Delegada esposa de acusado de matar gari em BH volta ao serviço após licença médica
Ana Paula Lamego Balbino estava afastada das atividades na Polícia Civil desde a época do crime
Minas Gerais|Isabella Guasti, da RECORD Minas
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A delegada Ana Paula Lamego Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), retomou as atividades na última quinta-feira (8), depois de permanecer mais de um ano afastada por licença médica. A volta foi confirmada pela instituição. Ana Paula é esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes. Ela foi indiciada pelos crimes de prevaricação e porte ilegal de arma de fogo.
Em nota, a defesa de Ana Paula disse que vê com alegria e satisfação ela ter sido considerada apta a retornar ao trabalho. Conforme publicação no Diário do Executivo, ela recebeu 90 dias de ajustamento funcional, contados a partir de 7 de outubro.
A delegada estava afasta desde 13 de agosto de 2025, quando Laudemir foi assassinado. O primeiro afastamento foi concedido por 60 dias. Depois disso, a licença foi renovada por outros cinco períodos consecutivos de 60 dias, iniciados em 12 de outubro e 11 de dezembro de 2025 e em 9 de fevereiro, 10 de abril e 9 de junho de 2026. A prorrogação mais recente aconteceu em 8 de agosto, completando mais de um ano da oficial longe das funções.
Continuou recebendo o salário
Durante o afastamento, a delegada continuou recebendo integralmente o salário e as demais vantagens do cargo. Segundo o Portal da Transparência, a remuneração bruta de Ana Paula é de R$ 23.418,72.
O pagamento está previsto na legislação. O artigo 60 da Lei Orgânica da Polícia Civil de Minas Gerais estabelece que a licença para tratamento de saúde pode ser concedida a pedido do policial ou por iniciativa da corporação, sem prejuízo dos vencimentos e mediante avaliação médica.
O Estatuto dos Funcionários Públicos Civis de Minas Gerais também determina, no artigo 170, que o servidor licenciado para tratamento de saúde deve receber integralmente a remuneração e as demais vantagens. Renê da Silva Nogueira Júnior permanece preso e aguarda julgamento pelo assassinato de Laudemir.
Relembre o crime
Segundo a Polícia Militar, o crime ocorreu após um desentendimento banal no trânsito. Um caminhão fazia a coleta de lixo na rua Jequitibá, que é mão dupla. Uma fila se formou com carros que vinham de outra via, a rua Modestina de Souza, e que iriam entrar na Jequitibá, em direção à Avenida Tereza Cristina.
Dirigindo um carro SUV, Renê teria hesitado em passar ao lado do caminhão. Neste momento, segundo a Polícia Militar, ele passou a xingar e a fazer ameaças à motorista da limpeza urbana. Os garis desceram para tentar acalmar o empresário. Nesse momento, segundo testemunhas, o disparo foi feito e acertou a região do abdômen do Laudemir. Ferido, ele ainda caminhou até a esquina, onde caiu. Renê, contaram testemunhas, seguiu pela rua Jequitibá e sumiu na avenida Tereza Cristina.
Horas após o crime, o empresário foi preso em uma academia de alto padrão na região Oeste de BH. Ele teve a prisão em flagrante ratificada por homicídio qualificado e ameaça, com agravantes como motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Durante as investigações, foi identificado que a arma utilizada no crime estaria ligada à Ana Paula Balbino, o que motivou a abertura de apuração interna para verificar eventual responsabilidade administrativa.
Em setembro do mesmo ano, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou o acusado por homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e tentativa de fraude processual. A denúncia incluiu três qualificadoras: motivo fútil, perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O processo segue em tramitação na Justiça.
Nota da defesa da delegada na íntegra:
“A Defesa da Dra. Ana Paula Balbino vê com alegria e grande satisfação que a excelente profissional, Delegada de Polícia dedicada e com importantes préstimos prestados ao povo e às Mulheres de Minas Gerais, esteja restabelecendo a sua saúde e, agora, foi considerada apta, pela Polícia Civil, para retornar ao trabalho.
O detalhe importante a ser esclarecido ao público: ela só não retornou ao trabalho anteriormente porque a própria instituição entendeu como “inapta” para exercer as funções policiais, devido à sua condição de saúde. Agora, com a saúde sendo reestabelecida, retorna ao trabalho para dar continuidade à sua brilhante carreira e continuar a prestar bons serviços à sociedade".
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