Casal tenta saber o que houve com rim não transplantado há 14 anos
Esposa de Altamiro Máximo dos Santos doou órgão que pode ter parado no lixo; sem transplante, ele faz hemodiálise três vezes por semana
Minas Gerais|Lucas Pavanelli, do R7, com Akemí Duarte, da Record TV Minas

Um idoso tenta, há 14 anos, saber o que aconteceu com um rim que foi doado pela sua esposa mas nunca chegou a ser transplantado nele. Depois de enfrentar problemas de pressão, o diagnóstico de Altamiro Máximo dos Santos apontou para a necessidade de um transplante de rim.
Para acabar com o sofrimento da rotina de ter que fazer hemodiálise três vezes por semana, a esposa de Altamiro, Jaqueline, se ofereceu para fazer a doação do órgão.
Depois de três meses de preparo e uma série de exames que atestaram a compatibilidade do órgão, os dois foram internados em 28 de abril de 2005 na Santa Casa de Belo Horizonte para a cirurgia, marcada para o dia seguinte.
Jaqueline entrou no bloco cirúrgico primeiro, seguida por Altamiro. Horas depois, quando eles acordaram da anestesia veio a surpresa. O rim foi retirado, mas nunca chegou a ser transplantado.
— O médico chegou para mim e disse que não deu para fazer o transplante. Quando eu perguntei o porquê e comecei a chorar na hora, quando eu vi que estava todo remendado e cheio de sonda. Eu perguntei onde estava a minha mulher e ele deu o fora. Eu não o vi mais e ninguém me disse mais nada.
No local, Altamiro e Jaqueline ficaram sabendo que o órgão poderia ter sido descartado.
— A prima dela contou para ela que o rim tinha ido para o lixo, para o saco, que foi a expressão que falaram para ela.
Justiça
O caso corre na Justiça há 14 anos. O casal entrou com um processo cobrando explicações dos médidos. A primeira audiência ocorreu em 2011, seis anos depois do fato. Desde então, Altamiro e Jaqueline continuam sem reposta.
— Se tivesse feito o transplante e 24 horas depois tivessse tirado ele por causa de alguma rejeição, o que é que a gente ia fazer? Nada, porque não era culpa deles. Mas não implantou de jeito nenhum.
A Santa Casa afirmou, em nota, que determinou a apuração sobre os fatos ocorridos à época e que não há registro de nenhuma ação judicial movida pelo casal contra a instituição.
Confira a nota, na íntegra:
A Santa Casa BH vem a público prestar esclarecimentos acerca de denúncia sobre fato ocorrido em 2005. Assim que a instituição tomou conhecimento (no final desta quinta-feira, dia 4 de abri), determinou que sejam revistas as documentações referentes aos procedimentos assistenciais à época.
Importante ressaltar que não há nos registros institucionais de qualquer ação judicial movida pelo denunciante ou familiar do mesmo. Caso o paciente tenha movido ação judicial contra terceiros – supostamente relacionados ao fato divulgado por ele – também serão objeto de apuração por parte instituição.
A Santa Casa BH reafirma que presta serviços hospitalares com objetivo de melhorar as condições de saúde dos seus pacientes e nunca o contrário, obedecendo aos direitos fundamentais constitucionais – notadamente aqueles que garantam a dignidade da pessoa humana. Também reforça que, tão logo tenha concluído as apurações, prestará os devidos esclarecimentos.
A Santa Casa BH agradece a solidariedade e confiança de todos.















