Entidades comerciais criticam falta de diálogo com prefeitura de BH
Lojistas acreditam que número de empresas fechadas chega a 14 mil; setor de bares e restaurantes disse acumular queda de R$ 1 bilhão no faturamento
Minas Gerais|Célio Ribeiro e Caio Augusto*, do R7, e Raquel Rocha, da Record TV Minas

Representantes de entidades comerciais de Belo Horizonte criticaram a falta de diálogo da prefeitura da capital mineira com os comerciantes da cidade. Conforme decreto do Executivo municipal, apenas comércios considerados essenciais podem abrir as portas neste momento.
O presidente da CDL-BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte), Marcelo de Souza e Silva, afirmou que a prefeitura não está fazendo o seu papel de protagonista na defesa dos interesses da cidade. Segundo ele, o comércio poderia ser gerido sem a participação do Executivo.
— Tem muita coisa que a gente consegue fazer sem a prefeitura. Seria melhor trabalhar junto com o Executivo, mas a gente não está conseguindo isso. Falta diálogo.
Dados da Junta Comercial do município apontam que mais de 7 mil empresas foram fechadas entre março e junho. Mas, segundo Marcelo de Souza, o número pode ser bem maior.
— A gente acha que é o dobro de empresas que já fecharam as portas. Com esse número tão grande de lojas fechadas, cerca de 10% das vagas de emprego em BH já foram perdidas. Cerca de 140 mil desempregados diretamente.
Bares e restaurantes
Mesmo com a possibilidade de funcionar por meio de delivery e “retire na porta”, o setor de bares e restaurantes também foi duramente afetado. Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), disse que a queda no faturamento chega a R$ 1 bilhão. Ele criticou a falta de planejamento da Prefeitura no retorno dos serviços não essenciais.
— Nós somos a única capital do Brasil e uma das pouquíssimas cidades no país inteiro que não tem um plano de reabertura de seu comércio. Não temos nem uma previsão.
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Tanto a CDL quanto a Abrasel não participaram da reunião realizada na última quarta-feira (15) entre os comerciantes e representantes da Prefeitura de Belo Horizonte. Durante a reunião, os lojistas apresentaram uma proposta para que o comércio abra de terça à sexta e feche nos outros dias da semana.
A medida seria um grande alívio para o setor, já que o fechamento do comércio não essencial está quase completando quatro meses.
Mesmo assim, o secretário de Planejamento do município, André Reis, evitou falar no assunto.
— Com certeza este não é o momento de promovermos uma flexibilização. Temos que acompanhar a curva dos casos da doença para depois começarmos a pensar em abertura.
*Estagiário do R7, sob supervisão de Lucas Pavanelli















