Backer culpa fabricante de tanque e de substância tóxica por intoxicação

Advogados de defesa da cervejaria contestaram inquérito da Polícia Civil, que indiciou 11 pessoas nesta terça-feira (9), dentre elas, a diretoria da empresa

Fábrica da Backer está fechada desde o dia 13 de janeiro

Fábrica da Backer está fechada desde o dia 13 de janeiro

Reprodução/Record TV Minas

Advogados de defesa da cervejaria Backer disseram nesta quarta-feira (10) que a empresa não teve culpa na intoxicação de 42 pessoas que tiveram problemas de saúde após consumirem cervejas da marca. Nove pessoas morreram em decorrência de complicações causadas pela contaminação por dietilenoglicol. 

Em entrevista coletiva, os advogados disseram que os fabricantes do tanque em que houve contaminação com a substância tóxica e a entrada do dietilenoglicol na fábrica não são culpa da empresa. 

Polícia indicia diretores da Backer por contaminação de cerveja em MG

— A Backer não teve culpa do dietilenoglicol ter entrado na fábrica e, muito menos, de ter recebido um tanque defeituoso. A conclusão do inquérito não corresponde com as provas que foram levadas ao caso.

Segundo a defesa da empresa, o tanque foi adquirido no ano passado, instalado em setembro e veio com defeito de fabricação. No entanto, análises do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) indicaram que a contaminação na cervejaria teria começado em janeiro de 2019, antes, portanto, da aquisição do tanque. 

Os advogados também alegam que a empresa nunca comprou dietilenoglicol para usá-lo no processo de refrigeração da cerveja.  

— Nós temos um ilícito. Uma pessoa que vendeu monoetileno misturado com dietileno e temos vicio de fornecimento. Será que pode vender tanque furado? Uma empresa que vende para todo o mercado cervejeiro? O produto que a Backer utilizou não intoxicou ninguém. A causa da morte das pessoas não foi monoetilenoglicol.

Indiciamento

Após cinco meses de investigação, a Polícia Civil concluiu o caso nesta segunda-feira (8) e indiciou três diretores e sete funcionários da cervejaria pela contaminação de bebidas da empresa, que provocou mortes e intoxicou clientes em Minas Gerais.

Além deles, uma testemunha foi indiciada por mentir nos depoimentos, na tentativa de extorquir a cervejaria.

Os investigadores concluíram que furos nos tanques de produção da fábrica, em Belo Horizonte, causaram a contaminação com as substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol.

Segundo o delegado Flávio Grossi, responsável pelo caso, em um dos equipamentos havia uma falha na solda.

— Encontramos o vazamento literalmente dentro do tanque, jorrando o líquido tóxico para dentro da cerveja.

Negligência

Segundo o inquérito concluído após cinco meses de investigação, há indícios de que houve "negligência e imperícia" por parte dos funcionários da empresa, já que o manual de instrução dos tanques sugeria o uso de produtos não tóxicos para realizar o resfriamento de bebidas.

A defesa, no entanto, contesta essa conclusão da Polícia Civil.

— Não há impedimento de utilização dos glicóis. Não tem qualquer tipo de restrição. Em uma pesquisa simpels que podemos levantar é possivel identificar que várias outras empresas que vendem equipamentos para uso da indústria alimentícia orientam a forma correta de uso desses mesmos glicois. O Mapa [Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento], que é quem regula, nunca lavrou um auto de infração nos últimos 20 anos contra qualquer contribuinte pela utilização de etilenoglicol. 

Os diretores foram indiciados por não terem retirado as cervejas do mercado após o início das investigações, conforme orientação do Mapa. A