Família vai fazer exumação de corpo de parente e encontra outra ossada
Filhas do aposentado João dos Santos denunciam diferenças físicas entre pai e a pessoa que estava na cova em um cemitério de Belo Horizonte
Minas Gerais|Lucas Pavanelli, do R7, com Rodrigo Dias, da RecordTV Minas

Esposa e duas filhas de João dos Santos, que morreu em 2016 aos 81 anos, foram acompanhar a exumação do restos mortais no Cemitério da Paz, em Belo Horizonte, e tiveram uma surpresa bastante desagradável. A pessoa que estava enterrada na cova não era João dos Santos.
Quando faleceu, deixando esposa e seis filhos, o homem foi enterrado em uma cova comunitária. Nesse tipo de jazigo, a família tem um prazo de até dois anos e 11 meses para se manifestar sobre o destino dos restos mortais. Antes de o prazo vencer, os parentes de João dos Santos decidiram pagar R$ 7 mil por uma cova perpétua.
No entanto, ao fazer a exumação do corpo, em junho desse ano, as filhas do aposentado notaram que a roupa que elas colocaram no pai no dia do enterro era diferente. E até mesmo a arcada dentária não condizia com a que elas conheciam do seu João.
"Meu pai estava de blusa social, abotoada até o pescoço, meu pai era calvo e só tinha dentes na parte de baixo da boca. A outra pessoa tinha dentes em cima, um monte de cabelo dos lados e a roupa não tinha nada a ver, era paletó e gravata e meu pai não foi enterrado assim", conta uma das filhas, Rogéria Moreira dos Santos.
Segundo a família, as covas ao lado de onde deveria estar o corpo de João dos Santos também foram abertas, mas o homem não estava em nenhuma delas.
Descaso
Uma outra filha do aposentado diz que a família registrou boletim de ocorrência e acredita que a lápide possa ter sido trocada de lugar. Antes da exumação, ela esteve no cemitério e encontrou muito mato na quadra onde o pai foi enterrado.
Para Rogéria, além da situação difícil, a família ainda tem que conviver com descaso da prefeitura e de funcionários do Cemitério da Paz.
"A gente quer achar os ossos do meu pai. O que a gente encontra aqui no cemitério é um descaso total. AS pessoas te tratam mal, no dao atenção. Isso está sendo até motivo de deboche. Eles falam assim: mas são só ossos. Para a gente, não é. A gente tem lembranças, a gente tem recordações. Aqueles ossos ali são de uma pessoa que significava muito para a gente.
Exame de DNA
Segundo a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, responsável pelo cemitério, a família de João dos Santos vai precisar pedir exame de DNA para comprovar se os restos mortais encontrados na sepultura são ou não do aposentado. O teste foi ser feito de forma gratuita, judicialmente. Até lá, os jazigos envolvidos ficarão bloqueados.
E que, se for comprovado erro do cemitério, a prefeitura adotará todas as medidas necessárias para a reparação.















