‘Foi uma covardia’: filho de idoso morto a tiros em Vespasiano cobra justiça e revela ameaças
Os criminosos dispararam cerca de 30 vezes contra o idoso; vítima era conhecida como ‘Zé do Rádio’
Minas Gerais|Cler Santos, do R7
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O filho do idoso de 71 anos morto durante um ataque a tiros em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, cobrou justiça e revelou que a família teme novos ataques após receber relatos de ameaças. Durante o velório de José de Fátima Fernandes da Silva, nesta quinta-feira (8), o advogado Wanderson classificou o assassinato do pai como um ato de covardia. “Meu pai é inocente, trabalhador, todo mundo o conhece no bairro”, lamentou.
Em entrevista à RECORD Minas, Wanderson contou que o irmão, de 36 anos, era o verdadeiro alvo dos criminosos. Segundo ele, o homem estava passeando com a companheira próximo a uma lagoa quando percebeu que estava sendo observado por ocupantes de um carro. Pouco depois, três suspeitos teriam descido do veículo e começado a atirar.
O homem foi atingido por oito disparos, mas conseguiu fugir em direção à casa dos pais. Conforme o relato do familiar, os criminosos perseguiram a vítima e arrombaram o portão da residência. O irmão conseguiu escapar, mas o pai, que estava doente e tinha dificuldades de locomoção, acabou surpreendido pelos invasores.
“Meu pai estava lá sem saber o que tava acontecendo. Do nada, meu pai acamado, doente, perguntou: ‘O que tá acontecendo?’. Quando os caras chegaram, meteram 30 tiros nele, sem misericórdia”, relatou Wanderson.
Segundo o filho, José não ofereceu resistência e apenas tentou entender o que estava acontecendo. O familiar afirmou que os criminosos permaneceram atirando por aproximadamente um minuto. A quantidade de disparos mencionada por ele ainda não foi confirmada pela perícia.
Conhecido pelos moradores como “Zé do Rádio”, o idoso trabalhava com conserto de rádios e televisores e era uma figura popular na comunidade.
“Era um cara popular no bairro. Todos conheciam, o bairro todo está comovido pela essa situação que eles fizeram com ele”, contou o filho.
Família relata ameaças e cobra investigação
Durante a entrevista, Wanderson também revelou que o irmão sobreviveu ao ataque, passou por cirurgia e está consciente. Apesar da recuperação, a família teme novos episódios de violência.
“Ele está bem, graças a Deus. Está lúcido, já fez cirurgia, já não corre risco nenhum mais. Mas a família toda está preocupada, porque algumas pessoas receberam áudio com ameaças”, afirmou.
Questionado sobre a possível motivação do crime, o advogado disse acreditar que o ataque possa estar relacionado a desentendimentos antigos envolvendo o irmão, que, segundo ele, já havia recebido ameaças anteriormente.
“Eu acredito que isso aí deve ser alguma rixa antiga, porque ele já foi ameaçado por algumas pessoas, a polícia está sabendo também. A polícia tem os nomes das pessoas, sabe tudo”, declarou.
O familiar também afirmou que a residência possui câmeras de segurança que teriam registrado a invasão e a ação dos criminosos. Segundo ele, os equipamentos e as imagens foram recolhidos pela polícia e podem ajudar na identificação dos envolvidos.
Durante as buscas, a Polícia Militar encontrou duas balaclavas, um par de chinelos e um revólver calibre .38 com oito munições nas proximidades do local do crime. Até a última atualização, os suspeitos não haviam sido localizados.
‘Sempre ajudou o próximo’, diz filho sobre o pai
Emocionado, Wanderson também relembrou a trajetória do pai, que deixa quatro filhos e dois netos. Segundo ele, José era querido pelos moradores e conhecido por ajudar quem precisava.
“Ele vai deixar quatro filhos, deixar dois netos que eram apaixonados por ele. E vai deixar um legado, né, que sempre ajudou o próximo, foi amigo da população. Foi amigo de todo mundo, nunca teve problema com ninguém”, lamentou.
O corpo de José de Fátima Fernandes da Silva foi velado nesta quinta-feira (8), no Cemitério da Saudade, na região Leste de Belo Horizonte. O sepultamento estava marcado para as 9h, no mesmo local.
A Polícia Civil investiga a autoria e a motivação do crime.
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