirmou que o depoimento da auditora reforça a "correção das contratações diretas (inexigibilidade)" feitas em contratos pela companhia. 

Confira a nota da Cemig, na íntegra

O depoimento deixou clara a correção das contratações diretas (inexigibilidade) feitas pela Companhia. Relatório de rotina feito pela Auditoria Interna elencou pontos de atenção e propôs planos de ação para correção de não conformidades apontadas no referido relatório, sem que isso comprometa a legalidade das referidas contratações.

No depoimento, a superintendente Débora Lage Martins também mencionou relatório de investigação realizado pela Auditoria Interna a partir de uma série de denúncias recebidas no Canal de Denúncias da Cemig, entre 2019 e 2020, sobre supostos casos de corrupção na área de Suprimentos da Companhia. O relatório foi incorporado à investigação independente em curso e entregue ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na cooperação que a CEMIG tem com este órgão de fiscalização, para investigação que se encontra sob sigilo. A CPI aprovou requerimento para o recebimento do referido relatório.

Essa cooperação é a origem para a contratação da empresa de investigação forense Kroll, dos escritórios Sampaio Ferraz e Terra Tavares Ferrari Elias Rosa para, dentro dos estritos limites de sua atuação corporativa, realizar investigação independente de denúncias recebidas pelo MPMG. Esse padrão de investigação observa os requisitos da legislação internacional à qual a Cemig está submetida, por possuir ações negociadas nas bolsas de Nova York e Madri, além da de São Paulo.

A Companhia segue cooperando com o Ministério Público e com as demais autoridades locais e estrangeiras na apuração dos fatos. A Cemig informa ainda que adota regras rígidas de compliance e as melhores práticas de governança e transparência em suas ações.

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