Consórcio criminoso matou sindicalista em BH, diz polícia

Operação envolveu 200 policiais e prendeu quatro pessoas, entre elas um PM e um ex agente penitenciário; vereador de BH é investigado 

Hamilton foi encontrado morto há um mês

Hamilton foi encontrado morto há um mês

Reprodução/redes sociais

Quatro pessoas foram presas em uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais nesta sexta-feira (21) em Belo Horizonte, região metropolitana e Centro-Oeste de Minas. Um policial militar da ativa, um ex agente penitenciário e dois sobrinhos deles já foram encaminhados para o sistema prisional.

A operação, que contou com 200 policiais civis, 50 viaturas e uma aeronave,  investiga o assassinato de Hamilton Dias (MDB), um sindicalista e vereador de Funilândia, a 80 km de Belo Horizonte, ocorrida em julho. Há, ainda, um mandado de prisão em aberto. 

Um dos alvos da operação é o vereador de Belo Horizonte, Ronaldo Batista de Morais (PSC), que teve 10 computadores apreendidos em seu gabinete na Câmara Municipal. O parlamentar está em São Paulo e a Polícia Civil não confirma se ele é alvo do quinto mandado de prisão. O processo está em segredo de Justiça.  

De acordo com o delegado Emerson Crispim, chefe da Divisão de Homicídios, as informações são sigilosas porque a polícia trabalha para investigar outras pessoas que possam estar envolvidas no assassinato. 

- É uma investigação complexa, ainda em fase embrionária, e que trata de um consórcio criminoso. São várias pessoas envolvidas, desde a preparação do crime, a logística até a execução. Nem todos estão identificados. 

Vereador de BH

Um dos investigados pelo envolvimento no assassinato de Hamilton Dias é o vereador Ronaldo Batista de Morais. Ele teve 4.240 votos nas eleições de 2016 e ficou como suplente. Ele tomou na Câmara de Belo Horizonte em agosto do ano passado, depois que o vereador Cláudio Duarte (PSL) foi cassado após denúncias de rachadinha no seu gabinete. 

Ronaldojá foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belo Horizonte e região e, no ano passado, virou réu em um processo no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), sobre suspeita de desvio de recursos durante a sua gestão. Ele teve os bens bloqueador nesta ação.

Em apenas dois anos, o patrimônio dele saltou 300%, segundo declarações enviadas à Justiça Eleitoral. Em 2016, quando se candidatou a vereador, Morais declarou possuir R$ 760 mil em bens. Dois anos mais tarde, quando tentou se eleger deputado estadual, declarou possuir R$ 3 milhões.

Fontes ligadas à investigação afirmam que Ronaldo e o sindicalista Hamilton Dias, morto no mês passado, eram de alas opostas e disputavam o controle da entidade. Hamilton havia usado as redes sociais para manifestar o desejo de justiça, depois que veio à tona a suspeita de enriquecimento ilícito de Ronaldo Batista, como consequência de desvio de dinheiro do sindicato dos trabalhadores rodoviários de Belo Horizonte e região.

Outro lado

O vereador Ronaldo Batista de Morais está em São Paulo. Em nota, a assessoria de imprensa do parlamentar afirmou que ele não é o alvo principal dessa operação.

"A investigação está em segredo de justiça, mas não causa nenhum receio ao vereador que está tranquilo quanto à apuração dos fatos e contribuindo com as investigações", diz o texto.