Família de irmãos mortos por Polícia Militar pede que caso seja investigado
Parentes contestam versão apresentada por militares; Polícia Civil aguarda resultado de laudos
Minas Gerais|Do R7, com Record Minas

Familiares dos irmãos que morreram após serem baleados por um policial militar durante uma cavalgada pedem para que caso seja investigado. A família contesta versão apresentada pela polícia. Fato aconteceu em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, no último fim de semana.
Os parentes acreditam que eles foram executados e pedem uma investigação rigorosa. "Pelas imagens que a gente tem, os dois foram executados por profissionais mal preparados ou mal-intencionados", disse um tio que preferiu não ser identificado.
O que fala a PM?
Em coletiva realizada nesta segunda-feira (11), a Polícia Militar confirmou que um PM atirou e matou os irmãos Rafael Francisco, de 27 anos, e o irmão dele, Branio José, de 29 anos. Segundo a corporação, os tiros foram disparados pelo agente, após Brânio atacar um segundo policial. Para a PM, a ação foi considerada correta e necessária.
"Uma agressão com faca não há o que se falar que não a utilização de arma de fogo. Porque se considera uma agressão letal. Se ele consegue efetuar uma segunda estocada no pescoço do Sargento poderia não ficar só essa marca na alma do nosso policial militar que por pouco não perde a vida", disse o Tenente-Coronel Flávio Santiago.
Ainda segundo a Polícia, os militares patrulhavam o local, quando um primeiro tumulto começou, devido a um suposto acerto de contas, relacionado a outra ocorrência de estupro, mas após a situação ser controlada, uma segunda confusão começou. Rafael teria dado um empurrão em uma mulher e em um homem que discutiam no local.
Ainda segundo a polícia, um dos militares interviu e foi, neste momento, que Brânio, irmão de Rafael, teria atacado o sargento, com uma facada na região do pescoço. Para parar o ataque, o outro militar atirou em Brânio.
Família contesta versão
A versão da família das vítimas é diferente. A esposa de Rafael, que prefere não se identificar, relembrou os últimos momentos do marido ainda com vida. Segundo ela, tudo aconteceu na frente dos filhos do casal.
"Não teve confusão hora nenhuma, os meninos só estavam conversando, quando o policial chegou já perguntando o que estava acontecendo. Meu marido chegou atrás de mim montado em um burro. Ele foi arrancado de cima do burro. O segundo policial, que estava junto, chutava a cara do meu marido como se ele fosse uma bola. O irmão viu tudo aquilo, tentou separar, o policial que estava puxando o pé do meu marido, soltou, deu uma distância e atirou", disse a esposa.
Em vídeo feito por testemunha, é possível ver Brânio, imóvel, já no camburão da viatura. Em outras imagens, também feitas por testemunhas, os policiais aparecem carregando Rafael, que estava baleado. Também segundo a esposa de Rafael, familiares tentaram acompanhar a viatura até o hospital, mas não teriam sido autorizados.
Protesto
Indignados, moradores se uniram em protesto e bloquearam uma das entradas do povoado nesta segunda (11). Com cartazes, eles questionaram a ação da polícia militar. “Elas eram queridos por todos. Esmeralda inteira está comovida. Era dois trabalhadores, os dois deixaram filhos e todos presenciaram o que aconteceu”, disse a mulher.
Ainda nesta segunda à tarde, um ônibus foi queimado, na rodovia LMG-060, perto do povoado São José, na cidade da Grande BH. Testemunhas disseram à polícia que quatro homens, em duas motos, teriam cometido o crime. Durante as buscas, dois suspeitos foram encontrados. Um deles acabou baleado na perna e no abdômen, ele foi socorrido e levado para o Hospital Regional de Betim, na Grande BH.
O homem atingido, de 29 anos, e passagens por tráfico de drogas. O comparsa tem passagens como usuário de drogas. Agora, a polícia tenta confirmar se os casos têm relação.
Em nota, a Polícia Civil esclareceu que aguarda a conclusão dos laudos que determinarão a causa e circunstâncias do ocorrido. Já a Polícia Militar disse que todas as informações do caso foram passadas durante coletiva.















