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Desabamentos de casas em BH aumentam quase sete vezes

Dados da prefeitura apontam variação dos números em janeiro de 2022, em comparação ao mesmo período do ano passado

Minas Gerais|João Pedro Gruppi, da Record TV Minas

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Parte de casa desabou na Vila Leonina, em janeiro de 2022
Parte de casa desabou na Vila Leonina, em janeiro de 2022

Em janeiro deste ano, 33 imóveis de Belo Horizonte desabaram ou tiveram suas estruturas comprometidas, segundo a prefeitura da capital. O número é quase sete vezes maior que o registrado no mesmo período de 2021, quando o município notificou cinco ocorrências do tipo.

A casa da auxiliar de serviços gerais Ana Paula Aparecida é uma entre as estatísticas. O imóvel, que fica no Jardim Leblon, na região da Pampulha, foi interditado pela Defesa Civil no início de 2022, já que as pilastras de sustentação ameaçam desabar a qualquer momento. Até hoje ela não pôde voltar. "Eu estava viajando quando recebi a notícia. A vizinha que me ligou", conta.


Para piorar a situação, não deu tempo nem de retirar os móveis. "Tem meu fogão, minha geladeira, meu sofá, as camas, minha máquina [de lavar roupa]. Tudo meu está lá dentro", completou.

Um dos motivos para esta realidade está relacionado ao período chuvoso. "O que acontece é que a água da chuva infiltra no solo, que na maioria das vezes está sem a vegetação. O solo encharcado acaba cedendo e por isso acontecem os deslizamentos de terra", explica Antônio Geraldo da Silva, engenheiro geólogo e geotécnico.


Silva também diz que a capital mineira tem um agravante: o relevo. "Como BH tem muitos morros, as casas que ficam no topo ou na base de uma encosta sofrem mais risco do solo ceder devido à inclinação. A solução é gramar e colocar telas sobre os solos que estão sem vegetação", conclui.

No primeiro mês do ano, o volume de chuva registrado foi de 675 mm, 205% a mais que a média do mês, que foi de 329 mm. O maior volume registrado em janeiro do ano passado foi de 401 mm, 40% a menos que o recorde de 2022.


Minas Gerais

O restante do Estado também enfrenta problemas. De acordo com o Corpo de Bombeiros, nos primeiros 40 dias do ano, a corporação atendeu 1.660 ocorrências relacionadas ao risco geológico em toda Minas Gerais, sendo 1.442 vistorias e 218 registros de desabamentos. Isso representa um aumento de 480% em comparação com o mesmo período de 2021. No ano passado foram registrados 287 casos dessa natureza.


Ainda segundo os militares, a concentração desse tipo de ocorrência em janeiro deve-se à maior incidência de chuvas nos primeiros meses do ano.

Os bombeiros recomendam monitorar constantemente áreas de encosta, além de verificar a inclinação de árvores e postes na vizinhança. Também é importante verificar o surgimento de trincas e rachaduras nos imóveis, ressalta a corporação. Caso o local seja interditado pela Defesa Civil ou pelo Corpo de Bombeiros, o morador deve seguir as orientações dos órgãos e sair dos locais interditados, buscando casa de conhecidos ou abrigo da prefeitura.

Procurada, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que a responsabilidade de manutenção, estabilidade, conservação, fechamento, segurança e salubridade do imóvel é do proprietário conforme artigo 8º da Lei Nº 9725, do Código de Edificações do Município de Belo Horizonte.

Relembre um dos desabamentos de janeiro de 2022:

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