Família procura mineiro que desapareceu após se alistar para guerra na Ucrânia
Parentes receberam informações de que Matheus, de 29 anos, teria morrido em combate, mas acreditam que ele caiu em um golpe
Minas Gerais|Arnon Gonçalves, do R7 e Alice Brito, da RECORD Minas
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O entregador de gás, Matheus Barbosa, de 29 anos, se inscreveu em uma página no Instagram para lutar na guerra da Ucrânica contra a Rússia. Ele teria sido motivado por uma oferta em dinheiro, que usaria para comprar uma casa para ele, a esposa e os seis filhos pequenos. O jovem mineiro chegou a fazer a viagem, mas, há 12 dias, a família não consegue qualquer contato com ele.
Os parentes acreditam que Matheus possa ter caído em um golpe. Depois de muitas tentativas, eles conseguiram falar com uma outra pessoa que alega ter participado de um combate ao lado dele, na Ucrânica, e que afirma que Matheus morreu após ser atingido por estilhaços de um drone. Mas, além de não conseguir mais informações sobre o ocorrido com nenhum dos responsáveis pelo recrutamento, eles não descobriram ainda onde supostamente está o corpo do jovem.
Alistamento
A família de Matheus mora em Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte. Eles contam que o entregador de gás fez uma inscrição por meio do Instagram para participar da guerra que está acontecendo entre a Ucrânia e a Rússia e que foi recrutado.
Tamiris Stephanie Rosa, esposa de Matheus, conta que a motivação dele de ir para a guerra era o dinheiro oferecido para a missão, já que pretendia usar esse valor para comprar uma casa para ele, a esposa e os seis filhos: “Ele falava que ele tinha vontade de comprar uma casa e poder dar uma vida melhor, porque ele já não estava aguentando ver os filhos pedirem as coisas e ele não ter condições de dar”.
Matheus teria, ainda, assinado um contrato de seis meses, período em que ganharia mais de U$$ 50 mil (cinquenta mil dólares), o que equivale, aproximadamente, a R$ 260 mil na cotação atual. Grávida de 8 meses, ela conta que não queria que ele fosse mas, como Matheus estava decidido, resolveu apoiar.
Feita a inscriação, o entregador de gás viajou no dia 19 de julho. Ele teve o passaporte, visto e transporte arcados pela suposta empresa de recutramento para a guerra. No início, Matheus ainda compartilhava algumas informações com a família e também fotos.
Mas, logo o jovem começou a mandar mensagem pedindo dinheiro para comprar comida. Pouco depois, a irmã e a esposa dele foram inseridas em um grupo com outros soldados e familiares de combatentes brasileiros, onde eles contavam que nada do que foi prometido nesses suspostos contratos era cumprido. Os valores que entrariam mensalmente para a esposa também nunca chegaram. A família acredita que Matheus possa ter caído em um golpe.
Sem notícias
A situação piorou quando, a partir de 19 de setembro, eles não conseguiram mais contato com o mineiro. Ele não respondia as mensagens e nem atendia a ligações.
Na última quarta-feira (30), Tamiris conseguiu acessar a conta do Instagram de Matheus e encontrou várias mensagens onde ele pedia ajuda para várias pessoas para voltar da Ucrânia, falando que queria quebrar o contrato, sobre problemas com o salário e que não estava dando certo. Ela logo estranhou, já que as mensagens que ele mandava para a família eram sempre os acalmando e falando que estava tudo bem.
Aline Flaviana, irmã de Mateus, explica que desde o desaparecimento, a família tem juntando um quebra-cabeça com o pouco de informações que conseguiram para chegar a alguma conclusão. Mas, até isso, tem sido extremamente difícil, já que nenhuma dessas informações é de algum órgão oficial ou de um superior responsável pelos alistados.
As coisas começaram a mudar quando uma pessoa ligou para Aline falando que era a esposa de um dos soldados que estava com Matheus em missão na Ucrânia. A mulher contou que o entregador tinha sido ferido e que faleceu durante o combate. Foi aí que eles se esforçaram mais ainda para procurar outras pessoas que pudessem estar na suposta missão que Matheus teria participado.
Com a pesquisa, ela chegou até uma conta no Instagram que dizia ter contato com alguns alistados na Ucrânia. Eles pediram fotos e dados de Matheus para tentar identificá-lo. “Ele me mandou mensagem falando que a informação que ele teve, a primeiro momento, é que ele realmente tinha sido ferido por estilhaços de drone, e que não resistiu”, explica a irmã do mineiro.
A partir disso, a família decidiu procurar as autoridades brasileiras: “Eu procurei a defensoria pública daqui da cidade, eles me orientaram o que eu ia fazer. Entrou com um pedido para mandar encaminhar para a Federal, mas até agora eu não tive nenhum retorno, nenhuma resposta deles. O que eu tenho de resposta e solução é o que a gente mesmo está correndo atrás, de soldados que estão lá também”.
Versão do recrutador
A família do mineiro conseguiu um número de telefone, com prefixo 22, do Rio de Janeiro, que seria o contato do recrutador. Tentaram ligar, para conseguir informações, mas ele não atendeu. Então resolveram mandar uma mensagem.
Quando questionada sobre o paradeiro de Matheus, a pessoa respondeu: “A operação militar não foi encerrada, todo e qualquer militar é proibido de dar informações durante a missão para evitar disseminação de informações aos inimigos. Recrutador não paga passagem muito menos convida voluntário. Ele procura o responsável pela brigada por interesse próprio e vem pelo Ministério da Defesa. Sou apenas um voluntário contratado pelo exército assim como ele. Procure o Ministério da defesa da Ucrânia”.
A irmã de Matheus procurou diversos órgãos para obter informações do irmão, ou para conseguir trazer o corpo até o Brasil, caso ele esteja realmente morto, mas sem êxito até o momento. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que foi notificado pela família do brasileiro e que busca apurar os fatos junto às autoridades locais.
Família em espera
Aline conta que a família segue angustiada sem saber, de fato, o que aconteceu: “A gente quer trazer o corpo dele, se realmente ele está morto, nem que seja, os restos dele, os pedaços, e uns falam que a bomba explodiu ele, que não tem nem pedaços dele, outros falam que foi só estilhaços que atingiram o pulmão. A gente quer trazer ele e dar a ele um enterro digno, ele é um ser humano, ele não é um bicho”.
Para Tamiris, esposa de Matheus, a esperança é que ele voltasse ainda para o Natal: “Os meus filhos choram muito. Os meus dois mais velhos, porque eles entendem mais. Eles choram, eles têm saudades do pai, porque o pai falou que ia voltar para poder trazer o presente de Natal deles, de dezembro. Ficam me perguntando todos os dias”, desabafa.
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