Com "acordo" com a PM, manifestantes fazem ato tranquilo em BH
Segundo a corporação, 500 pessoas participaram do ato, que contou com 700 policiais
Minas Gerais|Felipe Rezende, do R7

Depois de um primeiro protesto conturbado, marcado por conflitos, ação violenta da Polícia Militar e 61 pessoas detidas, a segunda manifestação contra o aumento das passagens de ônibus ocorreu de forma tranquila nesta sexta-feira (14) em Belo Horizonte. Os organizadores fizeram uma espécie de acordo com a corporação, informando o itinerário e cumprindo, em grande parte, a ordem de não interromper completamente o trânsito em grandes vias da cidade.
A concentração começou no início da noite, no quarteirão fechado da rua Rio de Janeiro, na praça Sete. De lá, cerca de 500 pessoas seguiram pela avenida Afonso Pena até a sede da prefeitura. Três faixas foram ocupadas e uma permaneceu liberada para a passagem de veículos. Os manifestantes deram as mãos e fizeram um cordão de isolamento para garantir que a pista de emergência ficasse livre.
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Em caminhada, integrantes do Tarifa Zero e moradores de ocupações urbanas, principalmente a Isidoro, saíram em uma "maratona" pela capital. Passaram pelas avenidas Getúlio Vargas e Cristóvão Colombo, em direção à Savassi. De lá, subiram em direção à praça da Liberdade e desceram a avenida João Pinheiro, retornando ao ponto de partida: a praça Sete, principal cruzamento de BH.
Conforme a PM, cerca de 700 oficiais acompanharam o trajeto durante quase três horas. Nenhuma ocorrência grave foi registrada. No caminho, um homem de 63 anos passou mal em um ônibus durante o congestionamento na Afonso Pena e morreu. Segundo o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), a vítima sofreu um mal súbito.
Ato de quarta começou pacífico
O ato de quarta-feira começou pacífico, por volta de 18h, na av. Afonso Pena, em direção à praça Sete, no centro da cidade. No entanto, perto da praça Afonso Arinos, na esquina com a avenida Augusto de Lima, houve confronto. Parte dos participantes tentaram se refugiar em um hotel localizado na rua da Bahia, entre a avenida Augusto de Lima e Afonso Pena e acabaram cercados e detidos sob a acusação de dano contra o patrimônio. De acordo com o comandante do Batalhão de Choque, tenente-coronel Gianfranco Caiafa, a direção do hotel pediu apoio policial e foi necessário reagir contra o grupo que impedia a saída dos presos.
— O que é violência para eles, não é para nós. Para gente, é força legal. Eles estavam dificultando a gente a sair com os detidos e precisamos usar a força. As pessoas ficam horrorizadas, mas se não tiver jeito, a força tem que ser usada, foi totalmente necessário. A gente não queria, tentamos negociar o tempo todo, mas não tinha outra saída.
Ainda segundo ele, o disparo de balas de borracha começou em resposta às pedras que teriam sido arremessadas pelos manifestantes em direção aos policiais.
— A gente também respira o gás de pimenta, não temos prazer nenhum em usar a força.















